quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O Pecado Ecológico


A criação toda é uma obra maravilhosa de Deus, perfeita e bela pois reflete em si a perfeição e a beleza do Criador. O universo inteiro, em sua diversidade e grandiosidade, reflete a glória de Deus. Os céus inundados de estrelas e galáxias, os oceanos profundos e cheios de vida, as montanhas e florestas repletas de seres dos mais diversos, enfim, o planeta inteiro glorifica ao seu Criador com sua existência.

Ora, se tudo isso é obra de Deus e foi feito por Deus para coexistir em harmonia e ser um reflexo de sua glória, quando se quebra essa harmonia se está ofendendo a glória e a santidade do Senhor. Mas como ofender o que é infinitamente glorioso e santo? Como pode o homem ofender a glória infinita de Deus? Como pode o homem ofender a santidade infinita de Deus?

A ofensa à glória e à santidade de Deus se dá quando o homem destrói voluntariamente e com plena consciência do que faz a obra criada pelo Senhor Deus. A ofensa se dá não porque Deus possa ser destruído, mas porque o homem destrói o que foi criado por Deus. O homem nada é, nada cria, nada pode. Então, não tem o direito de destruir a obra da qual não é o criador. Mais ainda, o próprio homem é criatura – feito filho de Deus pela graça e misericórdia do próprio Deus – que foi feita para viver em harmonia com toda a criação.

Muitas são as maneiras de se destruir a criação de Deus. As mais graves, pois são irreversíveis, vão desde a destruição da vida no ventre materno à completa extinção de plantas e animais. São absolutamente graves uma vez que, ao serem destruídas, não há como trazê-las de volta. Perdem-se para sempre e o homem não tem como recuperá-las.

Observe este exemplo simples que bem ilustra o desperdício causando destruição à obra de Deus. Um homem resolveu reformar sua casa. Trocou pisos, portas e janelas e pintou as paredes. Quando tudo estava terminado, decidiu trocar os seus cento e vinte móveis. E decidiu fazer isso mesmo vendo que os seus cento e vinte móveis estavam bons para uso, sem quebrados ou carunchados. Ora, todos os seus móveis eram de madeira – que um dia haviam sido árvores cuja utilidade ainda podia ser plenamente gozada – e os novos cento e vinte móveis também seriam de árvores. Para fazer cento e vinte móveis de madeira, quantas árvores devem ser derrubadas? Quantas árvores devem ser destruídas? Dezenas, sem dúvida.

Se estes cento e vinte móveis novos forem feitos de pinho ou de eucalipto, que é madeira de reflorestamento, ainda é aceitável. Mas, normalmente móveis são feitos de madeira nativa! Assim, quantas árvores custarão esses cento e vinte móveis novos que o homem resolveu substituir os que ainda estavam em bom uso em sua casa? Quanta chuva descerá torrencial no terreno sem as árvores e, quem sabe, alagará casas e plantações? Quantos pequenos animais morrerão quando as árvores em que vivem forem arrancadas? O preço é a destruição da obra de Deus!

Poderia o homem argumentar que os móveis antigos seriam doados para uma casa mais simples. Doados? E desde quando isto justifica a troca? E se os móveis estão velhos, porque vão ser doados? Ora, o que não serve mais para alguém também não serve para outro. Acaso o que vai receber a doação é pior do que aquele que doa e merece somente o que não serve mais para o doador? Nem é preciso entrar em detalhes sobre este ponto, pois o Senhor Jesus já deixou bem claro sobre isso. Basta ler em sua Palavra!

Portanto, Deus ficará feliz ao ver sua obra sendo destruída deliberadamente? O mundo inteiro, melhor dizendo, o universo é a casa de Deus. Assim, o Senhor fica muito mais feliz vendo o homem respeitar e cuidar da natureza do que ao ver sua obra destruída para encher uma casa com cento e vinte móveis sem necessidade!

Enfim, não seria este ato de destruição de árvores e seu microcosmo um pecado ecológico?

Nilson Antônio da Silva

sábado, 24 de outubro de 2009

Confissão - O Sacramento da Penitência


1 - O que é o sacramento da Penitência?

O sacramento da Penitência, ou Reconciliação, ou Confissão, é o sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo para apagar os pecados cometidos depois do Batismo. É, por conseguinte, o sacramento de nossa cura espiritual, chamado também sacramento da conversão, porque realiza sacramentalmente nosso retorno aos braços do pai depois de que nos afastamos com o pecado.

2 - É possível obter o perdão dos pecados mortais sem a confissão?

Depois do Batismo não é possível obter o perdão dos pecados mortais sem a Confissão, embora seja possível antecipar o perdão com a contrição perfeita acompanhada do propósito de confessar-se.

3 - E se depois de feita a contrição à pessoa não se confessa?

Quem se comporta desta maneira comete uma falta grave. Pois todos os pecados mortais cometidos depois do batismo devem ser acusados na Confissão.

4 - O que se requer para fazer uma boa confissão?

Para fazer uma boa confissão é necessário: fazer um cuidadoso exame de consciência, arrepender-se dos pecados cometidos e o firme propósito de não cometê-los mais (contrição), dizer os outros pecados ao sacerdote (confissão), e cumprir a penitência (satisfação).

5 - O que é o exame de consciência?

O exame de consciência é a decidida busca dos pecados cometidos depois da última Confissão bem feita.

6 - No exame de consciência é necessário ter exato o número dos pecados?
Dos pecados graves ou mortais é preciso acusar também o número, porque cada pecado mortal deve ser dito na confissão.

7 - É necessário arrepender-se de todos os pecados cometidos?

Para a validez da confissão é suficiente arrepender-se de todos os pecados mortais, mas para o progresso espiritual é necessário arrepender-se também dos pecados veniais.

8 - Um verdadeiro arrependimento requer também o propósito de abandonar o pecado?

O arrependimento certamente olha para o passado, mas implica necessariamente um empenho para o futuro com a firme vontade de não cometer jamais o pecado.

9 - Pode-se ter um verdadeiro arrependimento se a gente prevê que antes ou depois tornará a cair em pecado?

A previsão do pecado futuro não impede que se tenha o propósito sincero de não cometê-lo mais, porque o propósito depende só do conhecimento que nós temos de nossa fraqueza.

10 - O que é a confissão?

A confissão é a manifestação humilde e sincera dos próprios pecados ao sacerdote.

11 - Quais pecados são obrigatórios confessar?

Estamos obrigados a confessar todos e cada um dos pecados graves, ou mortais, cometidos depois da última confissão bem feita.

12 - Quais são os pecados mortais mais freqüentes?

As faltas objetivamente mortais mais freqüentes são (seguindo a ordem dos mandamentos): praticar de qualquer modo a magia; blasfemar; perder a Missa dominical ou as festas de preceitos sem um motivo sério; tratar mal aos próprios pais ou superiores; matar ou ferir gravemente a uma pessoa inocente; procurar diretamente o aborto; procurar o prazer sexual e solitário ou com outras pessoas que não sejam o próprio cônjuge; para os cônjuges, impedir a concepção no ato conjugal; roubar alguma soma relevante, inclusive desviando ou subtraindo no trabalho; murmurar gravemente sobre o próximo ou caluniá-lo; cultivar voluntariamente pensamentos ou desejos impuros; faltar gravemente com o próprio dever; aproximar-se da Sagrada Comunhão em estado de pecado mortal; omitir voluntariamente um pecado grave na confissão.

13 - Se a pessoa esquece um pecado mortal, obtém igualmente o perdão na confissão?

Se a pessoa esquecer um pecado mortal, pode obter igualmente o perdão, mas na confissão seguinte deve confessar o pecado esquecido.

14 - Se a pessoa omitir voluntariamente um pecado mortal obtém o perdão dos outros pecados?

Se uma pessoa, por vergonha ou por outros motivos, omite um pecado mortal, não só não obtém nenhum perdão, mas também comete um novo pecado de sacrilégio, o de profanação de uma coisa sagrada.

15 - Há obrigação de confessar os pecados veniais?

A confissão dos pecados veniais não é necessária, mas é muito útil para o progresso da vida cristã.

16 - O confessor deve dar sempre a absolvição?

O confessor deve dar sempre a absolvição se o penitente estiver bem disposto, quer dizer, se estiver sinceramente arrependido de todos seus pecados mortais. Se pelo contrário, o penitente não está bem disposto, não tendo a dor ou o propósito de emenda, então o confessor não pode e não deve dar a absolvição.

17 - O que deve fazer o penitente depois da absolvição?

O penitente depois da absolvição deve cumprir a penitência que lhe foi imposta e reparar os danos que seus pecados eventualmente tiverem causado ao próximo (por exemplo, deve restituir o roubado).

18 - Quais são os efeitos do sacramento da Penitência?
São a reconciliação com Deus e com a Igreja, a recuperação da graça santificante, o aumento das forças espirituais para caminhar para a perfeição, a paz e a serenidade da consciência com uma viva consolação do espírito.

19 - Como se pode superar a dificuldade que se sente para confessar-se?

Que tem dificuldades para confessar-se deve considerar que o sacramento da Penitência é um dom maravilhosos que o Senhor nos deu. No "tribunal" da Penitência o culpado jamais é condenado, mas sempre absolvido. Pois quem se confessa não se encontra com um simples homem, mas com Jesus, o qual, presente em seu ministro, como fez um tempo com o leproso do Evangelho (Mc 1, 40ss.) também hoje nos toca ou nos cura; e, como fez com a menina que jazia morta nos toma pela mão repetindo aquelas palavras: "Talita kumi, menina, eu te digo, levante-te!" (Mc 5, 41).

20 - A confissão nos ajuda também no caminho da virtude?

A confissão é um meio extraordinariamente eficaz para progredir no caminho da perfeição. Com efeito, além de nos dar a graça "medicinal" própria do sacramento, faz-nos exercitar as virtudes fundamentais de nossa vida cristã. A humildade acima de tudo, que é a base de todo o edifício espiritual, depois a fé em Jesus Salvador e em seus méritos infinitos, a esperança do perdão e da vida eterna, o amor para Deus e para o próximo, a abertura de nosso coração à reconciliação com quem nos ofendeu. Enfim, a sinceridade, a separação do pecado e o desejo sincero de progredir espiritualmente.


Como Se Preparar Para Uma Boa Confissão

Muitas confissões não são frutuosas por uma série de motivos. Entre os princípios está a forma superficial como algumas pessoas confessam. Toda confissão exige uma preparação feita com oração e um bom exame de consciência: "… prepara-te… para sair ao encontro de teu Deus" (Am 4,12).

1 - O Local: escolha um lugar tranqüilo para passar um tempo a sós com o Senhor. Se possível, diante do sacrário.

2 - A Oração: tenha presente que a finalidade é preparar-se para uma confissão frutuosa. Se estiver diante do sacrário, fique olhando para Ele sem se preocupar com as palavras. Sinta a presença de vida a brotar desse lugar santo. Caso esteja em qualquer outro lugar, não tenha pressa em fazer a oração. Feche seus olhos, enxergue Jesus sorrindo para você e iluminando-o com sua luz. A seguir, abra seu coração em agradecimento ao Senhor pela oportunidade de poder renovar Seu perdão em sua vida. Você pode agradecer lembrando fatos do passado em que sentiu a cura de Deus, assim como as bênçãos recebidas desde a sua última confissão. O passo seguinte é pedir para fazer um bom exame de consciência.

3 - Procurar um sacerdote para fazer uma boa confissão. Ao terminar a confissão, não tenha pressa em retornar as atividades. Permaneça alguns instantes agradecendo pelo perdão recebido, e se houver algo a ser reparado por palavras e atitudes, faça-o sem demora. No caso de problemas de relacionamento, ore para que o Senhor tire os efeitos das feridas emocionais, sem ficar buscando culpados. Também interceda pelas pessoas que o magoaram ou que você magoou. Peça o auxílio da graça para que o perdão da confissão vá curando as faltas e defeitos confessados.

Fonte: Padre Zezinho

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Prayer of Saint Francis of Assisi


Lord, make me an instrument of your peace.
Where there is hatred, let me sow love;
Where there is injury, pardon;
Where there is doubt, faith;
Where there is despair, hope;
Where there is darkness, light;
And where there is sadness, joy.

O Divine Master, grant that I may not so much seek
To be consoled as to console;
To be understood as to understand;
To be loved as to love.
For it is in giving that we receive;
It is in pardoning that we are pardoned;
And it is in dying that we are born to eternal life.
Amen.

Oração de São Francisco de Assis


Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar,
Que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.
Amém.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Credo Niceno-Constantinopolitano


Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra,
De todas as coisas visíveis e invisíveis.

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigênito de Deus,
Nascido do Pai antes de todos os séculos:

Deus de Deus, luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
Gerado não criado,
Consubstancial ao Pai.

Por Ele todas as coisas foram feitas.

E, por nós, homens, e para a nossa salvação,
Desceu dos céus:
E encarnou pelo Espírito Santo,
No seio da Virgem Maria,
E se fez homem.

Também por nós foi crucificado
Sob Pôncio Pilatos;
Padeceu e foi sepultado.

Ressuscitou ao terceiro dia,
Conforme as escrituras;
E subiu aos céus,
Onde está sentado à direita do Pai.

E de novo há de vir, em sua glória,
Para julgar os vivos e os mortos;
E o seu reino não terá fim.

Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
E procede do Pai;
E com o Pai e o Filho
É adorado e glorificado:
Ele que falou pelos profetas.

Creio na Igreja una, santa,
Católica e apostólica.

Professo um só batismo
Para remissão dos pecados.

Espero a ressurreição dos mortos;
E a vida do mundo que há de vir.

Amém.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Uso de Crucifixos Em Repartições Públicas


Dr. William Douglas, evangélico: ''Quando vejo o crucifixo com uma imagem de Jesus não me ofendo''. "Embora cristão, as doutrinas católicas diferem em muitos pontos do que eu creio, mas se foram católicos que começaram este país, me parece mais que razoável respeitar que a influência de sua fé esteja cristalizada no país." Este é um trecho do artigo do juiz titular da 4ª Vara Federal de Niterói (RJ), William Douglas, publicado nesta semana, no site Consultor Jurídico. O magistrado, que se denomina evangélico, critica a ação do Ministério Público Federal que pede a retirada de símbolos religiosos nos locais públicos federais de São Paulo.

"Querer extrair tais símbolos não só afronta o direito dos católicos conviverem com o legado histórico que concederam a todos, como também a história de meu próprio país e, portanto, também minha. Em certo sentido, querer sustentar que o Estado é laico para retirar os santos e Cristos crucificados não deixaria de ser uma modalidade de oportunismo".

Para o juiz William Douglas, muitos que são contrários à permanência dos símbolos religiosos em repartições públicas, na verdade professam uma nova religião, a "não religião". "Quando vejo o crucifixo com uma imagem de Jesus não me ofendo por (segundo minha linha religiosa) haver ali um ídolo, mas compreendo que em um país com maioria e história católica aquela imagem é natural".

"Eu, protestante e empedernidamente avesso às imagens esculpidas, as verei nas repartições públicas e saudarei aos católicos, que começaram tudo, à liberdade de culto e de religião, à formação histórica desse país e, mais que tudo, ao fato de viver num Estado laico, onde não sou obrigado a me curvar às imagens, mas jamais seria honesto (ou laico, ou cristão, ou jurídico) me incomodar com o fato de elas estarem ali".

Fonte:
www.cleofas.com.br

Consumo de Carne Vermelha na Semana Santa


"Atualmente a Igreja Católica evita as palavras obrigação e proibição. Ela apenas aconselha a abstinência de carne vermelha como gesto de conversão. O jejum é uma tradição que surgiu na Idade Antiga e se consolidou na Idade Média, época em que pessoas humildes raramente provavam carne. Na época, o povo vivia em terras alheias e a carne vermelha era consumida só em banquetes, nas cortes e nas residências dos nobres. Ela tornou-se, então, símbolo da gula, associado ao pecado. Dessa forma, a Igreja orientava os fiéis a comerem carne à vontade antes da quaresma - o que deu origem aos banquetes chamados "carnevale" e ao nosso carnaval - e depois se absterem de carne, durante os 40 dias que antecediam a Páscoa. O peixe não chegou a entrar na lista da abstinência porque sua presença era irrelevante nos banquetes medievais.

Com o passar dos séculos, a carne deixou de estar presente somente nos banquetes e perdeu seu caráter simbólico de pecado. A orientação atual é que os católicos que desejarem se abstenham na Quarta-Feira de Cinzas, nas sextas-feiras da Quaresma e na Sexta-Feira Santa. Pessoas enfermas, idosas e crianças são isentas dessa orientação."

Fonte: Irmã Maria Inês Carniato, da Editora Paulinas

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Demônio Pode Ler Nossos Pensamentos?

"A Igreja nos ensina que os demônios são anjos que foram criados bons, mas que se tornaram maus por própria culpa, por orgulho e soberba; eles não são oniscientes, nem onipresentes e nem onipotentes, mas têm poderes de anjos, puros espíritos. Eles podem influenciar a nossa imaginação com pensamentos maus; é a tentação. Eles não têm capacidade para ler os nossos pensamentos, mas são muito inteligentes e podem deduzir o que estamos pensando em face de nossas atitudes. Sobre eles o Catecismo nos diz o seguinte:

§395 – Contudo, o poder de Satanás não é infinito. Ele não passa de uma criatura, poderosa pelo fato de ser puro espírito, mas sempre uma criatura: não é capaz de impedir a edificação do Reino de Deus. Embora Satanás atue no mundo por ódio contra Deus e seu Reino em Jesus Cristo, e embora a sua ação cause graves danos – de natureza espiritual e, indiretamente, até de natureza física – para cada homem e para a sociedade, esta ação é permitida pela Divina Providência, que com vigor e doçura dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da atividade diabólica é um grande mistério, mas “nós sabemos que Deus coopera em tudo para o bem daqueles que o amam” (Rm 8,28).

§414 - Satanás ou o Diabo, bem como os demais demônios, são anjos decaídos por terem se recusado livremente a servir a Deus a seu desígnio. Sua opção contra Deus é definitiva. Eles tentam associar o homem à sua revolta contra Deus."

Fonte:
Professor Felipe Aquino
www.cleofas.com.br

domingo, 26 de julho de 2009

Documento "A Sentença de Cristo"


“No ano dezenove de TIBÉRIO CÉSAR, Imperador Romano de todo o mundo, monarca invencível na Olimpíada cento e vinte e um, e na Elíada vinte e quatro, da criação do mundo, segundo o número e cômputo dos Hebreus, quatro vezes mil cento e oitenta e sete, do progênio do Romano Império, no ano setenta e três, e na libertação do cativeiro de Babilônia, no ano mil duzentos e sete, sendo governador da Judéia QUINTO SÉRGIO, sob o regimento e governador da cidade de Jerusalém, Presidente Gratíssimo, PÔNCIO PILATOS; regente na baixa Galiléia, HERODES ANTIPAS; pontífice do sumo sacerdote, CAIFÁS; magnos do templo, ALIS ALMAEL, ROBAS ACASEL, FRANCHINO CEUTAURO; cônsules romanos da cidade de Jerusalém, QUINTO CORNÉLIO SUBLIME e SIXTO RUSTO, no mês de março e dia XXV do ano presente, EU, PÔNCIO PILATOS, aqui Presidente do Império Romano, dentro do Palácio e arqui-residência, julgo, condeno e sentencio à morte, Jesus, chamado pela plebe - CRISTO NAZARENO - e galileu de nação, homem sedicioso, contra a Lei Mosaica - contrário ao grande Imperador TIBÉRIO CÉSAR.
Determino e ordeno por esta, que se lhe dê morte na cruz, sendo pregado com cravos como todos os réus, porque congregando e ajustando homens, ricos e pobres, não tem cessado de promover tumultos por toda a Judéia, dizendo-se filho de DEUS e REI DE ISRAEL, ameaçando com a ruína de Jerusalém e do sacro Templo, negando o tributo a César, tendo ainda o atrevimento de entrar com ramos e em triunfo, com grande parte da plebe, dentro da cidade de Jerusalém.
Que seja ligado e açoitado, e que seja vestido de púrpura e coroado de alguns espinhos, com a própria cruz aos ombros para que sirva de exemplo a todos os malfeitores, e que, juntamente com ele, sejam conduzidos dois ladrões homicidas; saindo logo pela porta sagrada, hoje ANTONIANA, e que se conduza JESUS ao monte público da Justiça, chamado CALVÁRIO, onde crucificado e morto ficará seu corpo na cruz, como espetáculo para todos os malfeitores, e que sobre a cruz se ponha, em diversas línguas, este título:
JESUS NAZARENO, REX JUDEORUM.
Mando, também, que nenhuma pessoa de qualquer estado ou condição se atreva, temerariamente, a impedir a Justiça por mim mandada, administrada e executada com todo o rigor, segundo os Decretos e Leis Romanas, sob as penas de rebelião contra o Imperador Romano.
Testemunhas da nossa sentença:
Pelas doze tribos de Israel: RABAIM DANIEL; RABAIM JOAQUIM BANICAR; BANBASU; LARÉ PETUCULANI.
Pelos fariseus: BULLIENIEL; SIMEÃO; RANOL; BABBINE; MANDOANI; BANCURFOSSI. Pelos hebreus: MATUMBERTO.
Pelo Império Romano e pelo Presidente de Roma: LÚCIO SEXTILO E AMACIO CHILICIO.”

Cópia autêntica da Peça do Processo de Cristo, existente no Museu da Espanha, segundo a fonte consultada, ou seja, o “Livro Básico do Advogado” – de Manoel Fernandes Quadra, Editora Edijur, páginas 187-188 – Brasil.

NOTA DO EDITOR DO BLOG: A veracidade deste documento ainda não foi devidamente comprovada, sendo apenas que o mesmo tem circulado pela internet em diversos sítios. Portanto, é necessário cautela antes de considerar as informações nele contidas. Este texto deste suposto documento da sentença de Jesus Cristo encontra-se publicado neste blog somente para fins de curiosidade.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A Virtude da Fé


A virtude, palavra que deriva do vocábulo latino virtus e cujo significado está relacionado a força ou capacidade, é uma qualidade moral particular, isto é, inerente a cada pessoa em particular, a qual é uma disposição estável para praticar o bem. Muito além de uma simples disposição em fazer o bem, ela é uma inclinação para fazer o bem. Neste sentido, as virtudes são os hábitos que conduzem o homem a fazer o bem, quer seja individualmente ou em sociedade, levando em conta a espécie humana.

De acordo com as palavras do apóstolo Paulo, a fé é uma forma de já possuir aquilo que não se vê, mas que se espera e, portanto, já se tem a certeza de possuir. O ser humano está usando de toda a sua força e de toda a sua capacidade ao ter fé. Diante daquilo que ele não vê e que, portanto, em seu senso natural de observação, não pode comprovar, o homem deposita de todo coração a sua certeza em algo que ele não pode tocar nem ver. Ele acredita. E espera. Assim, ele possui. Possui primeiramente a certeza da existência para, então, possuir aquilo que espera.

Para ter fé, é preciso ter força. Muita força. Força de vontade para fortalecer o corpo e o espírito. É preciso ser capaz de. De quê? Em primeiro lugar, de acreditar no que não se vê. Em segundo lugar, de esperar o que não se vê. Com isso, brota a certeza de que aquilo que não se vê e que se espera existe. Simplesmente existe e nada pode desfazer essa certeza. Os olhos não veem, mas o coração sente. Ao sentir, vê; ao ver, acredita. Ao acreditar, espera. Ao esperar, sabe que existe e tem certeza disso. É a fé.

A vida de Jesus na terra foi marcada pela fé. Pela fé que ele depositava no ser humano e pela fé que ele esperava do ser humano. Quando as pessoas eram curadas de seus males físicos e espirituais, a palavra de Jesus era clara: “Vai em paz. A tua fé te salvou.” Que podemos concluir então? A fé é essencial para a cura e, sem crer, nada se faz. Aqui voltamos à questão da capacidade e da força já mencionadas. Ora, sem a capacidade, sem a força de vontade para ir até o Senhor, como acontecer a cura? Os evangelhos estão repletos de narrações sobre episódios em que a fé foi o foco central. Em várias ocasiões, Jesus elogia a fé daqueles que o buscam. Por outro lado, também censura duramente a falta de fé das pessoas. Ele afirma que se as pessoas tivessem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderiam transportar montanhas e atirá-las ao mar. Que exemplo magnífico nestas palavras do Senhor! Ora, um grão de mostarda é uma sementinha bem pequenina das quais cabem centenas e centenas na palma da mão. Uma montanha, como todos sabemos, é algo bem grande e que ninguém consegue mover de um lado para outro. O que dirá arrancar do chão, erguer aos ares e atirar ao mar! Se a fé, ainda que tão pequenina, é capaz de fazer algo tão maravilhoso e racionalmente impossível, o que dizer então de quanto se tem fé? Tão somente a fé?

Penso que, neste caso, ocorre uma verdadeira comunhão de amor com Deus, numa entrega total e absoluta à vontade do Senhor, em que a confiança e a amizade com o Criador se tornam infinitas e eternas. Então, a pessoa realiza-se em plenitude como ser humano, isto é, atinge o ideal de santidade para o qual desde o princípio Deus a criou. O ser humano foi criado para ser santo e puro, justo e misericordioso, cheio de amor e fidelidade. Assim Deus o criou porque Deus é santo e puro, é justo e misericordioso, é o amor e a fidelidade. E o ser humano é a imagem de Deus. Portanto, deve possuir estas características. Jesus, enquanto viveu na terra, tinha todas estas características e, dessa forma, demonstrou que é possível ao ser humano ser santo e puro, ser justo e misericordioso e, enfim, amar e ser fiel.

A fé é uma dádiva de Deus. O Senhor planta a fé no coração do ser humano e espera que ela produza frutos. Contudo, o Senhor dá ao mesmo coração em que a fé foi semeada a liberdade de escolha para cultivá-la e fazê-la produzir ou deixá-la murchar e morrer. Cabe ao ser humano cultivar a fé que Deus lhe deu e pedir ao Senhor que a aumente e a torne fecunda. Cabe ao ser humano reconhecer constantemente de todo o seu coração e de toda a sua alma a misericórdia e a glória de seu Deus e Senhor e, a cada instante, exclamar “Meu Senhor e meu Deus”.

Somente pela fé, nós homens pecadores, somos capazes de reconhecer nossa condição de seres retirados do pó e olharmos em direção ao Senhor pedindo sua misericórdia e seu perdão para nossos pecados. Nós somos fracos e por nós mesmos nada podemos. Nada somos. Entretanto, a fé em Deus é capaz de nos guiar pelos vales tenebrosos da miséria humana e nos conduzir ao coração do Senhor. No Senhor, então, encontraremos repouso para nossas fadigas e consolo para nossas lágrimas.

Ao homem basta tão somente crer em Deus e amá-lo acima de tudo e de todos. Ao amar a Deus, o homem naturalmente vai amar o seu semelhante como a si mesmo. Assim, a violência, a morte e a dor causadas deliberadamente ao próximo perderão sua força e cessarão. É tão simples! Basta somente amar a Deus! Basta somente ter fé em Deus! E vivenciar a fé em todos os lugares e em todos os momentos trazendo no coração as palavras do apóstolo as quais afirmam que “a fé sem obras é morta”.

Neste sentido, vale lembrar que quem ama a Deus e ao seu próximo verdadeiramente, em toda a sua vida, as obras e a fé sempre estarão intimamente ligadas e uma não existirá sem a outra. Portanto, basta tão somente amar a Deus, pois quem ama a Deus tem fé e pratica obras que confirmam a sua fé e contribuem para um mundo em que reina a justiça e a paz do Senhor.

Nilson Antônio da Silva

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Salve Regina


Salve Regina, Mater misericordiæ;
Vita dulcedo, et spes nostra, salve.
Ad te Clamamus exsules fílii Evæ;
Ad te Suspiramus, gementes et flentes in hac lacrimarum valle.
Eia ergo, Advocata nostra,
Illos tuos misericordes oculos ad nos converte:
Et Iesum, benedictum fructum ventris tui,
Nobis post hoc exsilium ostende.
O clemens, o pia, o dulcis Virgo Maria.
Ora pro nobis, Sancta Dei Genetrix.
Ut digni efficiamur promissionibus Christi.

Hail Holy Queen


Hail Holy Queen, Mother of Mercy, our Life, our Sweetness, and our hope.
To thee we cry, poor banished children of Eve.
To thee we send up our sighs, mourning and weeping in this valley of tears.
Turn then most gracious advocate,
Thine eyes of mercy toward us, and after this, our exile, show unto us, the blessed fruit of thy womb, Jesus.
O clement, O loving, O sweet Virgin Mary.
Pray for us O Holy Mother of God,
That we may be worthy of the promises of Christ.

Salve


Dios te salve, Reina y Madre de misericordia, vida, dulzura y esperanza nuestra, Dios te salve. A ti clamamos los desterrados hijos de Eva. A ti suspiramos gimiendo y llorando en este valle de lágrimas. Ea, pues, Señora, abogada nuestra: vuelve a nosotros esos tus ojos misericordiosos. Y después de este destierro, muéstranos a Jesús, fruto bendito de tu vientre. Oh clemente, oh piadosa, oh dulce Virgen María. Ruega por nosotros, Santa Madre de Dios, para que seamos dignos de las promesas de Cristo.

Salve Rainha


Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve!
A vós bradamos os degredados filhos de Eva.
A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro nos mostrai Jesus, bendito fruto do vosso ventre.
Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.
Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A Humanidade


A história da humanidade tem sido uma luta constante marcada por destruição, mortes, violência, dor e lágrimas. Ao longo dos últimos milênios, desde que os primeiros humanos propriamente ditos deixaram as terras africanas e se espalharam pelo mundo inteiro, tudo que os homens fizeram sobre a terra foi conquistar, matar, aniquilar e destruir.

Guerras por novas terras, disputas territoriais, conquistas de cidades e, enquanto isso acontece, assassinato de quem é encontrado pelo caminho. Simplesmente por estar no caminho! Antes, geralmente, ocorrem estupros e abusos de toda espécie, tanto de mulheres como de crianças e adolescentes. Perde-se a noção de limites e a consciência de respeito pelo semelhante. Tudo e todos são envolvidos numa selvageria sem precedentes.

Em todos os tempos, em todos os lugares, passando pela história de todas as culturas, sempre a guerra foi um manto negro de terror cobrindo os seres humanos. Mesmo sabendo disso, os seres humanos ainda persistem, e insistem, em entrar em guerras o tempo todo e em todo o mundo. Ásia, África, Europa, América... em que lugar do planeta não houve guerras? Talvez na Antártida e na Groenlândia, quem sabe no pólo norte... ao menos por enquanto.

E os motivos para tantas guerras? À luz da razão, realmente têm sentido? São justificáveis? Ora, as guerras normalmente são causadas pela cobiça de mais terras, pela ganância em ter mais recursos minerais, por controlar as reservas de petróleo; algumas vezes, advêm de invasões por povos famintos. Neste último caso, entretanto, o que ocorre é um verdadeiro massacre dos povos famintos. Então, não se pode afirmar que seja uma guerra.

Guerras e batalhas são bonitas em filmes. Muito mais ainda quando são batalhas entre os seres humanos e seres não-humanos. Orcs e cavaleiros negros travando batalhas com humanos e elfos, por exemplo, é algo realmente empolgante. Ou então, seres extraterrestres lutando contra os humanos em naves espaciais também produz um efeito magnífico. E como não lembrar do Leão surgindo nos momentos finais da batalha e dando a vitória aos humanos e aos seus aliados? No mundo da fantasia, as guerras são empolgantes, as batalhas são bonitas, os mortos são heróis, os feridos são curados, o bem triunfa sobre o mal. Mas, no mundo real, não têm nada de belas e não é possível dizer quem é do lado do bem e quem é do lado do mal. São todos seres humanos, iguais em dignidade e natureza, seres inteligentes e possuidores do livre arbítrio. Se são todos iguais, como podem uns serem absolutamente maus e outros absolutamente bons? São humanos, antes de tudo!

Os seres humanos não conseguem se entender e, portanto, não conseguem conviver. Ora, quem não consegue conviver obviamente não consegue viver. Desta forma, a vida vai sendo destruída dia após dia, ano após ano, século após século, milênios após milênios. Em cerca de cinqüenta mil anos de história dos humanos propriamente modernos, isto é, homens e mulheres como nós que hoje vivemos, somente conflitos entre uma tribo e outra, entre uma nação e outra. Assim como há milhares de anos atrás um bando corria perseguindo outro com paus e lanças, hoje continua do mesmo jeito, ou seja, uma nação perseguindo a outra com armas, aviões e sanções econômicas. Mudou alguma coisa? Nada! O que mudou foram os materiais em si, mas o sentido de perseguição e destruição permaneceu o mesmo. O que é mais grave é constatar a absoluta ausência de compreensão e de solidariedade entre os seres da mesma espécie, da espécie humana.

Desde o princípio, Deus fez os seres humanos para viver em absoluta comunhão de amor e vida. Desde o início do tempo e do espaço, o Senhor vem preparando o universo para que os seres humanos nele habitem em harmonia e concórdia. Galáxias, estrelas, superaglomerados, planetas, continentes, a água... tudo isto existe, pois assim o parece, em função de propiciar um lugar no tempo e no espaço para o ser humano existir e, existindo, viver e conviver.

Será assim tão difícil compreender a infinita grandeza e bondade de Deus refletida e revelada em sua obra? Será assim tão impossível ao ser humano compreender que tudo que o Senhor quer de seus filhos é que estes vivam e convivam em paz para que sejam felizes a começar aqui mesmo na terra?

Jesus falou muito sobre a paz e o quanto é importante viver em paz com o mundo e com os semelhantes. Aos que promovem a paz, Jesus os chamou de bem-aventurados. Ser bem-aventurado é, em seu significado mais simples, ser feliz. Somente isso! Ser feliz.

Nilson Antônio da Silva

domingo, 28 de junho de 2009

A Beleza do Mundo


O mundo é belo porque é obra da vontade de Deus. As leis naturais, sobre as quais se mantém a criação inteira, são perfeitas porque foram criadas pelo Senhor. O universo inteiro, ou seja, cada galáxia com seus bilhões de estrelas e planetas, a Terra com suas montanhas, oceanos e milhões de seres vivos, tudo isto Deus criou. Da menor plantinha à árvore com dezenas de metros, do menor inseto à baleia imensa, do menor beija-flor à águia que voa entre as nuvens... enfim, tudo é criação de Deus.

Desde o início dos tempos, há bilhões de anos atrás, a natureza inteira vem se formando conforme a vontade do Senhor. Deus tirou do nada tudo o que existe e, de tudo o que existe, só existe porque é mantido pela vontade de Deus. Sem Deus, tudo volta ao nada de onde foi tirado.

As madrugadas frias, quando o sol vai lentamente tocando os cumes das montanhas e, pouco a pouco, vai alcançando as pradarias, refletem a beleza de Deus. A chuva que cai mansamente em dias de verão e também as tempestades de fim de estação refletem a beleza e a grandeza de Deus. A brisa suave que brinca com as pequenas plantas e também os vendavais que sacodem as árvores refletem a beleza, a grandeza e a perfeição de Deus. Ora, Deus é perfeito. Portanto, a natureza inteira, que é sua criação, é perfeita.

Nós, seres humanos, somos parte da natureza que Deus criou. Não estamos acima da criação para que possamos nos dar o direito de destruí-la. Quando destruímos a criação de Deus, estamos destruindo algo do qual somos parte e, mais ainda, estamos destruindo algo que não nos pertence. Deus permitiu que usássemos a criação em nossa vida, mas não que a destruíssemos.

Um dos grandes enganos do ser humano é pensar que tudo na natureza é eterno. Ora, na natureza nada é eterno. Nem mesmo durável, se visto em padrões de tempo mais longos. A duração de uma vida humana é extremamente breve, a duração da vida da grande maioria dos seres vivos é muito curta. Quantos seres vivos vivem mais que duzentos anos? Algumas árvores, raros animais. Quantos vivem mais que cem anos? Algumas poucas pessoas, outras poucas árvores e ainda poucos animais.

Nem mesmo as montanhas são eternas. Nem mesmo os mares são eternos. Quantas cordilheiras já nasceram, se acabaram e surgiram outras em lugares distantes. Quantos mares já secaram e outros se formaram em lugares diferentes. Os continentes não são eternos, os oceanos não são eternos. Os rios, por maiores que sejam, não são eternos. As florestas, por mais densas que sejam, duram poucos milhares de anos.

Os planetas não são eternos, as estrelas não são eternas. A Terra um dia será engolida pelo Sol, que também morrerá. As galáxias não são eternas e também morrerão. Até mesmo o Universo morrerá. E o que restará? Somente um vazio, talvez um rastro do que existiu durante um certo tempo que, comparado à eternidade, torna-se insignificante.

Então, o que é eterno? O tempo? Mas o tempo também foi tirado do nada e se acabará. Quem é eterno? Somente Deus é eterno. Somente Deus pode dar ao homem a vida eterna. Portanto, respeitemos a obra que Deus criou - o universo inteiro - e amemos ao Criador que pode nos dar a vida eterna. Sem Deus, voltamos ao nada do qual fomos tirados. Sem Deus, somos somente pó que é levado pelo vento do tempo sem deixar nenhum sinal de sua passagem pela terra.

Nilson Antônio da Silva

terça-feira, 23 de junho de 2009

Jesus e os Amigos


Deus dá um valor infinito à amizade. Deus sempre se fez amigo do homem da maneira perfeita, isto é, vivendo e fecundando a amizade pura que se realiza através da incondicionalidade. Amizade incondicional é aquela que se faz e que se vive simplesmente por puro amor, sem nada exigir em troca, mas tão somente vivendo para o outro de forma total. Palavras difíceis estas, não?

O ser humano, geralmente, busca antes a si mesmo, ou seja, o que conta em primeiro lugar é satisfazer as suas próprias vontades. Então, como se entregar incondicionalmente a uma amizade? Mas, se entregar-se, como não querer nada em troca?

Muitas vezes, os desentendimentos entre amigos, entre familiares, entre namorados e esposos, veem justamente de não se conseguir viver plenamente a amizade. As pessoas não compreendem o que é a amizade e, portanto, não a cultivam. O Padre Zezinho já cantava que “amor que é amor nunca morre...” Mais adiante, continua dizendo que o mesmo amor é como um jardim, cujas roseiras se não cultivadas, murcham e secam. Assim, cultivar a amizade e fazer com que floresça viçosa durante o tempo todo, é uma atitude saudável para a vida.

Talvez me perguntarás, caro leitor, com o que cultivar a amizade... que tal começar com um pouco de compreensão. Compreender as fraquezas, limitações e naturais falhas dos amigos é, sem dúvida alguma, o primeiro e mais importante passo. Todos nós somos iguais e, portanto, não podemos esperar que nossos amigos sejam de aço e que não tenham momentos de fraqueza como nós temos. Eles são iguais a nós e nós somos iguais a eles porque somos humanos.

Em seguida, muito ajuda a fazer florescer uma amizade um bocadinho de doação. Doação de si mesmo. Doação do tempo seu para os amigos. Doação de um pedaço de sua vida, de sua alma, para os amigos. Esta é a parte mais fácil de fazer, não é? Abrir mão de seus afazeres, às vezes somente para cultivar as amizades... todo mundo consegue fazer isso o tempo todo!

Finalmente, amar os amigos como Jesus amou os seus amigos. Como o Senhor amou os seus amigos? Ele os compreendeu plenamente, ele os aceitou plenamente do jeito como eram, ele não exigiu nada em troca de sua amizade senão amor. E, por fim, entregou a própria vida por eles, por cada um deles e também por cada um de nós. Claro, Jesus também teve amigos que não o compreenderam e nem aceitaram a sua amizade gratuita e, mesmo assim, ele acolheu a todos. E continua acolhendo a todos, em todos os tempos e em todos os lugares!

Jesus é o modelo da amizade perfeita, pura, gratuita, desinteressada, cuja única expectativa é o amor. O amor incondicional, que é por natureza gratuito, é o único e mais salutar adubo para fecundar e fazer florescer a amizade entre as pessoas.

Nilson Antônio da Silva

domingo, 21 de junho de 2009

Ouvir as Palavras do Senhor


Jesus gostava muito de ouvir as pessoas, de ouvir seus amigos, de ouvir o que o outro tinha para falar. Ele conhecia o que se passava no coração de cada um mas, mesmo assim, gostava de ouvir o que desejavam dizer.

Deus é assim mesmo; sabe tudo que se passa conosco e, ainda assim, gosta de nos ouvir falando com ele. Nossa voz chega aos ouvidos do Senhor e é de seu agrado nos escutar. Por outro lado, de nossa parte também é preciso que saibamos escutar o que o Senhor nos diz. E ele diz tantas coisas, tantas palavras de afeto e de ternura, tantas palavras de consolo e de paz.

Deus sempre se comunicou com o homem através de palavras. Desde o princípio, durante toda a história humana, em nossos dias... até o fim dos tempos. A criação inteira originou-se da palavra criadora de Deus – Fiat lux! O evangelista João nos lembra que “a palavra se fez carne e habitou entre nós”! Portanto, Deus gosta de falar, de conversar e de escutar. É um diálogo constante entre ele e o ser humano.

Por ser um diálogo, de ambos os lados há um emissor que é também um receptor da fala. Quando Deus fala, o homem deve escutar pois, quando o homem fala, o Senhor escuta. E mais ainda: o Senhor acolhe, compreende e atende! Quanto a nós, podemos afirmar o mesmo? Realmente acolhemos a palavra de Deus? Conseguimos compreender o que o Senhor nos diz? E, o mais importante, atendemos com prontidão de alma e coração o que o Senhor nos pede?

Nossos ouvidos, na maioria das vezes, estão ocupados em ouvir tantos sons e ruídos que nos rodeiam, que se esquecem de se voltar para a palavra que vem de Deus. São as músicas das rádios e discos, o barulho ensurdecedor de automóveis e ferramentas, o monólogo das tevês, enfim, são tantas coisas a dispersarem e distraírem nosso pensamento. Desta forma, nossa mente se enche de notícias, conversas triviais, sons, letras de músicas da moda e tantas outras preocupações que não deixamos espaço em nosso tempo para escutar o Senhor falar conosco.

E o tempo vai passando... os dias vão se sucedendo... e nosso coração vai ficando vazio. Então, surgem aqueles questionamentos sobre a vida, sobre o sofrimento, sobre as dores e tristezas do dia-a-dia, para os quais não há resposta. Será mesmo que não há resposta? Respostas existem sim, pois Deus sempre as responde. O que ocorre, entretanto, é que nunca há tempo para ouvir o Senhor falar! Ora, não podemos encontrar respostas para nossos questionamentos sozinhos. Isso está mais do que provado e comprovado! E quem se arrisca a achar respostas por si só, termina num beco sem saída.

No momento em que paramos um pouco e voltamos nossos ouvidos para escutar o que o Senhor fala, então as respostas veem naturalmente e, na maioria das vezes, nem sequer é preciso questionar nada pois o “Espírito sabe o que precisamos”.

Nilson Antônio da Silva

domingo, 14 de junho de 2009

"The Name Of The Holy Trinity Is Engraved In The Universe"


... "Three Persons Who are one God, because the Father is love, the Son is love and the Spirit is love. God is entirely and only love, pure love, infinite and eternal. He does not live in splendid solitude, rather He is the never-ending source of life Who incessantly gives and communicates Himself. We may get some idea of this by observing both the macro universe (our earth, the planets, the stars and galaxies) and the micro universe (cells, atoms, elementary particles). In a certain way the 'name' of the Holy Trinity is engraved on everything that exists, because all being, down to the smallest particle, exists in relation to others. Thus we see the "God of relation", thus in the final instance we see creative Love. Everything comes from love, tends towards love and moves impelled by love, though naturally with differing degrees of awareness and freedom.

The strongest proof that we are made in the image and likeness of the Trinity is this: only love can make us happy, because we live in relation to others, we live to love and to be loved. Using an analogy taken from biology we could say that the human beings carry in their 'genomes' the profound traces of the Trinity, of God-Love".

Fragment of the meditation of Pope Benedict from Holy Trinity Sunday on June 7th, 2009.

domingo, 7 de junho de 2009

Pai Nosso Em Aramaico


“Abvum d'bashmaia [aabvuuum dibashmaaia]
Netcádash shimóch [netcaadash morr]
Tetê malcutách [teiteee maalcutarrr]
Nehuê tcevianách aicana [nerrueee tviaanar aicana]
d'bashimáia af b'arha [dibashmaaaia af b aarr aaa]
Hôvlan lácma d'suncanán / Iaomána [rovlaan larrmaa dessuuncanan’iaomaaana]
Uashbocan háubein uahtehin [uashboclaan raubeein uarrtarraeein]
Aicána dáf quinan shbuocán / L'haiabéin [aicaaana darr’kanaan shuarranoo raiiaabein]

Uêla tahlan l'nesiúna. [ueeila tarrlaan lenesiuna]
Êla patssan min bíxa [eiilaa patssaan minn bixa]
Metúl dilahie malcutá [metuul dilaarre maallcutarr]
Uaháila / Uateshbúcta [uarraeila uateshbuurrta]
láhlám. ALMÍN.” [lag’laan almíínn]
[aamém]

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Prayer for the Seven Gifts of the Holy Spirit


Christ Jesus, before ascending into heaven,
You promised to send the
Holy Spirit to Your apostles and disciples.
Grant that the same Spirit may perfect in our lives
the work of Your grace and love.
Grant us the Spirit of Fear Of The Lord that we may be
filled with a loving reverence toward You.
the Spirit of Piety that we may find peace and fulfillment
in the service of God while serving others;
the Spirit of Fortitude that we may bear our cross with You
and, with courage, overcome the obstacles
that interfere with our salvation;
the Spirit of Knowledge that we may know You and know
ourselves and grow in holiness;
the Spirit of Understanding to enlighten our minds with
the light of Your truth;
the Spirit of Counsel that we may choose the surest way
of doing Your will, seeking first the Kingdom;
Grant us the Spirit of Wisdom that we may aspire to the
things that last forever;
Teach us to be Your faithful disciples and animate us in
every way with Your Spirit.
Amen.


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Credo


Credo in Deum, Patrem omnipotentem, Creatorem caeli et terrae. Et in Jesum Christum, Filium eius unicum, Dominum nostrum: qui conceptus est de Spiritu Sancto, natus ex Maria Virgine, passus sub Pontio Pilato, crucifixus, mortuus, et sepultus: descendit ad infernos; tertia die resurrexit a mortuis; ascendit ad caelos; sedet ad dexteram Dei Patris omnipotentis: inde venturus est judicare vivos et mortuos. Credo in Spiritum Sanctum, sanctam Ecclesiam Catholicam, Sanctorum communionem, remissionem peccatorum carnis resurrectionem, vitam aeternam. Amen.

The Apostles's Creed


I believe in God, the Father Almighty, Creator of heaven and earth. I believe in Jesus Christ, his only Son, our Lord. He was conceived by the power of the Holy Spirit and born of the Virgin Mary. He suffered under Pontius Pilate, was crucified, died, and was buried. He descended to the dead. On the third day he rose again. He ascended into Heaven, and is seated at the right hand of the Father. He will come again to judge the living and the dead. I believe in the Holy Spirit, the holy Catholic Church, the communion of saints, the forgiveness of sins, the resurrection of the body, and life everlasting. Amen.

Credo


Creo en Dios Padre Todopoderoso. Creador del Cielo y la Tierra, y en Jesucristo, nuestro Señor. Lo que fue concebido por el poder del Espíritu Santo, nació de la Virgen María, sufrió bajo Poncio Pilato. Se cruscificado, muerto y sepultado, descendió a la mansión de los muertos, rescussitou el tercer día, subió a los cielos y está sentado a la diestra de Dios Padre, Todopoderoso, que es el de juzgar a los vivos ya los muertos. Creo en el Espíritu Santo, la Santa Iglesia Católica, la comunión de los santos, el perdón de los pecados, la resurrección de la carne, la vida eterna. Amen.

Credo


Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra; e em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor; que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu na Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado morto e sepultado; desceu aos infernos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos; creio no Espírito Santo, na santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

31 - Isaías - 2ª Parte


O chamado Segundo Isaías, formado pelos capítulos 40 a 55 do Livro de Isaías, foram escritos por um profeta anônimo na época do exílio na Babilônia. A mensagem central é a esperança e a consolação. Portanto, trata-se de um profeta que viveu no século VI a.C.

Enquanto permaneciam na Babilônia, os judeus ansiavam por retornar à sua terra. Para o profeta, o fim do exílio é visto como um novo Êxodo, sendo que, assim como foi no primeiro, é Javé quem será o condutor dessa nova libertação. Ao Povo de Deus convertido, mas oprimido, o profeta chama de “Servo de Javé”. Alguns séculos mais tarde, este título será atribuído a Jesus, o justo que morreu por nossos pecados.

Em meados do século VI a.C., o rei persa Ciro começou a dominar a Ásia Menor. Em 539 a.C., ele conquistou a Babilônia. Após essa conquista, ele permitiu que os exilados que lá estavam retornassem às suas terras e readquirissem sua identidade cultural e religiosa. Para o profeta, Ciro torna-se um instrumento de Javé para a libertação do povo oprimido. Ao mesmo tempo em que proclama a libertação dos hebreus, o profeta profere a sentença de Deus sobre a grande potência que era a Babilônia e afirma que ela será destruída.

Ao ler estes capítulos do Segundo Isaías, especialmente os textos que falam do Servo de Javé, é impossível não nos voltarmos para a contemplação de Jesus e a meditação sobre sua paixão, morte e ressurreição. Os quatro cânticos do Servo de Javé são como uma descrição exata dos últimos momentos da vida de Jesus em Jerusalém.

Assim como explicou as escrituras para os discípulos que seguiam para Emaús, que o Senhor, em sua misericórdia, abra nossa coração para compreender a sua palavra de vida e santidade!

Nilson Antônio da Silva

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Pater Noster


Pater noster,
Qui es in caelis, sanctificetur nomem tuum.
Adveniat regnum tuum.
Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra.
Panen nostrum quotidianum da nobis hodie.
Et dimitte nobis debita nostra, sicut et
nos dimittimus debitoribus nostri.
Et ne nos inducas in tentationem: sed libera nos a malo.
Amen.

Our Father


Our Father, who art in Heaven, hallowed be thy name;
Thy kingdom come, thy will be done on Earth as it is in Heaven.
Give us this day our daily bread, and forgive our trespasses
As we forgive those who trespass against us;
And lead us not into temptation, but deliver us from evil.
Amen.

Padre Nuestro


Padre nuestro que estás en los cielos, santificado sea tu Nombre.
Venga a nosotros tu reino, hágase tu voluntad así en la tierra como en el cielo.
Nuestro pan de cada día, dánosle hoy
Y perdónanos nuestras deudas así como nosotros perdonamos a nuestros deudores.
Y no nos dejes caer en la tentación mas líbranos del mal.
Amen.

Pai Nosso


Pai Nosso que estais no céu,
Santificado seja o vosso nome,
Vem a nós o vosso reino,
Seja feita a vossa vontade
Assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos daí hoje,
Perdoai-nos as nossas ofensas,
Assim como nós perdoamos
A quem nos tem ofendido,
Não nos deixei cair em tentação
Mas livrai-nos do mal.
Amém.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Dá Pra Abortar?


Sabe quando você acredita em um determinado valor? Pode ser uma coisa boba, mas se você acredita você vai defender. É algo assim meio que... briga entre cruzeirense e atleticano, católico e protestante, “ptistas” e tucanos, etc. Cada um tem seu ponto de vista, e o seu ponto de vista muitas vezes é pimenta nas vistas do outro, e por isso, não se entendem. Cada um quer estabelecer o seu modo de pensar. Entendeu?

Pois bem, eu sou contra o aborto. Não adianta vir com a história de que a mulher tem a liberdade de escolher porque o corpo é seu. Quando ela aborta, ela invade um corpo que já não é mais dela, está dentro dela, mas, não é exatamente sua propriedade. Também não engulo aquela história de que se for para a criança sofrer, é melhor abortar. Eu nasci em uma casa cheia de goteiras, um pai alcoólatra, uma mãe cozinheira e sete irmãos. Segundo a lei do “antes morrer do que sofrer” eu deveria ter sido abortado, mas, graças à Deus, minha mãe não era feminista nem tinha um pensamento universitário, era analfabeta mesmo. Ufa! Isso salvou minha pele. Se minha mãe fosse uma patricinha... se meu pai fosse um mauricinho...

Como aquele que, certo dia entrou na farmácia. Estava meio que sem jeito andava pra lá e pra cá, mexia nos cremes, depois nos xaropes para gripe, lia uma bula de lacto purga. Estava nervoso, olhava atentamente para os funcionários. No total, eram dezenove. Parecia que ele queria escolher alguém, não poderia ser qualquer um, deveria ser alguém que o entendesse. Por eu ser o mais jovem entre a turma ele acabou me escolhendo. Sou mais velho que ele, mas até que éramos parecidos: jovens, cheios de paixões, barba rala na cara, bigode ralo sobre os lábios, espinhas na testa e cabelo com gel. É... se eu fosse ele teria me procurado também. O que ele não sabia era da minha antipatia preconceituosa em relação aos abortista. Eles deveriam ter sido abortados.

O camarada se aproxima e diz: - Aí irmão, tô com um problemão, minha namorada tá grávida. Tem aí alguma coisa pr’eu dar pra ela, pra poder abortar? – Eu gelei todo. E ele continou: - Ser pai com dezesseis anos é foda! – Me deu vontade de dizer a ele que foda era o que fez a namoradinha dele engravidar. Segundo, em vez de procurar abortar, ele bem que poderia ter trago um currículum para entregar na loja, quem sabe ele não arranjava um emprego para sustentar o filho. Deu-me uma vontade de sentar à bordoada. Mas, respeitando o estatuto de boas condutas e posturas aos clientes eu o perguntei: - Você tem certeza que ela está grávida? – Ele respondeu: - Ela não mestrua há quatro dias. – Daí eu não ia fazer discurso nem pagar pau pro cara ali, no meio da farmácia lotada de gente. Consegui fazer com ele comprasse um daqueles testes de urina e disse para ele segurar a onda porque aborto é crime no Brasil, e talvez ele estivesse esquentando a cabeça à toa. Era melhor confirmar se a garota estava mesmo prenha. Fiquei torcendo para que não estivesse, porque se não, quem ia pagar o pato ia ser a pobre criancinha.

Eu fico pensando: quantas crianças irão ser assassinadas no ventre da mãe, só para um “playboy poder tirar uma com a sua mina”. Quem foi homem para fazer, tem que ser macho para assumir. Eu entendo o nervosismo e imaturidade do garoto. Aposto que ele devia estar com medo do seu pai, do pai da garota, da responsabilidade. Só que não dá para aliviar por causa disso. A vida humana tem que ser superior. Acredito na gana que o ser humano tem para viver, acredito na divindade do homem, pois ele é parte de Deus. Por isso eu acredito na vida, eu acredito no viver e no deixar viver.

Bruno Rodrigo Pinheiro Ramos

Quero Viver Conforme A Tua Vontade


Senhor, quisera eu viver em santidade!
Viver conforme tua palavra em todos os momentos de minha vida!
Viver buscando a santidade e a pureza!
Viver caminhando sem parar em teu caminho!
Viver crendo em tua verdade, pois somente tu és a Verdade!
Viver bebendo da fonte da Vida Eterna que somente tu és!

Senhor, quisera eu ter forças para nunca desanimar em minha caminhada rumo à tua casa!
Ter forças para fugir do pecado que destrói minha alma e minha vida e, por fim, afasta-me de ti.
Ter forças para seguir sempre em direção à porta estreita que se abre para a tua casa.
Ter forças para enfrentar o mundo em testemunho de teu nome.
Ter forças para abandonar-me a mim mesmo e entregar-me por inteiro a ti para fazer a tua vontade.

Senhor, eu sei que tu és o único e verdadeiro Deus e sei que és o meu Senhor e o meu Deus! Só existo porque tu me fizeste existir e minha vida só tem sentido porque tu das a ela o sentido de existência. Sem ti, Senhor, o que sou eu? Sou nada... nada...

Senhor, quero que meu coração se incendeie de amor por ti e que o teu amor arda em minha alma dia e noite! Eu quero viver conforme a tua vontade e quero fazer a tua vontade! Ainda que eu, muitas vezes, não compreenda, eu quero fazer a tua vontade.

Nilson Antônio da Silva

terça-feira, 28 de abril de 2009

30 - Isaías - 1ª Parte


O Livro de Isaías contém 66 capítulos e foi escrito por três profetas diferentes em épocas diferentes. Os capítulos 1 a 39 formam a primeira parte do livro e foi esta a parte escrita pelo profeta Isaías. A segunda parte do livro é formada pelos capítulos 40 a 55 e foi escrita por um profeta anônimo. A terceira e última parte formada pelos capítulos 56 a 66 é atribuída a um terceiro Isaías e é constituída por uma coletânea de oráculos anônimos.
O profeta Isaías, cujo nome significa “Javé Salva”, viveu em Jerusalém no século VIII a.C., na época dos reis Joatão, Acaz e Ezequias. Ele é considerado como o maior dos profetas da Bíblia, especialmente porque é o que mais fala a respeito do Messias. Isaías, que exerceu seu ministério profético entre 740 a.C. e 681 a.C., era filho de Amós. Seu nascimento é calculado como tendo sido entre 765 a.C., e 760 a.C. Foi casado e teve dois filhos. Durante um tempo, esteve preso no calabouço do palácio. Algumas tradições rabínicas acreditam que ele fosse de uma família de sacerdotes; outras, afirmam que ele fazia parte da realeza. Contudo, não há registro algum sobre suas origens. E nem ainda a respeito de sua morte. Mais uma vez, algumas tradições rabínicas afirmam que ele teria sido martirizado. O livro que leva seu nome é o que possui o maior texto dos livros proféticos. Entretanto, somente os 39 primeiros capítulos são considerados realmente escritos por Isaías. Os demais capítulos foram escritos por dois outros profetas anônimos em épocas posteriores, como será tratado mais adiante.

O Primeiro Isaías tem por tema central a “Santidade de Deus”, mostrando que somente Deus é absoluto.

Em meados do século VIII a.C., a região que compreende o Oriente Médio passava por grandes mudanças políticas internacionais e, nesse contexto, Isaías condena a aliança com as grandes potências e mostra que a nação hebraica somente será salva ao permanecer fiel a Deus. Ora, a Assíria readquirira grande poder e seu rei, Teglat-Falasar III, começou a perturbar a tranqüilidade de todos os países da região. Entretanto, o reino de Judá vivia um período de grande prosperidade tanto econômica quanto política. Porém, essa prosperidade estava baseada na exploração das camadas sociais mais baixas e as injustiças e corrupção eram freqüentes. No final do reinado de Joatão, por volta de 735 a.C., a Assíria começou a pressionar os reinos de Israel e Judá para se tornarem seus vassalos. Nesse contexto, situam-se os oráculos de Isaías dos capítulos 1 a 5, excetuando-se daí alguns oráculos inseridos posteriormente por redatores.

Durante o reinado de Acaz, sucessor de Joatão, Isaías retoma suas atividades proféticas. Ainda no reinado de Joatão, houvera a guerra siro-efraimita, isto é, uma coalizão entre os reinos de Israel e Aram, os quais se uniram para enfrentar o avanço dos assírios. Joatão foi convidado para participar dessa coalizão, mas preferiu se manter neutro. Após a morte de Joatão, Acaz subiu ao trono e também foi pressionado a se aliar à coalizão. Tendo sido ameaçado de perder o trono, ele ficou numa difícil situação entre apoiar os dois reinos ou então pedir proteção à Assíria contra ambos. Nesse contexto Isaías exerce seu ministério, cujos oráculos encontram-se fragmentados nos capítulos 7 a 9 e também no capítulo 17.

Quando Acaz morreu, o seu herdeiro e sucessor no trono tinha apenas cinco anos. Seu nome era Ezequias. Até que o pequeno rei atingisse a maioridade, o governo foi exercido por um regente. Nesse ínterim, Teglat-Falasar III também morreu, sendo sucedido por Salmanasar V, e a coalizão dos reinos de Israel e Aram foi destruída pelos assírios, os quais se põem a conquistar as terras palestinas. Os oráculos dessa época estão espalhados pelos capítulos 14, 18, 20, 28 e 30.

Em 714 a.C., ao completar 18 anos de idade, Ezequias começou a reinar efetivamente. Até essa época, o reino de Judá se mantinha como tributário da Assíria. Devido a pressões populares, Ezequias se arriscou a fazer um ampla reforma política e religiosa, ainda que indo contra os interesses assírios. O Egito e a Babilônia, interessados em estender sua influência, ofereceram auxílio para essa reforma. Em represália, a Assíria ameaçou invadir Judá. E o rei Ezequias teve que continuar pagando tributo até 705 a.C., quando, mais uma vez, ele tentou escapar do domínio assírio. Dessa vez, o então imperador assírio Senaquerib foi mais rigoroso e invadiu o reino de Judá. Ele conquistou diversas cidades e chegou a cercar Jerusalém. Decido a um acontecimento extraordinário, o exército assírio se retirou e não invadiu a capital. A ajuda esperada dos egípcios nunca chegou a Jerusalém. Os oráculos dessa época difícil encontram espalhados em versículos dos capítulos 1, 10, 14, 28, 30, 31 e 32 e também fazem parte integralmente dos oráculos os capítulos 29 e 33.

A mensagem de Isaías é bem clara, pois ele afirma que Deus não obriga ninguém; o Senhor apenas convida o homem se decidir entre a conversão e a vida ou a teimosia e a morte. Para Isaías, o que Deus quer é um culto puro e santo, e não um culto realizado por uma sociedade baseada na injustiça e na exploração dos mais fracos. Do que adianta um culto bonito dentro do templo se a sociedade está mergulhada em corrupção, ambição e ganância? Ora, é justamente essa situação de pecado que tem como conseqüência a invasão do país pelos assírios. Deus julga a sociedade e faz justiça aos oprimidos. E somente um “resto” se salva.

Isaías condenou tão veementemente as alianças com as potências estrangeiras porque via nisso um abandono do plano de Deus para o povo hebreu. Ora, Deus queria que seu povo praticasse a justiça e o servisse de coração puro. A partir do momento em que os interesses econômicos, políticos e religiosos de outros povos começam a interferir na vida do povo de Deus, este mesmo povo começa a se distanciar da Palavra do Senhor e se perde em meio às práticas de opressão e injustiça.

Isaías é chamado de “profeta evangelista” e também de “rei dos profetas”. Muitas de suas profecias são claramente identificadas e cumpridas em Jesus.

Nilson Antônio da Silva

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O Cântico de Verônica


Nas noites de Sexta-Feira da Paixão, ecoa pelas ruas silenciosas das cidades um cântico de dor e desespero, cantado por uma mulher em extrema aflição e agonia. Ela se dirige ao povo enquanto sua voz se perde num profundo e comovente lamento. Suas palavras, tradicionalmente, soam em latim. Mas, que palavras são essas? O que expressam nesse cantar tão doloroso?

O Cântico de Verônica é um pequeno trecho do Livro das Lamentações de Jeremias. Trata-se do versículo 12 do primeiro capítulo do livro. As Lamentações de Jeremias foram escritas na época da invasão de Jerusalém pela Babilônia, quando a cidade foi completamente arrasada e o Templo foi destruído. E segue abaixo a letra em latim!

“O vos omnes,

qui transitis per viam,

attendite et videte,

si est dolor sicut dolor meus.”

Nilson Antônio da Silva

terça-feira, 21 de abril de 2009

Ave Maria


Ave, Maria, gratia plena,
Dominus tecum;
Benedicta tu in mulieribus,
Et benedictus fructus ventris tui, Jesus.
Sancta Maria, Mater Dei,
Ora pro nobis peccatoribus
Nunc et in hora mortis nostrae.
Amen.

Hail Mary


Hail Mary, full of grace, the Lord is with thee,
Blessed art thou among women,
And blessed is the fruit of thy womb, Jesus.
Holy Mary, Mother of God, pray for us sinners now,
And at the hour of our death,
Amen!

Ave Maria


Dios te salve, Maria,
Llena eres de gracia,
El Señor es contigo,
Bendita tu eres entre todas las mujeres,
Y bendito es el fruto de tu vientre, Jesus.
Santa Maria, Madre de Dios,
Ruega por nosotros, pecadores,
Ahora y en la hora de nuestra muerte.
Amen.

Ave Maria


Ave-Maria, cheia de graça!
O Senhor é convosco,
Bendita sois vós entre as mulheres
E bendito é o Fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria Mãe de Deus,
Rogai por nós, pecadores,
Agora e na hora de nossa morte.
Amém!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

"Não Matarás."


Milhares de crianças estão sendo assassinadas em clínicas de aborto com o aval das leis que a sociedade humana cria e mantém... e ai daqueles que se levantam em favor da vida e denunciam e condenam os assassinos. Infelizes são porque se decidiram pela vida, escolheram adorar o Deus da vida e se puseram em defesa dos inocentes mudos e indefesos dentro do ventre de suas mães. Por isso, são apedrejados em espetáculos hediondos em praça e mídia públicas. E tudo porque escutaram e entenderam a palavra de Deus: não matarás!

Milhares de pessoas estão sendo assassinadas pelas ruas das cidades que a sociedade humana criou, sem que as leis e instituições da mesma sociedade não conseguem proteger aqueles que a fazem existir. A ganância, a corrupção e a injustiça imperam impunes e devastadoras pelas cidades mergulhadas em egoísmo, indiferença e alienação... e pobres daqueles que se dispõem a lutar pela justiça e pela paz. São taxados de loucos e classificados como reacionários inimigos da sociedade. E tudo porque escutaram e viveram a palavra de Deus: não matarás!

Milhares de homens e mulheres estão sendo assassinados pela guerra em tantos países do mundo, nações essas que a própria sociedade humana estabeleceu para se desenvolver e viver a riqueza de sua diversidade cultural. Quem se ergue em defesa da paz e levanta a bandeira da justiça e do bom entendimento entre os semelhantes – entre os seres humanos – são desacreditados e jogados de lado. E tudo porque escutaram e compreenderam a palavra de Deus: não matarás!

Milhares de jovens estão sendo seduzidos pelo culto desenfreado ao prazer e à sensualidade, num grotesco espetáculo de tristeza e insaciedade cujo único fim é a solidão e o egoísmo. Quem se levanta em defesa da vida saudável e conforme a vontade do Senhor é tido como reacionário e inimigo do progresso e da satisfação humana. Mas que satisfação é essa que é marcada pela solidão, pelo egoísmo e, finalmente, pela morte da alma e do corpo? Que prazer é esse que não conduz à felicidade, mas tão somente à dor e à amargura? E tudo porque não se leva em conta a palavra de Deus: não matarás!

Milhares de pessoas, ao atingirem o natural declínio da vida, estão sendo jogadas à margem do convívio humano. Nalguns lugares, são-lhes oferecidos meios de retirarem a própria vida...

Não matarás! Os seres humanos não compreendem a tua palavra, ó Senhor! Não compreendem...

Nilson Antônio da Silva

quarta-feira, 18 de março de 2009

29 - Reis - 10ª Parte - Fim do Reino de Judá

Destruição de Jerusalém
Joaquim, tão logo assumiu o trono, foi obrigado a pagar um elevado tributo ao faraó Necao II. Então, para obter os recursos necessários ao pagamento exigido em ouro e prata, Joaquim teve que criar impostos. O reinado de Joaquim durou onze anos, sendo que ele foi colocado no trono em lugar de seu irmão pelo faraó Necao. Seu governo foi marcado pelo domínio do Egito sobre uma grande parte dos territórios antes pertencentes aos assírios.

Em 605 a.C., Nabucodonosor, rei da Babilônia, enfrentou e derrotou os exércitos egípcios em Carquêmis, marchando em seguida rumo à costa do Mediterrâneo. Em sua marcha, ele foi devastando as cidades filistéias que encontrou em seu caminho. Os povos da região entraram em pânico e Joaquim se voltou desesperado em busca da ajuda egípcia. Sem obter ajuda, ele acabou cedendo ao rei da Babilônia. No terceiro ano de seu reinado, ele se rebelou contra Nabucodonosor. Em conseqüência dessa revolta, Jerusalém foi sitiada pelos exércitos babilônicos. É provável que Joaquim tenha morrido durante este cerco ou então tenha sido levado como prisioneiro para Babilônia.

Com a morte de Joaquim, o seu sucessor foi seu filho Jeconias, que subiu ao trono com dezoito anos de idade. Seu reinado durou pouco mais de três meses, sendo que ele foi levado como prisioneiro para Babilônia pelo rei Nabucodonosor. Juntamente com ele, vários membros da família real e da corte, bem como muitos tesouros, também foram levados pelos babilônicos. No exílio, Jeconias gerou sete filhos. Contudo, nenhum deles nunca subiu ao trono de Jerusalém.

Sedecias foi o último rei de Judá. Ele era o terceiro filho de Josias e foi posto no trono por Nabucodonosor quando Jeconias foi levado como prisioneiro para Babilônia. O reinado de Sedecias durou onze anos e foi marcado pela falta de tato do rei, o que levou a desastrosas conseqüências. Aconselhado por Jeremias, Sedecias se manteve fiel ao rei da Babilônia, tendo ido àquela cidade no quarto ano de seu reinado para pagar tributo ao rei. Três anos mais tarde, seguindo o conselho de seus oficiais, ele se opôs ao domínio babilônio e se rebelou contra Nabucodonosor e pediu ajuda militar ao Egito. Jeremias o aconselhara a não fazer isso, uma vez que ele havia jurado lealdade ao rei babilônio em nome de Javé. O resultado imediato foi que os exércitos babilônicos cercaram Jerusalém.

Em 597 a.C., os exércitos de Nabucodonosor conquistaram Jerusalém. A cidade foi severamente danificada, enquanto o rei e os soldados fugiram, deixando o povo nas mãos do invasor. Eles foram alcançados pelos babilônios nas planícies de Jericó e foram mortos. Os filhos de Sedecias foram mortos na presença dele e ele foi cegado e levado como prisioneiro para Babilônia, onde morreu. Juntamente com ele, também foram levados para Babilônia os demais membros da classe governante, os militares, os intelectuais e os donos dos meios de produção, ou seja, as pessoas mais ricas de Judá. Este foi o primeiro exílio.

No ano 587 a.C., Jerusalém foi completamente destruída pelos exércitos de Nabucodonosor. As muralhas da cidade foram derrubadas, o templo foi incendiado e os seus habitantes foram aniquilados. Os tesouros e todas as pessoas mais importantes foram levados para Babilônia. A deportação foi muito maior que a anterior. Assim, o reino de Judá deixou de existir. No território de Judá ficaram apenas os mais pobres, sendo que todo o restante do povo que sobrevivera à conquista foi levado como cativo para as cidades da Babilônia. Este foi o segundo exílio.

Depois disso, Nabucodonosor nomeou Godolias para ser o governador de Judá. Numa última tentativa de reassumir o controle do país, Godolias foi assassinado. Entretanto, a situação não mudou em nada.

A época dos reis Josias, Joaquim, Jeconias e Sedecias foi o tempo em que Jeremias exerceu sua atividade profética. Quando houve a segunda deportação, Nabucodonosor permitiu que o profeta permanecesse em Judá. Ele, então, ficou residindo na casa do governador Godolias.

No quinto ano do exílio de Jeconias, o profeta Ezequiel iniciou suas atividades.

Jerusalém foi destruída quando Priés era o faraó do Egito. Na mesma época, a Grécia cunhava as primeiras moedas enquanto Drácon, em Atenas, instituía as leis aristocráticas.

Em 561 a.C., o rei Evil-Merodac concedeu anistia a Jeconias e o retirou da prisão, colocando-o na corte de Babilônia e concedendo-lhe vários privilégios.

Nilson Antônio da Silva

28 - Reis - 9ª Parte

Rei Josias e Rei Manassés
O sucessor do rei Manassés foi Amon, cujo reinado durou apenas dois anos, de 642 a.C. a 640 a.C. É provável que ele tenha sido assassinado por pessoas da corte ligadas a um partido anti-assírio, as quais desejavam restabelecer a dinastia de davídica, embora Amon seja descendente de Davi. Seus servos mataram-no dentro de seu palácio, quando ele estava com a idade de vinte e quatro anos. O povo, ao saber do ocorrido, puniu os assassinos e sepultou o rei junto aos restos mortais de seu pai Manassés. Josias, filho de Amon, que era uma criança de oito anos de idade, foi colocado no trono pelo próprio povo, que desejava manter a linhagem de Davi. Provavelmente o próprio partido ligado aos camponeses que colocou Josias no trono assumiu a regência durante a minoridade do rei.

Josias reinou durante trinta e um anos em Jerusalém. Seu reinado foi marcado pelo combate à idolatria tanto em Judá quanto nas terras do sul do antigo reino de Israel. Em Jerusalém, ele reformou o templo. Durante as obras de reforma, os operários encontraram um livro contendo os capítulos do Deuteronômio. Josias considerou o achado de tal importância que fez com que fosse lido para todo o povo em uma cerimônia especial. O livro do Deuteronômio, que nascera da catequese dos levitas em meio às tribos do norte, foi transformado em Lei de Estado. Assim, Josias procurou dar nova fonte à identidade javista do povo hebreu. Ele pretendia acabar com as influências religiosas e culturais dos cananeus, assírios, fenícios, egípcios, moabitas e amonitas. No décimo oitavo ano de seu reinado, ele fez celebrar a Páscoa no dia 14 de Nisã, tendo organizado uma festa tão grande que não se via desde os tempos do profeta Samuel. Ele mesmo contribuiu com milhares de cabeças de gado e outros animais.

No final do reinado de Josias, o faraó Necao II foi lutar contra os medos e os babilônios e, para tanto, teve que atravessar os territórios israelitas. Os medos e os babilônios haviam derrotado os assírios e, assim, os egípcios viram uma oportunidade de dominar as terras da Ásia. Josias interceptou os exércitos do faraó e tentou rechaçá-los em Meguido. Durante a batalha, ele foi ferido e morreu.

Josias é o único rei que recebe elogio incondicional do hagiógrafo. Ele foi um rei que procurou eliminar a opressão e a corrupção e buscou reunificar o povo de Deus.

O sucessor de Josias foi seu filho Joacaz, que subiu ao trono aos vinte e três anos de idade. Como o Egito se tornara a potência da região e ele executou uma política contrária aos interesses dos egípcios, acabou sendo deposto e exilado pelo faraó Necao II. O seu irmão Eliacim, cujo nome foi mudado para Joaquim por Necao II, foi colocado em seu lugar pelo faraó. Joacaz foi levado como prisioneiro para o Egito e lá morreu, tendo sido o primeiro rei israelita a morrer no exílio. Os historiadores situam o seu curto reinado de apenas três meses durante o ano 609 a.C. As escrituras afirmam que ele realizou práticas idolátricas.

Nilson Antônio da Silva

27 - Reis - 8ª Parte

Profeta Isaías, contemporâneo de Ezequias - pintura da Capela Sistina - Vaticano
O sucessor de Acaz foi o seu filho chamado Ezequias. Quando Acaz morreu, Ezequias tinha apenas cinco anos de idade. Com isso, um regente governou até que ele atingisse a maioridade. Nesse ínterim, o rei Teglat-Falasar III também morreu e o seu sucessor foi Salmanasar V. Os assírios destruíram a coalizão entre os reinos de Israel e Aram e se puseram a conquistar a Palestina. Judá, então, teve que pagar tributo à Assíria durante vinte anos.

Ezequias começou a reinar de fato após atingir a maioridade, com vinte e cinco anos de idade, por volta do ano 715 a.C. Seu governo durou vinte e nove anos. Ele foi um homem de fé, cuja vida foi marcada pela confiança em Deus.

O reinado de Ezequias é considerado na Bíblia como um bom governo, sendo que esse rei executou uma série de reformas político-religiosas com as quais procurou reunir o povo todo em torno de um só Deus e de um só rei. O Egito e a Babilônia, interessados em estender sua influência na região, ofereceu auxílio a Judá. A Assíria, então, ameaçou invadir Judá e Ezequias voltou a pagar tributo até o ano de 705 a.C.

Algum tempo depois, uma nova tentativa de escapar do domínio da Assíria levou Senaquerib a invadir Judá. Com isso, as reformas foram interrompidas pela violenta invasão dos assírios, que conquistaram várias cidades e chegaram a cercar Jerusalém. A ajuda oferecida pelo Egito não serviu para nada e a capital só não foi conquistada pelos inimigos por causa de um acontecimento extraordinário que fez com que os exércitos assírios se retirassem.

Dentre as ações de reforma religiosa implantadas por Ezequias, destacam-se a restauração e a purificação do templo, a reintegração dos sacerdotes e levitas ao seu ministério, a restauração da celebração da Páscoa e o combate à idolatria. Contemporâneo de Isaías, Ezequias soube ouvir esse profeta. Entretanto, depois de se recuperar de uma grave enfermidade, ele cometeu um erro que lhe rendeu uma advertência por parte de Isaías. Este erro consistiu em mostrar aos mensageiros do rei da Babilônia todos os seus tesouros. O profeta, então, prevendo o futuro cativeiro dos judeus, advertiu o rei severamente.

Com a morte de Ezequias em cerca de 690 a.C., seu filho Manassés o sucedeu no trono aos doze anos de idade. O reinado de Manassés, que durou quarenta e quatro anos, foi marcado pela opressão externa da Assíria e, internamente, pela opressão por parte da corte de Jerusalém e pela exploração dos camponeses pelos ricos da cidade. Também foi marcado pela volta do paganismo com o culto aos astros, por influência dos assírios, e com a restauração do culto a Baal e a introdução de práticas de magia, adivinhação e encantamentos. Nesse ponto, ele chegou ao extremo de oferecer seus próprios filhos em sacrifício. E mais ainda, porque segundo a tradição, foi durante o governo de Manassés que o profeta Isaías foi morto por ordem do próprio rei, que mandou serrá-lo em pedaços.

O profeta Miquéias exerceu seu ministério durante a época de Manassés. Miquéias nunca se cansou de repreender o povo pelo pecado, exortando as pessoas a buscarem fazer a vontade de Deus. Manassés, contudo, não deu ouvidos às palavras do profeta.

Durante um certo período de tempo, Manassés foi levado e mantido prisioneiro pelos assírios em Babilônia. Enquanto estava preso, ele se arrependeu amargamente de seus atos e resolveu mudar suas atitudes. Quando foi libertado e, tendo retornado a Jerusalém, começou a incentivar o culto a Javé e passou a oferecer os sacrifícios corretos, tendo então mandado retirar todos os objetos de profanação que tinham sido postos no templo.

No plano político e econômico, reconstruiu as muralhas de defesa da capital e favoreceu o desenvolvimento do comércio e da agricultura. Documentos antigos mencionam-no como um fiel colaborador do rei da Assíria. Talvez por essa razão, ele tenha conseguido que os tributos pagos por Judá tenham sido bem menores do que os pagos pelos reinos vizinhos.

Contudo, Manassés é considerado como um dos piores reis de Judá, que fez o oposto do que fizera seu pai. Quando morreu, ele foi sepultado nos jardins de seu palácio, no local chamado Jardim de Oza, e não no mesmo local de seus antepassados. O seu sucessor foi seu filho, chamado Amon.

Nilson Antônio da Silva

26 - Reis - 7ª Parte

Profeta Isaías em meditação
Amasias subiu ao trono de Judá aos vinte e cinco anos de idade, sucedendo seu pai Joás. O reinado de Amasias durou vinte e nove anos. Tão logo assumiu o trono, ele mandou matar todos que assassinaram seu pai. O reinado de Amasias foi marcado por uma guerra contra o reino de Edom, na qual ele saiu vitorioso. Após essa guerra, ele entrou em conflito com o reino de Israel, tendo sido vencido pelo rei Joás de Israel. Joás o levou preso para Jerusalém e tomou para si todo o ouro, prata e objetos valiosos que encontrou no templo e também no palácio real, levando tudo isso para Samaria. Amasias foi morto numa conspiração. Depois disso, seu filho Ozias o sucedeu no trono.

Ozias reinou durante cerca de cinqüenta e cinco anos e foi contemporâneo do profeta Isaías. Ele foi um grande engenheiro militar, tendo planejado e construído armas que projetavam pedras e atiravam lanças, além de construir reservatórios de água e fortificar torres. Também construiu uma cidade chamada Elate. Seu exército se tornou poderoso e famoso. Entretanto, não foi capaz de resistir a uma invasão de Teglat-Falasar e o reino de Israel acabou tendo que pagar tributos ao invasor. No fim de sua vida, Ozias foi contaminado com a lepra, que na época era uma doença incurável. Segundo as escrituras, ele quis queimar o incenso no templo, desrespeitando a lei de Moisés, segundo a qual somente os sacerdotes podiam realizar essa atividade sagrada. Por causa da doença, ele foi isolado num palácio onde morreu afastado do poder real.

Joatão foi o sucessor de Ozias. Seu reinado começou por volta de 758 a.C. e terminou por volta de 742 a.C. Ele também foi contemporâneo do profeta Isaías. Seu reinado foi marcado por obras de reconstrução tanto em Jerusalém como em outras cidades de Judá. As escrituras o consideram um bom rei, embora ele tenha sido omisso no que se refere à presença de idolatria entre o povo.

O sucessor de Joatão foi Acaz, também contemporâneo de Isaías. Acaz é considerado um rei mal, pois ele incentivou a idolatria, fechou o templo de Jerusalém e ainda sacrificou o próprio filho aos deuses pagãos. Seu reinado foi marcado por várias derrotas militares em confrontos com os reinos de Israel e de Aram. Em sua época, os filisteus reconquistaram muitos territórios na região costeira e o reino vassalo de Edom também se rebelou.

Acaz não quis acatar os conselhos do profeta Isaías e pediu proteção à Assíria. O rei assírio Teglat-Falasar foi em seu socorro e derrotou rapidamente os exércitos aliados de Israel e de Aram, ocupando em seguida a cidade de Damasco e se apoderando de vários territórios de Israel. Em seguida, os assírios transformaram todos os reinos da região em seus tributários, inclusive o reino de Judá. Segundo consta em inscrições antigas, ele foi até Damasco prestar homenagens ao rei da Assíria.

Quando Acaz faleceu, ele não foi sepultado junto com os restos mortais dos reis que o antecederam, tendo sido sepultado em outro local de Jerusalém. Este foi um fato que demonstra o quanto o povo o considerava e o que o povo de Judá pensava a respeito de seus atos enquanto ainda vivo.

As advertências de Isaías sobre a proteção da Assíria mesmo hoje em dia ressoam com uma atualidade incontestável. Naquela época, a Assíria era uma grande potência e o reino de Judá era apenas um reino pequeno. O que o profeta afirmou ao rei Acaz é que, após derrotar os reinos vizinhos de Judá, com toda certeza os assírios se voltariam contra Acaz. E foi exatamente o que aconteceu. O único interesse dos assírios era expandirem seus domínios e eles não se importavam com quem havia lhes pedido ajuda ou não.

Nilson Antônio da Silva

terça-feira, 17 de março de 2009

25 - Reis - 6ª Parte - Destruição do Reino de Israel

Ruínas da cidade de Samaria

O rei Jeroboão II de Israel morreu por volta de 750 a.C. e seu filho Zacarias o sucedeu no trono. Entretanto, o reinado de Zacarias durou somente seis meses, tendo ele sido assassinado por Salum, que então ocupou o trono. Um mês depois, este foi assassinado por Manaém o qual permaneceu no trono durante cerca de dez anos. O acontecimento mais marcante de seu governo foi o episódio da revolta ocorrida na cidade de Tersa. Ele conseguiu suprimir a revolta, ao fim da qual matou todos os homens da cidade e deu ordens para rasgar o ventre de todas as mulheres então grávidas. Em seu reinado, o rei assírio Teglat-Falasar III invadiu as terras de Israel e impôs-lhe um pesado tributo de mil talentos de prata. Após sua morte, seu filho Facéias o sucedeu no trono de Israel e reinou durante dois anos, entre 738 a.C. e 736 a.C.

Facéias foi assassinado dentro do palácio real em Samaria por um de seus oficiais, chamado Faceia (filho de Romelias), também chamado de Peca, o qual assumiu o trono. Facéia reinou durante dois anos, tendo sido assassinado por Oséias, que se apossou do trono. Durante o governo de Faceia houve a chamada Guerra siro-efraimita, a qual foi uma coalizão entre o Reino de Israel e o Reino de Aram. Nessa guerra, o rei Rason de Aram e o rei Facéia se aliaram para enfrentar o avanço das forças da Assíria. Eles convidaram o rei Joatão de Judá para participar dessa coalizão, o qual recusou e manteve-se numa posição de neutralidade.

Oséias foi o décimo nono e também o último rei de Israel. Seu reinado durou nove anos, ao fim dos quais ele viu seu reino sendo conquistado por Sargão II, general de Salmanasar IV, rei da Assíria. Uma grande parte dos hebreus que viviam em Israel foram deportados para a Assíria e para a Média. Segundo uma inscrição, foram deportados 27.290 habitantes da Samaria para a Assíria.

A cidade de Samaria foi destruída após um cerco que durou cerca de três anos e, então, o Reino de Israel deixou de existir. Durante o cerco, os habitantes da cidade sofreram de maneira horrível tanto privações físicas quanto psicológicas. O profeta Oséias, que viveu em Israel naquela mesma época, descreveu os sofrimentos pelos quais o povo passou e o profeta Miquéias afirma que a cidade fora reduzida a um amontoado de pedras. Suas terras tornaram-se um lugar de completa desolação. Tudo isso aconteceu no ano 722 a.C.

Enquanto os hebreus estavam exilados, as terras do reino do norte foram povoadas por estrangeiros retirados de Babilônia, de Cuta e de outras regiões do império assírio. Com o passar do tempo, os cutitas reconstruíram em parte a cidade de Samaria. Mais tarde, quando os hebreus voltaram do exílio, muitos se estabeleceram lá novamente, misturando-se com os povos estrangeiros e pagãos que lá habitavam. Contudo, permaneceram monoteístas.

A questão dos estrangeiros terem povoado a Samaria e se misturado aos hebreus deu origem a um sentimento de desprezo que os hebreus de Judá tinham aos habitantes de Israel que permaneceria por séculos a fio. No tempo de Jesus, os judeus evitavam até mesmo passar dentro das terras dos samaritanos e também evitavam qualquer contato com eles. Atualmente, os samaritanos vivem numa pequena comunidade no Monte Garizim, formada por cerca de trezentas pessoas e, anualmente, celebram a Páscoa segundo os antigos ritos. Eles reconhecem como canônicos somente os livros que formam o Pentateuco.

Samaria foi uma cidade grande e luxuosa, muito semelhante a Jerusalém. Ao longo dos tempos, os reis de Israel construíram muitas obras que a tornaram uma cidade muito bela e poderosa. O profeta Amós relata que ela era uma cidade de luxo e efeminação. Além disso, ela sempre foi uma cidade conhecida, e ainda hoje lembrada, como o local de culto ao deus pagão Baal. Por outro lado, também foi o lugar onde o profeta Eliseu exerceu o seu ministério.

Muitos levitas, com a destruição do reino do norte, foram para Jerusalém levando consigo suas experiências e sua teologia, tendo eles sido bem recebidos pelo rei Ezequias. O livro que, mais tarde, seria encontrado no Templo de Jerusalém durante uma reforma, teve sua origem no Reino de Israel e foi levado por eles. Este livro é constituído pelos atuais capítulos 12 a 26 do livro do Deuteronômio.

A destruição do Reino de Israel foi anunciada pelos profetas, os quais lutaram incansavelmente pela conversão do povo. O culto aos deuses pagãos, a violência dos governantes e a exploração do povo foram constantemente denunciadas pelos profetas, que não temeram nem reis nem rainhas e jamais silenciaram a voz diante dos opressores.

Todo pecado traz conseqüências terríveis e a destruição de Samaria deve ser vista como um fim inevitável para os atos de seus governantes. A história dos reis do reino do norte foi marcada por assassinatos, guerras e muito derramamento de sangue. Reis violentos que promoviam a adoração de deuses pagãos e não ouviam a palavra de Deus anunciada pelos profetas foi uma constante na história do Reino de Israel. A justiça foi deixada de lado enquanto Javé era esquecido... E o preço por essas duas atitudes foi o completo aniquilamento.

Nilson Antônio da Silva

24 - Reis - 5ª Parte - O Século VIII a.C.


O oitavo século antes da era cristã foi profundamente marcante na história da humanidade, ainda que muitos dos acontecimentos que se deram naqueles anos realmente só tivessem suas conseqüências manifestadas nos séculos seguintes.

Foi naquele século que, em 722 a.C., a cidade de Roma foi fundada. Nos séculos que se seguiriam, seu poder aumentaria de tal forma que, durante cerca de mil anos, ela comandaria o mundo então conhecido e seus domínios alcançariam terras da Europa, da Ásia e da África.

Foi ainda no oitavo século antes de Cristo que grande parte dos livros que compõem o Antigo Testamento foi redigida ou então compilada. Naquela época também muitos profetas exerceram suas atividades tanto em Israel quanto em Judá.

Entre os anos de 800 a.C. e 700 a.C., tanto a Assíria quanto a Babilônia viveram seu apogeu militar e político, sendo que ambas estenderam seus domínios por extensas regiões do Oriente Médio. Os assírios chegaram inclusive a invadir e dominar Babilônia durante algum tempo.

A Grécia, enquanto realizava seus primeiros jogos olímpicos, ia fundando cidades-colônias pelas margens do Mar Mediterrâneo. Conforme a tradição, foi ainda nessa época que
Homero viveu e escreveu os versos da Ilíada.

No Egito o poder caiu nas mãos de governantes oriundos da Líbia e, mais tarde, a parte sul do país caiu nas mãos de príncipes núbios. Embora não existam muitos registros, ao que tudo indica foi uma época de instabilidade política nas terras dos faraós.

Enquanto isso, nas terras do Extremo Oriente, durante a época do feudalismo na China, naquele país foi desenvolvida a tecnologia de obtenção do ferro. Nas ilhas vizinhas que dariam origem ao Japão, os nativos escolheram seus primeiros imperadores.

Finalmente, foi no século oitavo antes da era cristã que os profetas Isaías e Miquéias profetizaram nas terras de Judá, enquanto nas terras de Israel atuavam Amós e Oséias.

Nilson Antônio da Silva

domingo, 15 de março de 2009

23 - Eliseu


O nome desse profeta que foi discípulo de Elias significa “meu Deus é salvação” em hebraico. Sua atividade profética foi exercida em Israel durante os reinados de Ocozias, Jorão, Jeú e Joacaz. Ele era filho de Safat e vivia em Abel-Meolá, onde Elias o encontrou e o ungiu conforme o Senhor ordenara. Então, ele passou a acompanhar Elias até quando este foi arrebatado ao céu.

Após ter recebido o espírito profético, ou seja, o dom da profecia, começou a profetizar em Israel, realizando muitos atos miraculosos. As Escrituras relatam cerca de vinte milagres realizados por Eliseu, que vão desde a ressurreição de um menino até ao aumento do azeite de uma pobre viúva. Um dos mais conhecidos, senão o mais importante, é o que trata da cura do sírio Naamã, que era general do rei da Síria. Aquele homem, de elevada posição social, havia sido contaminado pela lepra. Naqueles tempos, a lepra era uma doença incurável, a qual excluía a pessoa completamente do convívio social. Naamã, então, ouviu falar a respeito de Eliseu e foi até ele, suplicando-lhe que fosse curado. Eliseu, então, manda que ele se banhe nas águas do rio Jordão. Ao sair do banho, Naamã estava curado. Ele agradece ao profeta e retorna para a sua terra, levando consigo uma porção de terra do solo israelita e afirmando que daquela hora em diante serviria somente ao Deus dos hebreus.

Eliseu exerceu sua atividade durante mais de sessenta anos. Assim, ele acompanhou de perto a sucessão de vários reis e presenciou muitas guerras, invasões e fomes que assolaram Israel. O rei Jeú foi ungido por Eliseu, o qual o apoiou em sua determinação de acabar com o culto pagão ao deus Baal.

Ao longo dos tempos, foram surgindo muitas histórias, lendas e fatos admiráveis em torno da figura de Eliseu, as quais demonstram o quanto ele foi um profeta querido entre o povo. Mais ainda, demonstram o quão grande era sua determinação em servir a Deus e levar o povo a também servir ao Senhor. Ele, desde quando começou a acompanhar Elias, foi um homem cheio de fé e confiança em Javé, a quem dedicou todo o amor com total e absoluta entrega.

Na época em que Joás era o rei de Israel, Eliseu adoeceu e morreu já em idade avançada. Antes de sua morte, Joás foi visitá-lo e lamentou que grande perda seria para Israel a morte do profeta.

Nilson Antônio da Silva

22 - Reis - 4ª Parte

Jeú servindo ao rei Salmanasar

Jeú reinou durante vinte e oito anos em Israel, tendo seu reinado começado em 842 a.C. Ele era um dos generais do então rei Jorão e subiu ao trono após tê-lo assassinado. Durante seu reinado, ele enfrentou o rei Ben-Hadad II da Síria e também o seu sucessor Hazael. Além disso, ele teve que pagar tributos ao rei Salmanasar III, que invadira a Palestina. O reinado de Jeú foi marcado por um cruento banho de sangue. Ele buscou exterminar todos aqueles que tinham ligação com a família de Acab e com o culto a Baal. Também destruiu o templo de Baal e fez desaparecer de Israel o culto a esse deus pagão. Entretanto, ainda manteve os bezerros de ouro em Dã e em Betel.

Javé não quer nenhum tipo de idolatria e nem de opressão. Aos homens, contudo, cabe “a difícil tarefa de escolher os meios para realizar a vontade divina.” Esses meios, muitas vezes, desafiam a nossa compreensão e questionamos a vontade de Deus. Deus é amor; então, por quê tanta violência? Sete longos séculos se passariam até que Jesus viesse àquela mesma terra para mostrar aos seres humanos como Deus é o verdadeiro e mais puro amor. Mais ainda, que Ele não quer a morte, mas tão somente a vida, que é dada por Ele em abundância.

O sucessor de Jeú foi seu filho Joacaz, que reinou cerca de dezesseis anos. Joacaz foi obrigado por Hazael, rei da Síria, a reduzir drasticamente o seu exército. Com a morte de Joacaz, seu filho Joás subiu ao trono em 805 a.C. e reinou durante quinze anos. Joás derrotou Hazael, rei da Síria, três vezes.

Após a morte de Joás, seu filho subiu ao trono com o nome de Jeroboão II, que reinou durante quarenta e um anos. Seu reinado foi marcado por guerras de reconquista, nas quais foi restaurado todo o território deste Hamat até ao Mar Morto.

No reino de Judá, a sucessão de reis também foi marcada por guerras e mortes violentas. Com a morte de Ocozias, Atalia, sua mãe, mandou matar todos os possíveis herdeiros ao trono e assumiu o poder durante seis anos. Ela não foi uma rainha, mas uma regente. Seu governo foi marcado pela promoção ao culto a Baal, o que custou-lhe o ódio tanto do povo quanto dos sacerdotes. Em vingança contra a execução da família de Acab, Atalia mandou executar todos os membros da casa de Davi. Entretanto, o sumo sacerdote Joiada criara escondido no templo de Jerusalém o filho de Ocozias, herdeiro do trono, que lhe fora entregue por Joseba com a idade de um ano. Joseba também era filha de Jorão. O nome do menino era Joás. Quando Joás completou sete anos de idade, Joiada o coroou rei dentro do templo com a proteção e o apoio da guarda real. Ao saber disso, Atalia foi ao templo para impedir a rebelião, mas acabou sendo executada junto aos portões por ordem de Joiada. Após isso, foram destruídos o templo e o altar dedicados a Baal.

Joás de Judá reinou durante quarenta anos em Jerusalém. Ele reformou o templo de Jerusalém e, enquanto governava, o rei Hazael da Síria conquistou Gat e se dirigiu a Jerusalém. Antes que ele atacasse a cidade, Joás entregou-lhe os tesouros do palácio e os tesouros do templo e este, então, retirou-se da capital de Judá.

Nilson Antônio da Silva

21 - Reis - 3ª Parte

Vale de Jezrael

Após a morte de Acab, em 852 a.C., seu filho Ocozias subiu ao trono de Israel e reinou durante dois anos. Durante seu curto reinado, ele manteve práticas de idolatria. Morreu em conseqüência dos ferimentos após ter caído de uma janela. Por não ter deixado filhos, seu sucessor foi seu irmão Jorão.

Jorão reinou durante doze anos e manteve as práticas de idolatria. Entretanto, mandou derrubar a estela de Baal. Estelas eram monumentos usados em cultos pagãos. Durante o seu reinado, o rei Mesa de Moab revoltou-se e deixou de pagar tributos a Israel. Jorão ainda fez aliança com os reinos de Judá e Edom, a qual lutou contra o reino de Moab e o derrotou. Para fazer frente ao rei Ben-Hadad de Aram, ele fez uma aliança com seu sobrinho Jorão, que então reinava em Judá. A guerra contra o rei de Aram não obteve sucesso, sendo que Ben-Hadad chegou a cercar Samaria. Enquanto Jorão de Israel estava se recuperando dos ferimentos de batalha em Jezrael, Jeú, que era seu general, rebelou-se e o assassinou. Jeú ainda perseguiu o rei Ocozias de Judá e o feriu. Além disso, ele mandou assassinar Jezabel, a qual foi empurrada de uma janela em Jezrael. Segundo narram as escrituras, ela foi devorada pelos cães e somente seus ossos foram encontrados. Com a morte de Jorão e o fim de sua família, Jeú ocupou o trono de Israel.

Jorão, filho de Josafá, reinou em Judá durante oito anos, tendo subido ao trono em 851 a.C. Ele se casou com uma mulher da família de Acab chamada Atalia. Durante seu reinado, Edom se libertou de Judá e constituiu seu próprio rei. Após a sua morte, seu filho Ocozias assumiu o trono e reinou por apenas um ano. Durante seu governo, Judá perdeu também o reino de Lebna. Nesse tempo, os reinos de Judá e de Israel estavam aliados numa guerra contra o rei de Aram. Depois que Jeú assassinou Jorão de Israel, pôs-se em perseguição a Ocozias e o feriu. Ocozias, então, refugiou-se na fortaleza de Meguido, onde veio a falecer. O Livro das Crônicas, entretanto, conta que Ocozias foi detido em Jezrael e entregue a Jeú, que então o executou.

A época destes reis foi a época em que o profeta Eliseu exerceu suas atividades. De uma maneira geral, foi uma época de decadência para os dois reinos, os quais perderam uma considerável parte das terras que dominavam e envolveram-se em constantes conflitos com os povos vizinhos.

Nilson Antônio da Silva

20 - Elias


Elias, cujo nome significa “meu Deus é Javé”, é considerado um dos maiores profetas de todos os tempos e também é tido como o profeta que deu início ao profetismo clássico. Sua vida foi uma luta incansável em defesa da fé em Javé contra a imposição de culto ao deus pagão Baal patrocinada pela rainha Jezabel e pelo rei Acab.

Elias era da cidade de Tesbi, que ficava na região de Neftali, uma das tribos que formaram o reino do norte. Essa mesma região seria chamada de Galiléia alguns séculos mais tarde. Toda a sua atividade profética foi exercida no reino de Israel nos tempos dos reis Acab e Ocozias no século IX a.C.

Quando Acab subiu ao trono de Israel, ele já estava casado com Jezabel, filha do rei de Tiro. Esse rei era sacerdote da deusa Astarté. Portanto, sua filha levou para Israel todas as práticas idolátricas e pagãs que eram abominadas pelos hebreus. Jezabel revelou-se uma mulher extremamente dominadora, tendo submetido à sua vontade o rei Acab, a tal ponto que o obrigou a cultuar o deus Baal. Acab chegou a construir um altar para Baal dentro do templo que ele construíra para Javé em Samaria. Além disso, ainda o obrigou a mandar assassinar Nabot para apossar-se de suas terras na região de Jezrael. De uma forma geral, o governo de Acab era muito prejudicial ao povo.

Nesse clima, surgiu Elias, enviado pelo Senhor. Ele anunciou ao rei que Deus faria justiça pela morte de Nabot. O rei, então, arrependeu-se e recebeu o perdão. Entretanto, as palavras pronunciadas contra Jezabel são claras: “Os cães devorarão Jezabel na terra de Jezrael”. Jezabel encheu-se de ira contra Elias e mandou matar os profetas de Javé. Em resposta, Elias anunciou uma seca de três anos e foi se refugiar na cidade de Sarepta, na região de Sidônia. Uma viúva o acolheu e, enquanto ele estava em sua casa, a farinha e o azeite eram constantemente multiplicados pelo profeta. Quando o filho da viúva morreu, Elias o ressuscitou.

O episódio mais marcante da atividade de Elias pode ser considerado o confronto com os sacerdotes de Baal, ocorrido nas encostas do monte Carmelo. Quatrocentos e cinqüenta sacerdotes do deus pagão ofereceram sacrifícios e ficaram a manhã inteira gritando, dançando e se mutilando em honra de Baal, pedindo que descesse fogo do céu e queimasse o sacrifício, sem que nada acontecesse de extraordinário. Depois do meio dia, Elias ofereceu o sacrifício a Javé e, em seguida, molhou o altar e a lenha. Então, orou ao Senhor. Enquanto ele orava, um raio desceu do céu e queimou o sacrifício, a lenha e o altar. Em seguida, o profeta ordenou que todos os sacerdotes de Baal fossem levados até ao riacho Quison. Nesse local, ele degolou a todos eles.

Depois, Elias fugiu para o sul e chegou até ao monte Horeb. No monte, Elias presenciou uma teofania, em que Deus se manifestou a ele e lhe incumbiu de ungir Hazael como rei de Damasco de Aram, Jeú como rei de Israel e Eliseu como profeta. Enquanto estava no monte, veio até Elias um furacão, mas Deus não estava nele. Em seguida, houve um terremoto, mas Deus também não estava no terremoto. Finalmente, veio uma brisa suave e, então, Deus se manifestou a Elias.

Acab morreu em 852 a.C. e seu filho Ocozias o sucedeu no trono. Como seu pai, Ocozias também prestou culto a Baal. Após ter sido ferido numa batalha, mandou consultar ao deus pagão de Acaron, denominado Baal-Zebud, sobre sua recuperação. Elias, então, interveio e anunciou a morte do rei.

No final de sua vida, Elias estava vivendo em Gálgala. Nessa época, Eliseu já o acompanhava e não o deixava por nada. Certo dia, Elias partiu de lá acompanhado por Eliseu. Após passar por Betel e por Jericó, enquanto caminhavam e conversavam, Elias foi arrebatado aos céus numa carruagem de fogo.

Elias não deixou nenhum livro escrito, assim como grande parte dos profetas de seu tempo. Sua história é contada nos dois livros de reis e, ao longo de todas as escrituras tanto do antigo quanto do novo Testamento, seu nome é mencionado várias vezes. O significado de seu nome “meu Deus é Javé” foi o lema, o projeto e o sentido maior de sua vida. Ele escutou e cumpriu a vontade do Senhor. Foi a voz através da qual Javé falou ao seu povo que se via obrigado a seguir uma religião estrangeira. Foi o homem que abriu mão de tudo e dedicou a sua vida a defender a fé no Deus único e verdadeiro. Foi o homem que, fiel a Deus, não hesitou um instante sequer diante das ameaças e perseguições dos líderes das falsas religiões. Permaneceu firme e foi o instrumento de Deus ao desafiar os poderosos e anunciar-lhes que o Senhor faria justiça. Enfim, ele foi o profeta por excelência, que amou a Deus e amou ao seu povo.

Durante a transfiguração no monte Tabor, Jesus conversou com Elias e Moisés. Elias representava aí todos os profetas que Deus enviou ao seu povo.

Nilson Antônio da Silva

19 - Reis - 2ª Parte


O reinado de Ela, filho e sucessor de Baasa, durou apenas dois anos, entre 885 a.C. e 884 a.C. Ele foi assassinado por Zambri, um de seus oficiais, que se auto proclamara o novo rei na cidade de Tersa. Em seguida, Zambri assassinou todos os “que urinam contra o muro”, isto é, todos os homens da família de Baasa também foram mortos. Sete dias depois da auto-proclamação, sem apoio e vendo-se cercado em seu palácio pelo exército, que havia escolhido Amri para ser o rei, Zambri suicidou-se, morrendo queimado após ter ateado fogo na torre onde estava.

Amri reinou durante os doze anos seguintes e seu governo foi marcado por um razoável desenvolvimento e por algumas alianças políticas. Ele casou seu filho Acab com Jezabel, filha do rei da fenícia e, no sexto ano de seu reinado, construiu a cidade de Samaria, que passou a ser a nova capital do reino de Israel. Durante seu reinado, o rei de Mesa, de Moab, pagou a ele tributos. Mesmo assim, as escrituras sagradas o “consideram o pior de todos que vieram antes dele”, principalmente por causa das alianças com os reis estrangeiros. Seu sucessor foi Acab.

Josafá, filho de Asa, reinou em Judá de 870 a.C. a 845 a.C. Ele foi fiel a Deus e procurou andar nos caminhos do Senhor. Seu reinado foi marcado pela prosperidade e pela paz. Seu sucessor foi Jorão, seu filho.

Acab reinou em Israel durante vinte e dois anos, de 873 a.C. a 852 a.C. Jezabel, a filha do rei de Sidônia, com quem ele se casara, patrocinou e incentivou o culto a Baal. Assim, o culto a esse deus pagão prosperou bastante, sendo que muitos profetas e sacerdotes de Javé foram perseguidos e mortos. No campo político, Acab procurou fazer alianças com Ben-Hadad II, rei de Damasco de Aram, na Síria, e também com Josafá, rei de Judá. Ele morreu durante um combate e foi sucedido por seu filho Ocozias. Atália, sua filha, casou-se com Jorão, rei de Judá, que era filho de Josafá. Com isso, procurou-se dar fim aos constantes conflitos entre os dois reinos e ainda estabelecer uma união entre as dinastias que governavam ambos.

No tempo do rei Acab nasceu o profetismo clássico, com o surgimento de Elias e Eliseu. Acab é considerado um dos piores reis que houve em Israel. Jezabel, sua esposa, é considerada pelas escrituras como aquela que conduziu o povo de Deus ao pecado da idolatria. Essa princesa fenícia, além do apoio ao culto do deus Baal, era uma mulher muito influente na política de seu tempo. Ora, o próprio fato de ela dar tanto apoio a uma religião estrangeira em detrimento da fé javista demonstra o quanto sua influência era considerável. Suas atitudes foram severamente criticadas e combatidas pelo profeta Elias.

Nilson Antônio da Silva

18 - Reis - 1ª Parte


Roboão foi sucedido por seu filho Abiam, Aviyam em hebraico, que reinou em Jerusalém durante o curto período de três anos, entre 914 a.C. e 911 a.C. O hagiógrafo afirma que este curto reinado foi castigo pelos pecados cometidos pelo rei. Abiam entrou em guerra contra Jeroboão e saiu vencedor, tendo conquistado algumas cidades do reino de Israel. Ele teve vinte e dois filhos e dezesseis filhas nascidos das quatorze esposas com quem foi casado. Um desses filhos, chamado Asa, foi seu sucessor.

Asa reinou durante quarenta e um anos em Judá e as escrituras sagradas elogiaram suas atitudes em defesa da fé em Javé. Seu reinado começou em 911 a.C. e terminou em 870 a.C. Ouvindo os conselhos do profeta Azarias, ele combateu as práticas pagãs de idolatria e conduziu o povo à observância aos mandamentos da lei de Deus. Um de seus principais atos foi acabar com a prática chamada de prostituição sagrada, que era típica entre os povos cananeus. Entretanto, não destruiu os chamados lugares altos. Esses eram locais de culto a deuses pagãos. Na área militar e política, ele venceu os exércitos de um general etíope que tentou invadir Judá. Após um longo período de paz de seu reinado, ele fez uma aliança com Ben-Hadad, rei da Síria, o qual já havia firmado aliança com Baasa, rei de Israel. Asa procurava, através da aliança com o rei da Síria, evitar a guerra contra o reino de Israel. O rei sírio rompeu a aliança firmada anteriormente com Baasa. O profeta Hanani condenou essa aliança e Asa se enfureceu com ele, terminando por prendê-lo. Por essa época, o rei já não agia mais conforme a vontade do Senhor e, após dois anos enfermo, ele morreu. Contudo, de uma maneira geral Asa é considerado um dos melhores reis de Judá. Seu sucessor foi Josafá.

A situação dos reis de Israel não era muito diferente. Nadab, Nadav em hebraico, reinou somente durante dois anos, por volta de 910 a.C. e 909 a.C. Seu reinado, embora curto, foi marcado por muitos pecados. Ele foi morto por Baasa, da tribo de Issacar, durante uma conspiração, o qual também eliminou toda a sua família. Com isso, a família de Efraim foi extinta.

Baasa, nome que significa “aquele que ouve Baal”, subiu ao trono de Israel após ter assassinado Nadab. Seu reinado durou vinte e quatro anos, tendo começado em 908 a.C. e se estendendo até 885 a.C. Foi um reinado marcado por guerras e pecados de idolatria. O seu sucessor foi seu filho Ela. Durante seu reinado, a capital de Israel foi a cidade de Tersa. A propósito, Baal era um deus pagão cultuado em Canaan. “Todo membro da família de Baasa que morrer na cidade, será comido pelos cães; o que morrer no campo, comê-lo-ão as aves do céu” foram algumas das palavras que Deus falou a Baasa pela boca do profeta Jeú.

Nilson Antônio da Silva

sexta-feira, 13 de março de 2009

17 - Roboão e Jeroboão


Quando Salomão morreu, em 931 a.C., ocorreu um cisma em Israel culminando com a divisão do reino em dois novos reinos. As tribos de Judá e Benjamin, situadas no sul, deram origem ao Reino de Judá. Já as demais tribos, situadas ao norte, deram origem ao Reino de Israel.

Roboão, filho de Salomão, tornou-se o rei de Judá, tendo subido ao trono aos quarenta e um anos de idade, logo após a morte de seu pai. Depois de sua proclamação como sucessor de Salomão, ele foi a Siquém para obter o apoio e o reconhecimento das tribos do norte como rei de Israel. Porém, em Siquém os israelitas afirmaram que só o reconheceriam caso ele retirasse os pesados tributos que haviam sido impostos ao povo por seu pai.

Entretanto, mesmo tendo ouvido os conselhos dos anciãos, que relembram-lhe que a função da autoridade é servir ao povo, ele recusou-se a aceitar a reivindicação do povo e reduzir os tributos. Assim, ele preferir dar ouvidos aos jovens da corte, que o aconselharam a aumentar a opressão e a exploração para não perder a autoridade sobre o povo. Tendo seguido este último conselho, o rei perdeu o povo. Então, houve a divisão do reino. Jerusalém continuou sendo a capital, mas apenas do Reino de Judá, e Siquém passou a ser a capital do Reino de Israel. Posteriormente, Jeroboão faria de Penuel a sua capital. Mais tarde, a capital seria transferida para a cidade de Samaria.

Para controlar a rebelião das tribos do norte, Roboão quis enviar um grande exército para dominá-las. O profeta Semeías, entretanto, interveio e o aconselhou a não realizar essa expedição militar, afirmando-lhe que a divisão do reino foi um fato da vontade de Deus. E ele escutou as palavras do profeta.

No sexto ano de seu reinado, o faraó Sesac (
Sheshonq I) invadiu as terrras de Israel e obrigou Roboão a pagar altos tributos ao Egito.

O reinado de Roboão durou dezessete anos e ele foi sucedido por seu filho Abias, também chamado de Abiam.

Enquanto Roboão reinou em Judá, Jeroboão reinou em Israel. Jeroboão era da tribo de Efraim. Ele havia servido ao rei Salomão durante algum tempo mas, após provocar uma revolta frustrada, teve que se exilar no Egito. Quando Salomão morreu, ele retornou a Israel e, após manobras políticas, acabou sendo proclamado rei pelas dez tribos do norte, que se sentiam subjugadas pelo governo de Jerusalém. No quinto ano de seu reinado, os exércitos de Sesac invadiram seu reino, obrigando-o a também pagar tributos ao Egito.

Um dos atos cometidos por Jeroboão que mais receberam a condenação feroz dos profetas foi a sua decisão de construir dois santuários, um em Dan e outro em Betel, nos quais ele colocou dois bezerros de ouro. Ele havia construído esses santuários para evitar que o povo fosse a Jerusalém para adorar a Deus no templo, pois ele pensava que isso tivesse como conseqüência a reunificação dos dois reinos. Por causa disso, ele proibiu o povo de ir a Jerusalém prestar culto a Deus. Finalmente, ele pôs sacerdotes nos templos que construíra que não pertenciam à tribo de Levi e, portanto, não poderiam ser sacerdotes. Dessa forma, o povo foi levado ao culto dos ídolos. Pela boca do profeta Aías, a palavra de Deus dirigida a Jeroboão foi clara: "Exterminarei a tua casa porque me rejeitaste". Faz-se necessário lembrar que também Roboão instituiu práticas idolátricas em Judá.

O reinado de Jeroboão durou vinte e dois anos e seu sucessor foi Nadab, seu filho.

Após a invasão de Sesac, os dois reinos entraram em franca decadência, e toda a glória dos tempos de Salomão foi perdida. Para completar, ambos foram marcados por guerras contínuas entre Roboão e Jeroboão.

A partir dessa época, começou uma longa e dolorosa história de sofrimentos para o povo, que via seus reis cometerem práticas idolátricas e pecarem contra a palavra de Deus. Como sempre, o povo sofria as conseqüências. Mas Deus, cheio de misericórdia, não deixou o povo desamparado. Foi nessa época que o Senhor enviou inúmeros profetas para consolar e aconselhar o povo e, principalmente, para criticar e condenar as atitudes erradas dos reis. Eles pregavam a penitência, anunciavam castigos caso o povo não se convertesse e prediziam muitos passos da vida do futuro Salvador, o Messias. Para confirmar suas palavras, Deus concedia-lhes o dom de realizarem muitos milagres.

O rei deve ser fiel a Deus, conforme está escrito no versículo 3 do segundo capítulo de Reis: “Guarda os preceitos do Senhor, teu Deus; anda em seus caminhos, observa suas leis, seus mandamentos, seus preceitos e seus ensinamentos, tais como estão escritos na lei de Moisés. Desse modo serás bem-sucedido em tudo o que fizeres e em tudo o que empreenderes” Somente assim ele é capaz de governar com sabedoria e com justiça, isto é, realmente servirá o povo, o qual pertence a Deus. Entretanto, aconteceu exatamente o contrário, pois os reis foram sempre infiéis. Eles fizeram tudo “o que Javé reprova”, ou seja, praticaram a idolatria, entregaram a nação aos estrangeiros, perseguiram os profetas e, finalmente, oprimiram e exploraram o povo. A conseqüência imediata de tudo isso foi uma só: Israel e Judá são levados à completa ruína.

A respeito das datas que marcam os acontecimentos da história de Israel e Judá, é necessário esclarecer que não existe consenso entre os historiadores. Na antiguidade os calendários eram diferentes do nosso calendário e, portanto, as datas não correspondem umas às outras e nem o tempo marcado em anos ou meses corresponde exatamente ao período de tempo que marcamos no atual calendário gregoriano. É muito difícil estabelecer uma data a partir da qual possa ser feita toda a cronologia dos fatos históricos. De qualquer maneira, hoje em dia a maior parte dos historiadores segue as cronologias de
William F. Albright, Edwin R. Thiele ou de Gershon Galil para datar a história do Reino de Israel e do Reino de Judá.

Nilson Antônio da Silva

16 - Salomão


Salomão era filho de Davi e de Betsabé e, após várias disputas políticas, subiu ao trono como sucessor de seu pai, tornando-se o terceiro rei de Israel. Seu reinado durou quarenta anos, tendo início, aproximadamente, em 975 a.C. e terminando, aproximadamente, em 931 a.C. Pela linha de sucessão, o trono deveria ser ocupado por Adonias. Entretanto, os profetas afirmavam que o trono deveria ser ocupado por Salomão, pois fora ele o escolhido por Deus. Este fato gerou várias intrigas e conspirações na corte de Davi. E foi somente com as ações firmes empreendidas por sua mãe, pelo sacerdote Sadoc e pelo profeta Natan que o direito ao trono foi assegurado a Salomão. O próprio Davi, já idoso, aprovou Salomão como seu sucessor. Tendo se tornado rei, Salomão tratou de eliminar todos os seus adversários bem depressa para, então, poder consolidar o seu reinado. Na Antiguidade, eliminar os adversários políticos era algo bem freqüente e comum.

No décimo ano de seu reinado, ele começou a construção do Templo de Jerusalém, obra que exigiu a força de trabalho de um enorme número de israelitas durante sete anos. Quando o templo ficou pronto, Salomão convocou os principais líderes do povo e todo o povo e ordenou o translado da arca da Aliança para o templo. No dia do cortejo, que foi feito com grande pompa, em que todos os sacerdotes e levitas cantavam salmos e o povo festejava, foi imolado um imenso número de ovelhas e bois em sacrifício. A arca foi colocada no local chamado de Santo dos Santos, sendo que aí somente uma vez por ano era permitida a entrada do sumo sacerdote. O templo era muito grande e muito bonito, conforme contam as Sagradas Escrituras. Com o passar do tempo, ele se tornou o referencial maior para o povo de Israel.

Além de tudo isso, Salomão executou várias outras obras, como o palácio real e suas dependências e ainda fortificou as muralhas de Jerusalém e ergueu torres de vigia em diversos pontos. Todas essas obras demandaram elevados recursos os quais, mais tarde, iriam refletir em impostos para o povo.

Salomão se tornou conhecido por sua sabedoria, bem como por ter tido um reinado longo e pacífico. Outro ponto marcante de seu reinado foi a prosperidade que ocorreu em seus dias e as abundantes riquezas. O comércio foi impulsionado, sendo que os israelitas estabeleceram laços comerciais com diversos povos vizinhos. No Golfo de Ácaba, ele mantinha uma frota de navios comerciais muito bem equipada. Conforme narra a Escritura, os cedros utilizados na construção do templo foram importados do Líbano. Apesar de seu reinado ter sido pacífico, ele manteve seus exércitos bem equipados, principalmente com carros e cavalos de guerra.


Ao contrário de seu pai, Salomão não foi e nem precisou ser um grande líder guerreiro. A extensão territorial herdada de Davi foi mantida durante seu reinado. Assim, ele se dedicou a desenvolver as atividades comerciais e também industriais e a melhorar o sistema administrativo, bem como estabelecer e fortalecer as relações diplomáticas com os povos vizinhos. Foi uma dessas alianças políticas que o levou a se casar com a filha do faraó.

No Livro de Reis, é mencionado que ele possuía setecentas mulheres e trezentas concubinas. Naqueles tempos antigos, e ainda mais no oriente, isso era considerado normal e aceito por todos. Por outro lado, de tempos em tempos surgia algum profeta contrário a essas práticas e as condenavam veementemente. E foi devido a esses excessos, os quais conduziram o rei a práticas de idolatria que, já no fim de sua vida, Deus falou-lhe que seu reino seria dividido. E assim aconteceu.

Ao longo dos séculos, várias histórias lendárias sobre a vida de Salomão foram surgindo e sendo contadas pelo povo através das gerações. De todas elas, uma das mais conhecidas é a que narra como o sábio rei julgou a disputa de uma criança por duas mulheres que afirmavam cada uma ser a verdadeira mãe do bebê. Ele ordenou que a criança fosse partida ao meio e cada metade fosse entregue a cada uma das mulheres. Ao ouvir isso, uma mulher gritou desesperada que ele não partisse a criança, mas que a entregasse à outra mulher. Dessa forma, a verdadeira mãe se tornou conhecida, pois somente esta seria capaz de ver seu filho entregue a outra pessoa, vivo, do que vê-lo morto. Outra história trata da visita da rainha de Sabá, um reino que existia na Arábia, a Jerusalém para conhecer a sabedoria do rei Salomão.

O ponto central da história de Salomão está no sonho que ele teve, quando o Senhor apareceu-lhe e disse: "Pede-me o que quiseres e eu te darei". A resposta de Salomão foi: "Senhor, meu Deus, fizeste-me rei, a mim vosso servo! Sou ainda muito novo e inexperiente e o vosso povo é numeroso. Dai-me um coração dócil para que eu saiba governar". Então, o Senhor disse-lhe: "Não me pedes longos dias, nem riquezas, mas sabedoria para bem julgar. Vou atender o teu desejo. Dou-te sabedoria e inteligência como ninguém a teve, nem jamais terá. Dou-te também o que não me pediste: riquezas e glória. E se tu guardares os meus preceitos, como os guardou teu pai Davi, dar-te-ei longos anos de vida".

Nilson Antônio da Silva

15 - Davi


Davi, o mais novo dos oito filhos de Jessé, foi ungido por Samuel para ser o rei de Israel, conforme Deus ordenara ao profeta. Jessé era um homem de vida simples e, portanto, Davi teve uma origem humilde. Conforme narram as Sagradas Escrituras, ele possuía um semblante formoso, tinha cabelos ruivos e era muito gentil. Na língua hebraica, seu nome significa “amado”, “querido”.

Após a unção, Davi foi viver na corte de Saul, exercendo a função de músico. Ele era um hábil tocador de harpa e, assim, foi chamado para suavizar a melancolia que devorava o rei hebreu. Durante uma disputa com os filisteus, Davi conseguiu matar o maior soldado daquele povo usando apenas uma atiradeira. Depois deste acontecimento, ele foi colocado na liderança de várias expedições militares, das quais sempre retornava vitorioso. Jônatas, o provável herdeiro do trono, e Davi se tornaram grandes amigos, o que foi fundamental para que, mais tarde, este último conseguisse o apoio necessário para se tornar o rei de todo o povo de Deus.

Com o passar do tempo, começou a surgir inimizade entre Saul e Davi, sendo que ele acabou sendo expulso da corte e passou a ser perseguido pelo rei. Enquanto isso, Saul entrou em franca decadência e, após sua morte, Davi conseguiu se tornar rei de fato.

Ele passou a governar a tribo de Judá e Isboset, que era filho de Saul, governou as outras tribos pelo curto período de dois anos. Este havia sido proclamado rei de Israel por Abner, o capitão do exército de Saul. Durante esse tempo em que os dois estavam reinando em Israel, o povo se viu mergulhado numa verdadeira guerra civil, a qual só terminou após diversas batalhas e manobras políticas, cujo fim realmente se efetivou com a morte de Isboset. Então, Davi foi escolhido para governar todo o Israel.

Inicialmente, ele teve de enfrentar as constantes invasões dos filisteus e ainda conseguir o reconhecimento e apoio de todas as tribos de Israel. Ele conseguiu unificar, a pedido do povo e através de seu consentimento e sem imposição, todas as tribos sob seu governo. Depois disso, ele fez uma aliança com os sacerdotes de Jerusalém e fez dela a capital de Israel, que anteriormente era a cidade de Hebron. É interessante notar que Jerusalém ainda não pertencia a Israel, portanto sua escolha evitou possíveis ciúmes entre as tribos.

Por esse tempo, Davi começou a consolidar o reino de Israel e a conquistar ainda mais as terras dos filisteus, encurralando este povo cada vez mais junto à costa do Mar Mediterrâneo. Já em idade avançada, Davi quis construir um templo para o Senhor em Jerusalém, cidade para a qual ele já havia levado a Arca da Aliança. Porém, este templo seria construído por Salomão, seu filho e sucessor.

Davi governou Israel por quarenta anos. Ele é considerado o rei ideal, ou seja, aquele que obedece a Deus e serve ao povo. Sem dúvida, foi um político hábil, que conseguiu a simpatia do povo, estando ao seu lado para protegê-lo, defendê-lo e guiá-lo. A história vê em Davi o modelo da autoridade política justa.

Além disso, ele foi um grande poeta, tendo escrito vários salmos, e foi também de uma grande popularidade em seu tempo e durante os séculos que se seguiram. Quando se lê a sua história, é possível observar o quanto ele fez de coisas boas e também o quanto aprontou com atos nada éticos e muito menos heróicos. Sua vida foi marcada por incidentes dos mais inimagináveis possíveis, numa surpreendente sucessão de contradições de comportamento difícil de entender pelos nossos padrões sociais. Nele podiam se encontrar paixão e altivez, generosidade e ternura, determinação e coragem e, tudo isto, numa mistura que parece à primeira vista das mais explosivas. Entretanto, foi desta complexidade que brotaram as qualidades de estadista, soldado, poeta, sacerdote, profeta e rei.

Na história de sua vida podemos ver claramente o desenrolar da aventura humana, ou seja, todas as fraquezas e forças que permeiam a nossa vida, com seus momentos de alegria, dor, fidelidade e queda. Seu nome é citado em vários livros da Bíblia mas, para conhecer melhor sua história, é só ler os livros de Samuel, os quais narram detalhadamente o período de transição do modelo de governo tribal para o governo monárquico.

Finalmente, é preciso ressaltar que o ponto mais importante de sua história é a profecia de Natã, onde o profeta anuncia que o trono de Jerusalém sempre será ocupado por um messias (rei ungido) da família de Davi. Esta profecia teve seu pleno cumprimento em Jesus, o Messias. Os Evangelhos, ao apresentarem Jesus como descendente de Davi, mostram que ele é o Messias esperado, que veio ao mundo para reunir todos os homens e levá-los à vida plena e eterna.

Nilson Antônio da Silva

14 - Samuel


Samuel, o último dos juízes israelitas e o primeiro profeta registrado na história do povo de Deus, viveu em um momento muito importante da história de Israel, entre 1040 e 971 antes de Cristo, época em que o povo passou do sistema de governo tribal para o sistema monárquico. Esta mudança trouxe conseqüências imensas, principalmente refletidas na cobrança de impostos para sustentar o poder real e, além de tudo, com o uso da religião como forma de sustentar a ideologia do Estado, o qual passa a controlar a economia e a política.

Samuel era filho de Elcana e de Ana, da tribo de Efraim. Em agradecimento a Deus, sua mãe o entregou aos cuidados do sacerdote Eli para que o menino permanecesse servindo no santuário de Silo. Neste santuário, Deus se revelou a Samuel e fez dele um profeta. A fama de Samuel se espalhou e, além de profeta, ele foi o último dos juízes de Israel.

Nessa época, surgiram diversos conflitos com os filisteus, que passaram a invadir as terras dos israelitas e, inclusive, chegaram a tomar a Arca da Aliança. Tudo isso foi causa de constantes batalhas com aquele povo. Além do mais, os israelitas dependiam muito dos filisteus, os quais dominavam a tecnologia do ferro e da fabricação de armas e de instrumentos agrícolas.

Quando Samuel já estava em idade avançada, o povo de Israel pediu a ele que lhes desse um rei para governá-lo. A princípio relutando, Samuel concordou e escolheu Saul para ser o primeiro rei de Israel. Saul foi um homem corajoso mas, com o tempo, cometeu muitos erros e desobedeceu a Deus. Um erro grave que ele cometeu foi a usurpação de uma função própria de Samuel, quando ofereceu o sacrifício a Deus. Esta função era própria do sacerdote e não do rei. A partir daí, a autoridade de Saul começa a declinar. Então, Samuel escolheu Davi para ser o novo rei de Israel.

É interessante notar que o Livro de Samuel traz duas versões distintas do surgimento da autoridade política central: a primeira versão é contrária e hostil à monarquia, pois representa a visão mais democrática das tribos do Norte; a segunda versão é favorável à monarquia, e representa a visão da tribo de Judá, que vivia nas terras menos produtivas do sul. Analisando as duas versões, é possível concluir que a autoridade é um mal necessário e, ao mesmo tempo, um dom de Deus. Assim, o Livro de Samuel oferece uma visão muito crítica da autoridade política, ao mesmo tempo em que mostra que somente Deus é o único rei sobre o seu povo. Ou seja, a autoridade do rei humano somente tem legitimidade quando este se torna um representante de Deus, isto é, se torna aquele que serve a Deus através do serviço ao povo. Neste sentido, a boa autoridade é aquela que reúne, lidera e protege o povo, ao mesmo tempo em que o organiza e promove a vida social respeitando a justiça e o direito. Portanto, “qualquer autoridade que não obedece a Deus e não serve ao povo é ilegítima e má, pois acaba ocupando o lugar de Deus para explorar e oprimir o povo.”

Samuel foi um homem cuja vida foi marcada por uma profunda piedade e por um elevado discernimento espiritual. A realização dos propósitos de Deus para o bem do povo de Israel foi o objetivo e razão maior de sua vida.

Ao que parece, o livro de Samuel foi escrito no início do período monárquico, dadas as afirmações as quais demonstram estar bem próximas da época em que o juiz e profeta viveu. Tradicionalmente, a autoria de seus dois livros é atribuída ao próprio Samuel.

Leia o Primeiro Livro de Samuel e observe com atenção como Deus instruiu seu povo a respeito da autoridade e como o povo fez suas escolhas.

Nilson Antônio da Silva

13 - Rute


A história narrada no Livro de Rute, que foi escrito em Judá em meados do século V antes de Cristo, se passa no tempo dos Juízes, numa época em que uma grande fome assolou o país inteiro. Segundo Josefo, um historiador judeu do primeiro século da era cristã, a história se passa na época do sacerdote Eli. Entretanto, não há evidências o suficiente para sustentar essa afirmação.

Naquele tempo, um homem chamado Elimelec foi com Noemi, sua esposa, e seus dois filhos morar no país de Moab. Lá os filhos se casaram com moças moabitas, uma das quais chamada Rute. Passados alguns anos, Noemi ficou viúva e, algum tempo depois, seus filhos também morreram. Então, ela e Rute decidem retornar a Israel. Já em casa, começam a passar por necessidades, visto a pobreza em que ficaram. Então, Rute foi trabalhar recolhendo restolhos de trigo das colheitas nas terras de Booz, um parente de Noemi. Devido a um direito previsto nas leis da época, Booz se casou com Rute algum tempo depois. Do casamento, nasceu um menino chamado Obed, que foi o avô de Davi. Assim, Rute se torna antepassada de Jesus, sendo que o Evangelho de Mateus menciona seu nome em sua genealogia.

A história de Rute é marcada pela coragem e pela caridade, pela luta e pela perseverança. Nem Rute e nem Noemi desanimam diante das fatalidades e dificuldades da vida. Ao contrário, lutam pela sobrevivência e pela busca de um futuro melhor, apesar de tudo. É marcante ainda a solidariedade e a caridade com que Booz a acolhe e deixa seu coração encher-se de compaixão por ela. Num ato gratuito de acolhimento, ele põe suas capacidades a serviço da luta pelos mais pobres e necessitados. Outro ponto importante é que Deus sempre age através dos mais humildes e pequeninos, manifestando neles e por eles a sua justiça e a sua misericórdia. Davi, que foi o grande rei de Israel, teve uma origem humilde. E Jesus, o maior de todos os reis, também escolheu nascer de uma família humilde.

Também é interessante observar que o Livro de Rute aborda a Lei na perspectiva do serviço à vida e não se ocupa nem se preocupa com o santuário, com o culto e os sacrifícios. Jerusalém nem sequer entra na história e Belém, “a menor entre as cidades de Judá”, é o lugar central onde se desenvolvem os acontecimentos. Alguns séculos mais tarde, naquela pequena cidade nasceria o Filho de Deus feito homem!

Outra observação diz respeito à atitude de extremo nacionalismo presente nos Livros de Esdras e Neemias, nos quais há a proibição de casamento de judeus com mulheres estrangeiras e inclusive a dispensa das mulheres não israelitas já casadas com judeus. Essa proibição fundamentava-se na necessidade e na busca da preservação da identidade e da fé do povo judeu quando este retornou do exílio na Babilônia. Dentro do contexto histórico da época, é possível compreender esta atitude. O Livro de Rute, entretanto, afirma que esta não é a solução, uma vez que se trata da discriminação contra as mulheres estrangeiras. Então, mostra que a melhor solução é a integração delas ao povo eleito.

Quando o Livro de Rute foi escrito, os israelitas haviam retornado do exílio na Babilônia e passavam por um tempo muito difícil, que exigia sérias reformas e o recomeço de tudo para poderem retomar a sua vida normal. Assim, a história de Rute servia como um ponto de apoio e um exemplo que podiam seguir em suas vidas. Este livro, que tem apenas quatro capítulos, está entre o Livro dos Juízes e o Primeiro Livro de Samuel. Vale a pena ler e meditar esta pequena e tão bela história!

Nilson Antônio da Silva

quinta-feira, 12 de março de 2009

12 - Os Juízes


A história dos Juizes está situada entre 1200 a 1020 antes de Cristo. Os juízes governaram o povo hebreu desde a época da morte de Josué até o início da monarquia. Foi um tempo cheio de dificuldades, com a continuação da conquista da Terra Prometida. Durante todo esse tempo, as tribos são governadas por chefes que tem um cargo vitalício, geralmente chamados de juízes menores. Quando surgem grandes dificuldades, aparecem chefes carismáticos, chamados de juízes maiores, os quais unem e lideram as tribos na luta contra os inimigos.

Canaan, a Terra Prometida, é uma região de contrastes, com montanhas geladas ao norte e, mais ao sul, praias mediterrâneas com temperaturas bem mais elevadas e extensos desertos que se perdem rumo ao Egito. Já as proximidades do Mar Morto se encontram numa depressão de cerca de quatrocentos metros abaixo do nível do mar Mediterrâneo. O Mar Morto atualmente possui uma área de 1050 quilômetros quadrados, pouco menor do que o município de Santo Antônio do Monte. Na antiguidade, entretanto, ele era um mar bem mais extenso. Somente nos últimos cinqüenta anos, foi constatada a perda de mais de um terço de sua superfície. Nos tempos do Antigo Testamento, ele foi chamado de Mar Salgado, de Mar Oriental e também de Mar de Arabá. Já o Mar da Galiléia, que é alimentado pelas águas do Rio Jordão, possui cerca de treze quilômetros de largura e atinge até dezenove quilômetros de comprimento. Este mar, na realidade, é um imenso lago de água doce. Ele também está há mais de duzentos metros abaixo do nível do mar. Em suas proximidades encontram-se terras férteis que formam belas paisagens.

Mais ao norte das terras de Canaan, fica uma região repleta de colinas e de montes mais elevados. Um planalto inabitável, hoje chamado de Colinas de Golan, fica nesse local, sendo formado por montanhas que permanecem cobertas de neve constantemente. Nas terras mais baixas, como nas proximidades do Mar da Galiléia, o clima é úmido e aí ocorrem muitas chuvas. Em contraste, as terras do sul são mais secas, em alguns pontos extremamente áridas, embora também sejam montanhosas. Nas terras que futuramente seriam a Samaria e parte da Judéia, existe um verdadeiro mosaico de colinas entremeadas por vales férteis, propícios ao cultivo de vários tipos de plantas, especialmente oliveiras. A vegetação nativa era constituída de florestas em alguns locais, nas quais podiam ser encontrados desde carvalhos até madressilvas e plátanos nas margens dos córregos. Já as tamareiras podiam ser encontradas em quase toda parte! Vários tipos de flores silvestres podiam ser admiradas nas colinas e planícies, como ciclames e margaridas, nas quais mais de cem variedades de borboletas brincavam nos dias de primavera! Pássaros diversos, como rouxinóis, falcões, gaviões e até mesmo pintassilgos, são típicos dos céus de Canaan. Pelas colinas e bosques podiam ser encontradas gazelas e raposas, gatos do mato e cabras selvagens, dentre outros vários animais.

É interessante observar que, nas terras de Canaan, em poucos minutos é possível passar de campos férteis e úmidos a desertos secos e desolados, ou então de montanhas e colinas a planícies e vales verdejantes. Naturalmente, naqueles tempos em que os únicos meios de transporte eram a pé ou a cavalo, isso não podia ser feito em poucos minutos, mas em horas e dias!

Os hebreus, ao chegar à Terra Prometida, encontraram ainda um clima que variava entre o temperado e o tropical, com a ocorrência de um inverno chuvoso, de novembro a maio, e de um verão seco nos meses restantes. Dependendo do local, é claro, as diferenças são bem marcantes no que se refere à quantidade de chuvas, de calor ou de frio.

E foi naquelas terras distantes, tão diferentes das paisagens brasileiras a que estamos acostumados, que o povo de Deus chegou para se estabelecer e lutar arduamente na construção de sua nação.

A grande dificuldade enfrentada pelos juízes no governo do povo era a infidelidade a Deus por parte deste mesmo povo, que muitas vezes se voltava para o culto aos deuses pagãos. Os povos que viviam naquelas terras, desde tempos imemoriais, tinham seus próprios deuses e a eles prestavam cultos muitas vezes cruentos, isto é, com sacrifícios de crianças. O povo de Deus, muitas vezes, rebelou-se e começou a prestar culto àqueles deuses, numa atitude de infidelidade aos mandamentos do Senhor. Outra dificuldade para os hebreus era enfrentar e vencer os povos cananeus que ainda resistiam.

Os juízes menores são: Samgar, Tola, Jair, Abesã, Elon e Abdon. Os juízes maiores são: Otoniel, Aod, Débora e Barac, Gedeão, Jefté e Sansão. Dos mais conhecidos, destacamos as seguintes histórias:

Débora conseguiu a vitória sobre os reis cananeus que habitavam as terras centrais e, assim, possibilitou a união entre as tribos do norte e as do sul. Gedeão, que a princípio relutou em assumir a liderança dos hebreus, tentou reorganizar o povo e conseguiu vencer os reis de Madiã. Sansão lutou contra os filisteus, que haviam se estabelecido na região costeira e se tornaram uma ameaça séria ao sistema tribal. Em meio a uma história de amor por Dalila, Sansão foi entregue aos filisteus e acabou sendo morto.

O tempo dos juízes termina com o início das atividades do profeta Samuel, considerado o último dos Juízes. Foi com Samuel que começou a monarquia em Israel. Segundo alguns estudiosos, talvez o livro dos Juízes tenha sido escrito pelo próprio Samuel; já outros afirmam que este livro foi escrito durante o exílio na Babilônia e que seu autor é desconhecido.

Para conhecer mais detalhes, leia o Livro dos Juízes.

Nilson Antônio da Silva

11 - Josué


Por volta de mil e trezentos anos antes de Cristo, os hebreus chegaram a Canaã liderados por Moisés. Após sua morte, a liderança do povo foi dada por Deus a Josué, a quem coube conduzir os hebreus na conquista e na partilha da Terra Prometida. A conquista de Canaã foi um processo lento e longo, às vezes pacífico, outras vezes violento, que durou cerca de dois séculos e somente terminou nos tempos do rei Davi.

Josué significa “Javé Salva” ou “Javé é a Salvação”. Na transliteração para a forma latina, deu origem ao nome Jesus. Josué era filho de Num, da tribo de Efraim.

Quando os hebreus chegaram a Canaã, encontraram uma terra já habitada por diversos povos que viviam em cidades que tinham total autonomia política e econômica e, muitas vezes, viviam envolvidas em constantes conflitos entre si. Cada uma tinha seu próprio rei e cada uma era independente em relação às outras. Assim, os hebreus tiveram que lutar para conquistar todas essas cidades ou, então, tiveram que fazer alianças com as mesmas para se estabelecerem na Terra Prometida. As famílias dos filhos de Jacó receberam cada uma um determinado território o qual teve que ser conquistado de outros povos que já viviam nele.

O santuário de Guilgal, nas proximidades de Jericó, é o local onde primeiramente se desenvolvem os principais acontecimentos da história de Josué. Em seguida, é apresentada a descrição da partilha da terra entre as famílias e, finalmente, o livro traz o último discurso de Josué e sua morte e a aliança que foi feita em Siquém. Essa aliança foi um compromisso do povo hebreu em servir somente ao Deus Vivo e não se envolver com as práticas idolátricas, exploratórias e imorais dos povos que habitavam em Canaã.

O mais importante da história de Josué é o fato de que Deus deu a Terra Prometida ao povo hebreu, mas este mesmo povo teve que conquistar a terra dada pelo Senhor. Deus deu a terra, mas não suprimiu a iniciativa e a liberdade do povo para conquistá-la. A Terra Prometida foi o fruto da promessa feita a Abraão e foi dom de Deus, mas também foi o fruto da luta e da conquista do povo hebreu. Em outras palavras, Deus dá ao ser humano tudo o que ele aspira, mas requer que cada um batalhe para conquistar tudo que deseja. Deus não quer pessoas de braços cruzados esperando que tudo caia do céu; Deus quer pessoas com braços batalhando na conquista árdua de cada dia, capazes de lidar com as vitórias e com as derrotas.

Josué foi uma pessoa que esteve muito próxima de Moisés, com quem subiu ao Monte Sinai. O hagiógrafo registra que quando Moisés entrava no tabernáculo para falar com Deus, o ainda jovem Josué dali não se afastava. Pode-se afirmar que Josué foi um filho espiritual do grande legislador, de quem sempre esteve ao lado.

Para conhecer esta história em detalhes, leia o Livro de Josué. Na próxima semana, saiba como o povo de Israel se organizou após a morte de Josué conhecendo a história dos Juízes.

Nilson Antônio da Silva

terça-feira, 10 de março de 2009

10 - Moisés - 2ª Parte


Tendo Moisés levado os hebreus para fora do Egito, o faraó Ramnsés arrependeu-se de tê-los deixado partir e pôs-se a persegui-los. Diante do Mar Vermelho, Deus disse a Moisés que ordenasse às águas que se abrissem e, então, o povo pôde atravessar a pé enxuto. Quando os egípcios puseram-se a persegui-los, Deus fez as águas se precipitarem e os egípcios morreram afogados. Durante essa fuga, Deus ergueu uma imensa coluna de nuvem que separava os hebreus dos egípcios. Para os hebreus, era uma nuvem luminosa; para os perseguidores, era uma nuvem terrivelmente negra de onde brotavam relâmpagos e trovões.

Certo dia, Deus chamou Moisés ao Monte Horeb e, então, deu-lhe as tábuas dos Dez Mandamentos. Porém, enquanto Moisés estava no monte, o povo encheu-se de impaciência e, então, convenceu Aarão a construir um bezerro de ouro para que pudesse prestar-lhe culto como se fosse a Deus. Nestas palavras se expressou o povo de Deus: “Faze-nos um deus que marche à nossa frente, porque a esse Moisés, o homem que nos fez subir do país do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu.” Aqui faz-se necessário uma pequena observação a respeito de um provérbio antigo, isto é, nem sempre a vontade do povo é a vontade de Deus.

Moisés, ao descer e ver a desobediência do povo, decepcionado e furioso, quebrou as tábuas da lei e destruiu o bezerro. O ato de adoração do bezerro foi um pecado gravíssimo que os hebreus cometeram contra Deus. Moisés, consciente dessa gravidade, suplicou ao Senhor que não os destruísse por causa do ato de pecado que cometeram. Deus teve misericórdia e continuou a conduzir os hebreus. Porém, a conseqüência desse pecado foi que o povo teve que permanecer quarenta anos no deserto antes de chegar à Terra Prometida.

Enquanto o povo caminhava pelo deserto, Moisés ia instruindo os hebreus conforme Deus lhe mostrava. Nesse tempo, foi construída a Arca da Aliança, a qual era levada pelo povo aonde este ia. Enquanto permaneceram no deserto, Deus mandava-lhes o maná, um tipo de pão que caía do céu. Mesmo assim, muitas vezes queriam voltar à escravidão no Egito, onde diziam que estavam melhor do que ali no meio do deserto.

Mesmo passando por imensas dificuldades, Moisés conseguiu conduzir os hebreus até à Terra Prometida, onde hoje é Israel. Contudo, Moisés não teve permissão de Deus para entrar nessa terra, por causa de uma vez ele ter duvidado quando o Senhor disse-lhe que tirasse água de uma rocha para dar ao povo. Na ocasião, ele havia batido na rocha duas vezes, o que demonstrou sua dúvida diante da palavra de Deus.

A história dos hebreus no deserto é uma narrativa de conquistas e de derrotas, de pecados e de perdão, de erros e de ensinamentos. Enfim, é Deus manifestando seu amor e carinho por seu povo, que muitas vezes tudo que faz é reclamar contra o Senhor. É uma história de fé e de esperança, com alegrias e tristezas, assim como é a vida. É ainda uma história de fidelidade, em que Deus é fiel ao povo e o povo luta para superar suas fraquezas e também ser fiel ao Senhor.

Moisés foi um grande líder, que soube ter compaixão de seu povo e nunca desistiu de guiá-lo, mesmo convivendo com suas fraquezas e seus erros constantes. Ele foi chamado por Deus a assumir uma missão, a qual aceitou e entregou sua vida à vontade do Senhor. Como todos nós, também teve seus momentos de alegria e dor, de satisfação e de decepção. Foi enérgico quando era preciso ser enérgico, mas também foi extremamente compassivo quando era preciso ser compassivo. Quis desistir de tudo, de sua missão e de seu povo, mas em seu coração soube compreender a fraqueza de seus irmãos e por eles suplicou a Deus. E, assim, não desistiu!

Moisés, contudo, não fez tudo sozinho. Desde o começo de sua missão, Aarão esteve ao seu lado. Nem o episódio do bezerro de ouro fez com que Moisés desistisse da confiança em Aarão, o qual tornou-se sacerdote e do qual todos os sacerdotes judeus seriam os sucessores.

Moisés teve uma vida longa, a qual durou cento e vinte anos, conforme narra a Sagrada Escritura. Na Bíblia, especialmente nos livros do Antigo Testamento, a longevidade sempre foi interpretada como sinal da graça de Deus e de seu amor para com a pessoa. Sua missão, também, foi iniciada quando ele já estava com a idade de quarenta anos, ou seja, Deus tem o momento certo para chamar cada pessoa.

Para conhecer melhor esta bela história, leia-a nos livros do Êxodo e dos Números.

Nilson Antônio da Silva

09 - Moisés - 1ª Parte


Passaram-se mais de quatro séculos desde que Jacó fora para o Egito com toda a sua família e, durante este tempo, seus descendentes se multiplicaram e formaram um povo numeroso. Os hebreus se estabeleceram nas terras do delta do Nilo, numa área de terras muito férteis que propiciavam abundantes colheitas. Naquela época, o Egito se tornara uma grande potência internacional, cujos domínios se estendiam para o sul até as terras da Núbia e, ainda, até as terras do Levante a leste. Alguns dos mais conhecidos faraós da história são daquela época, como Hatchepsut, Tutmés III, Akhenaton e sua mulher Nefertiti, Tutankhamon e Ramsés II. Akhenaton foi o faraó que, por volta de 1.350 a.C., havia implantado o monoteísmo no Egito ao fazer do deus Aton a única divindade a ser adorada em seus domínios. Essa tentativa, entretanto, enfrentou a acirrada oposição dos inúmeros sacerdotes e, após sua morte, os cultos tradicionais retornaram ao cotidiano do povo. É atribuido a esse faraó o Hino a Aton, o qual apresenta semelhanças bem próximas com o Salmo 104.

Com o decorrer do tempo, os egípcios, temerosos com o aumento dos hebreus, tornaram-nos escravos e os submeteram a muitos maltratos. Para interromper o aumento da população hebraica, o faraó ordenou que todos os filhos homens que nascessem nas famílias israelitas deveriam ser mortos. Somente as meninas eram poupadas. De forma cruenta, essa ordem do faraó foi cumprida. Um recém-nascido, contudo, foi mantido escondido das autoridades durante três meses por seus pais. Quando não podiam mais escondê-lo, estes o puseram dentro de um cesto e o lançaram nas águas do Nilo. A mãe se chamava Joquebed e o pai do bebê se chamava Anrão. O menino foi achado pela filha do faraó, que o adotou e o educou como um príncipe do Egito. Sua mãe tornou-se a sua ama e, mesmo tendo sido educado como um egípcio, a filha do faraó não ignorava que ele fosse um hebreu.

Aos quarenta anos, esse príncipe teve que fugir para as terras montanhosas de Madiã, pois ele havia matado um feitor egípcio que maltratara um escravo hebreu. Nessa terra de exílio, Moisés se casou com uma filha do sacerdote Jetro, chamada Seforá.

Passaram-se quarenta anos... o faraó que perseguia Moisés morreu... mas os egípcios continuavam a maltratar o povo hebreu. Deus, então, viu todo o sofrimento a que era submetido seu povo e encheu-se de compaixão. Era por volta do ano 1.250 a.C.

Certo dia, quando Moisés estava pastoreando seus rebanhos nas encostas do Monte Horeb, Deus apareceu-lhe numa sarça ardente e disse a ele que levasse todos os hebreus de volta à terra de Canaã, a terra prometida. Do meio do fogo que ardia e não consumia a planta, o Senhor se apresentou a Moisés dizendo o seu nome “EU SOU.”

Moisés, obediente à palavra do Senhor, levou consigo Aarão, seu irmão, e foi ao faraó pedir que permitisse a saída dos hebreus do Egito. O faraó, entretanto, não permitiu, pois eles eram a força de trabalho utilizada nas construções. Então, Deus ordenou a Moisés que lançasse dez pragas sobre o Egito: a transformação das águas do Rio Nilo em sangue, a invasão das rãs, a invasão dos mosquitos, a invasão das moscas, a peste que atingiu os animais, o aparecimento de chagas e úlceras em homens e animais, a chuva de pedras, o ataque dos gafanhotos, a escuridão durante três dias e, a última praga, a morte dos primogênitos do Egito.

Enquanto as pragas iam acontecendo, o coração do faraó foi perdendo a sua dureza e, após a décima praga, que matou inclusive seu filho, este permitiu que Moisés retirasse os hebreus do Egito. Na noite da morte dos primogênitos, Moisés mandou que os hebreus marcassem suas portas com sangue, para que os primogênitos de Israel fossem poupados. Naquela noite, todos os israelitas comeram às pressas, pois deveriam sair do Egito em breve. Foi a primeira Páscoa. Depois que Moisés saiu do Egito com o povo, o faraó resolveu persegui-los.

Leia mais sobre esta primeira parte da história de Moisés nos capítulos 1 a 13 do livro do Êxodo.

Nilson Antônio da Silva

08 - José do Egito



José foi o décimo primeiro filho homem de Jacó e foi aquele a quem este mais amava. Raquel teve dois filhos, José e Benjamim, sendo que ela morreu ao dar a luz a este último. Jacó tinha uma afeição muito grande por José, sempre protegendo-o e dando-lhe presentes e agrados. Assim, seus demais filhos sentiam muita inveja dele.

Nilson Antônio da Silva

segunda-feira, 9 de março de 2009

07 - Jacó


Esaú e Jacó eram gêmeos, filhos de Isaac e Rebeca. Conforme narram as Escrituras, Esaú era mais alto, robusto e peludo, enquanto que Jacó possuía a pele lisa e era belo. Esaú se tornou um caçador e por ele Isaac tinha maior afinidade. Quanto a Jacó, este tinha maior afinidade com Rebeca, tendo se tornado um pastor.

Por ter nascido primeiro, Esaú tinha o direito de primogenitura, muito considerado em todo o Oriente durante a Antiguidade. Este direito de primogenitura garantia ao filho mais velho a herança de todos os bens da família, bem como a sua liderança. Os demais filhos, caso não quisessem permanecer sob a liderança do irmão mais velho, deveriam procurar seus próprios rumos.

Ora, ocorreu que, certa vez, Esaú abriu mão de seu direito em troca de um prato de comida oferecida por Jacó. Embora aparentemente um episódio sem grandes significados, suas conseqüências repercutiriam com o decorrer do tempo.

Estando Isaac já em idade avançada, havia chegado a hora de abençoar o seu primogênito passando a este todos os direitos sobre a herança e a liderança de sua casa. Então, Isaac pediu a Esaú que lhe preparasse uma caça, sendo que a bênção lhe seria dada em seguida. Rebeca, tendo ouvido a conversa, resolveu interferir em favor de Jacó. Enquanto Esaú estava caçando, ela orientou Jacó para que este recebesse a bênção em lugar de seu irmão. Ela preparou uma refeição e, após fazer com que Jacó se cobrisse com uma pele de cabra para que se parecesse peludo como seu irmão era, mandou que o filho fosse ter com Isaac. O velho Isaac, já quase cego, acabou por abençoar o filho mais novo pensando que estava abençoando Esaú.

Ao voltar da caçada e tomar conhecimento do acontecera, Esaú ficou furioso e jurou matar Jacó. Assim, Jacó teve que fugir e se esconder da fúria do irmão. Ele estava com a bênção, entretanto ficara sem a herança. E quanto a Rebeca, ele nunca mais tornou a vê-la.

Enquanto vagava pelas terras do Oriente Médio, Jacó teve um sonho em que via uma escada ligando a terra ao céu. Anjos luminosos subiam e desciam a escada. Então, ele viu diante de si o Senhor Deus, que afirmou-lhe: "Tua descendência se tornará numerosa como a poeira do solo; estender-te-ás para o ocidente e o oriente, para o norte e para o sul e todos os clãs da terra serão abençoados por ti e por tua descendência.” Então, Jacó compreendeu que Deus estava com ele e que queria seu bem. Ao local em que estava quando teve este sonho, Jacó deu o nome de Betel, que significa “casa de Deus” em hebraico. Alguns séculos mais tarde, seria construído aí um santuário para Javé.

Jacó estava morando com Labão, que era seu tio, nas terras de Padam-Aram. Enquanto vivia na casa de seu tio, apaixonou-se por Raquel, sua prima. Para poder se casar com Raquel, ele ofereceu seus serviços a Labão durante sete anos. Findo esse longo tempo, ele pôde se casar. Entretanto, Labão o enganou e fez com que ele se casasse com Lia, que era a irmã mais velha de Raquel.

Ao descobrir que fora enganado, Jacó não desanimou. Trabalhou outros sete anos para Labão até que, finalmente, conseguiu se casar com Raquel. Naquele tempo, a poligamia era comum, como ainda hoje é comum na cultuara árabe.

De certa forma, ao trabalhar para Labão, Jacó vai então pagar as trapaças e fraudes que ele fizera no passado, sofrendo sob as espertezas do tio.

Passado algum tempo, Jacó ajuntou as esposas, filhos, servos e um grande rebanho e resolveu deixar a casa de seu sogro. Enquanto voltava, Jacó encontrou-se com um homem misterioso, ao qual ele pedira que o abençoasse. O homem, entretanto, recusara-se a fazer isso. Jacó havia percebido que se tratava de Deus e, por isso, tanto desejava a sua bênção. Assim, ele lutou com o homem misterioso durante a noite inteira, sendo que finalmente conseguiu que este o abençoasse. Além disso, o Senhor deu a Jacó um nome novo, Israel. Israel significa “aquele que lutou com Deus”. Logo no dia seguinte, Jacó encontrou-se com Esaú, que já o havia perdoado há tempos.

Jacó teve doze filhos homens e uma filha mulher. O predileto de Jacó era José, filho de Raquel. Seus demais filhos se chamavam Rubem, Simeão, Levi, Judá, Dã, Neftali, Gade, Aser, Issacar, Zabulon e Benjamin. A filha se chamava Dina.

Jacó foi o terceiro patriarca. Seu nome foi pronunciado por Deus a Moisés no Monte Sinai, quando o Senhor afirmou: “Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó.” Jesus, ao falar sobre a ressurreição, reafirmou o mesmo e ainda mais: “Deus é Deus dos vivos e não dos mortos.”

Nilson Antônio da Silva

sábado, 7 de março de 2009

06 - Isaac


Sara, esposa de Abraão, deu à luz Isaac quando já estava em idade avançada. Ora, alguns anos antes, Abraão tivera um filho com Agar, sua serva, como era costume naquele tempo quando a esposa legítima era estéril. Quando isso acontecia, o filho gerado pela escrava pertenceria à sua senhora, neste caso, a Sara. O menino nascido de Agar recebeu o nome de Ismael. Entretanto, todo esse processo gerou somente amargura para Sara, pois Agar passou a desprezá-la.

Quando Isaac foi desmamado, Sara disse a Abraão que expulsasse Agar e Ismael, alegando que os dois não seriam herdeiros da promessa juntamente com Isaac. Abraão, muito contrariado e também surpreso com a exigência de sua esposa, expulsou Agar e Ismael. Ora, Ismael também era seu filho. Mas Deus o consolou, dizendo: “Não te preocupes com o menino e com a tua escrava. Faze tudo o que Sara te pedir, pois é de Isaac que nascerá a posteridade que terá o teu nome. Mas do filho da escrava também farei um grande povo, por ser de tua raça.” Assim, Ismael se tornou o pai dos povos árabes, pois Deus cuidou dele em toda a sua vida.

O tempo foi passando e Isaac ia crescendo em graça e santidade. Por essa época, Deus apareceu a Abraão dizendo-lhe: “Toma teu filho, teu único filho a quem tanto amas, Isaac; e vai à terra de Moriá, onde tu o oferecerás em holocausto sobre um dos montes que eu te indicar.” Abraão obedeceu à palavra do Senhor e assim fez. No lugar indicado, onde hoje encontram-se as ruínas do templo de Jerusalém, construiu um altar, tomou Isaac e o pôs em cima para sacrificá-lo. Erguendo a mão para realizar o sacrifício, do céu o anjo do Senhor gritou-lhe: “Não estendas a tua mão contra o menino, e não lhe faças nada. Agora eu sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu próprio filho, teu filho único.” Abraão obedeceu e, olhando para o lado, viu um cordeiro preso nos arbustos, o qual ele tomou e ofereceu em sacrifício a Deus. Pela segunda vez, Deus falou a Abraão: “Juro por mim mesmo, diz o Senhor: pois que fizeste isto, e não me recusaste teu filho, teu filho único, eu te abençoarei. Multiplicarei a tua posteridade como as estrelas do céu, e como a areia na praia do mar. Ela possuirá a porta dos teus inimigos, e todas as nações da terra desejarão ser benditas como ela, porque obedeceste à minha voz.” O cordeiro preso nos arbustos, o qual Abraão tomou e sacrificou a Deus no lugar de Isaac, é figura de Jesus, que se entregou à morte para salvar a humanidade. É maravilhoso ver que, cerca de dois mil anos antes, Deus revelava à humanidade este sinal de seu amor incondicional para conosco!

Este fato foi um ato heróico de extrema fidelidade a Deus e obediência ao primeiro mandamento, isto é, “amar a Deus sobre todas as coisas”, o qual mereceu ao patriarca que Deus renovasse com ele sua aliança.

Abraão voltou para casa e Isaac cresceu e se tornou homem feito. Já em idade de se casar, Abraão enviou um servo chamado Eliezer para procurar uma noiva para Isaac. Este servo, após orar a Deus, encontrou Rebeca, filha de Betuel, a qual aceitou casar-se com Isaac e partiu para a casa de Abraão. Lá, Isaac e Rebeca se casaram. Com a graça de Deus, Rebeca concebeu e deu à luz Esaú e Jacó. Rebeca é descrita na escritura sagrada como uma mulher belíssima, gentil e determinada.

Depois da morte de Sara, Abraão viveu ainda muitos anos, conforme narrado no capítulo 8 de Genesis “numa ditosa velhice e em avançada idade e cheio de dias; e foi unir-se a seu povo”. Quando ele faleceu, foi sepultado junto a Sara.

Nilson Antônio da Silva

05 - Abraão - 2ª Parte


Em Haran, certo dia, Deus disse a Abrão: "Sai da tua terra e da casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar. Em ti serão abençoadas todas as nações da terra". Obedecendo ao Senhor, ele, sua mulher Sarai e seu sobrinho Ló saíram e foram para a terra de Canaan, na Palestina, onde hoje se encontra o Estado de Israel. Lá chegando, Abrão ergueu uma tenda debaixo do carvalho de Mambré, em Siquém, onde passou a morar. Certo dia, apareceu-lhe o anjo do Senhor, dizendo-lhe: “Darei esta terra aos teus descendentes.” Depois de certo tempo, Abrão partiu rumo ao sul, indo morar num local entre Betel e Ai. Nesse local ele se estabeleceu com suas tendas e também aí ergueu um altar a Deus. Passado algum tempo, ele novamente rumou para o sul, talvez até Salém. Entretanto, a Bíblia não menciona claramente onde ele teria se estabelecido dessa vez, mas apenas diz que havia fome naquele lugar. Por essa razão, Abrão e todo o seu acampamento se retirou para o Egito. Algum tempo depois, o patriarca e sua família retornaram a Canaan, para o local onde estiveram antes da ida para as terras do faraó, isto é, possivelmente nas proximidades de Salém. Aí Abrão tornou-se um homem rico, possuidor de grandes rebanhos e também ouro e prata. Depois disso, ele retornou para Betel. E foi então que ele e Ló resolveram se separar, pois começaram a surgir várias contendas entre os pastores que cuidavam do imenso rebanho que ambos tinham formado. Para evitar desavenças com Ló, Abrão achou mais prudente que se separassem e cada um cuidaria de seu próprio rebanho. Para isso, Abrão permitiu que Ló escolhesse a planície que quisesse para se estabelecer com seus rebanhos. Ele, então, escolheu a planície do Rio Jordão, na região das cidades de Sodoma e Gomorra. E Abraão permaneceu nas terras de Canaan.

Certa vez, aquela terra foi invadida por estrangeiros, que saquearam as cidades e causaram muita destruição. Então, Abrão reuniu 318 servos e, à frente deles, perseguiu e conseguiu vencer os inimigos em batalha. Destes, os últimos a serem vencidos foram os reis de Sodoma e de Gomorra. Estes haviam capturado Ló e, em Sidim, foram derrotados. Então, ele libertou seu sobrinho e também o povo de Sodoma. Regressando para casa, passou por Salém (a atual Jerusalém), onde se encontrou com Melquisedec, sacerdote do Deus Altíssimo. Este sacerdote é apresentado como aquele que não tem nem começo nem fim, ou seja, ele é eterno. Daí ser visto como figura do sacerdócio eterno de Jesus Cristo. E foi ali, em Salém, que o patriarca apresentou ao sacerdote o dízimo dos despojos da guerra. Após essas vitórias, Abrão passou a ser visto e temido como líder militar pelo povo e pelos reis da região. Suas batalhas e conquistas ficaram conhecidas por todos que moravam naquelas terras, o que fez dele um homem respeitado.

Vale ressaltar a intervenção de Abrão em favor das cidades de Sodoma e Gomorra, as quais estavam para ser destruídas pela ira de Deus por causa dos muitos pecados que lá eram praticados. O patriarca, cheio de confiança e demonstrando uma total amizade e familiaridade com Deus, argumenta, insiste e tenta convencer o Senhor a não destruir aquelas cidades. Deus escuta os apelos dele e, somente não as poupa porque realmente não havia nenhum justo nelas! É notável a paciência de Deus diante da insistência de Abraão!

Nos tempos de Abraão, provavelmente as duas cidades já não eram habitadas havia muito tempo. De fato, até hoje não foram encontradas as ruínas que comprovadamente tenham sido de Sodoma e Gomorra. Porém, o belo e grande significado da narrativa sobre a destruição está no momento em que o patriarca intercede em favor da população pecadora de ambas, numa clara demonstração da fragilidade e confiança humanas diante da justiça e misericórdia divinas. Este sentido foi exposto de forma magnífica pelo hagiógrafo!

Mais uma vez, Deus disse a Abrão: "Levanta os olhos e conta, se podes, as estrelas do céu! A tua descendência será tão numerosa como elas". Abrão acreditou e teve fé em Deus e, passados muitos anos, novamente o Senhor Deus lhe apareceu, dizendo: “Daqui um ano retornarei à tua casa, e tua mulher já terá tido um filho.” E disse ainda: “Daqui em diante não te chamarás Abrão, mas sim Abraão, porque te destinei para pai de muitos povos. Para o futuro, não chamarás a tua mulher de Sarai, mas de Sara. Eu a abençoarei e ela terá um filho ao qual chamarás Isaac. Concluirei com ele uma aliança perpétua em favor da sua posterioridade”. Assim, já na velhice, Sara deu à luz Isaac. E a promessa de Deus a Abraão foi cumprida.

Na próxima semana continua a história de Abraão, dando ênfase ao nascimento de Isaac e à prova por que o patriarca passou!

Nilson Antônio da Silva

04 - Abraão - 1ª Parte


Abraão, o Pai de muitos povos... assim ficou conhecido esse homem que, sem dúvida alguma, hoje é considerado um dos maiores personagens da Antiguidade. A partir dele, desenvolveram-se as três maiores religiões da humanidade, isto é, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Até onde conseguem alcançar as pesquisas históricas, arqueológicas e científicas, tem-se como comprovadas as origens da história do povo de Deus até os tempos deste patriarca, que teria vivido provavelmente entre os séculos XXI e XVIII antes da era cristã. Os arqueólogos conseguiram encontrar um contrato em escavações na Babilônia o qual trazia o nome “Abraão”. Após as devidas análises, esse contrato teve sua datação entre 1800 a 2000 a.C. Uma vez que Abraão foi um homem rico, conforme é informado no versículo 2 do capítulo 13 do livro do Gênesis, é possível que haja alguma relação entre este achado arqueológico e o patriarca.

Abrão, do hebraico Avraham ou ‘Abhraham, era filho de Taré. Taré era descendente de Sem, sendo que teve três filhos: Abrão, Nacor e Aran. Ele e sua família moravam na cidade de Ur, na Caldéia, até que decidiu deixar aquela cidade e, levando consigo seu filho Abrão, seu neto Ló e Sarai, esposa de Abrão, foi viver em Haran, mais ao norte da Mesopotâmia, numa região onde hoje se encontra a Turquia. A Caldéia, em cujas terras hoje está localizado o Iraque, ficava numa região no sul da Mesopotâmia, principalmente formada pelas terras da margem oriental do Rio Eufrates. Trata-se de uma extensa planície formada pelos depósitos sedimentares do Tigre e do Eufrates, a qual possui cerca de 250 quilômetros de comprimento ao longo do curso de ambos os rios e cerca de 60 quilômetros de largura. Portanto, era uma terra bastante fértil. Já Haran, localizada onde atualmente é o sul da Turquia, bem próximo da fronteira com a Síria, ficava numa região mais seca e montanhosa. Era uma cidade pela qual passava uma importante rota comercial e, portanto, era um lugar onde caravanas de todo o oriente estavam habituadas a freqüentar.

A história de Abraão, de quem somos filhos na fé e, portanto, herdeiros da promessa que Deus lhe fez, será contada na próxima semana.

Nilson Antônio da Silva

sexta-feira, 6 de março de 2009

03 - Noé


A história de Noé está narrada no Gênesis, sendo que seu nome é mencionado pela primeira vez no versículo 29 do capítulo 5. Ele é apresentado como descendente de Set e, portanto, descendente de Adão.

Naquela época, a humanidade encontrava-se corrompida. Os povos praticavam atos de maldade entre si e, por causa disso, Deus se arrepende de tê-los criado e decide exterminá-los através de uma grande inundação que cobriria a terra inteira. Noé, entretanto, era um homem justo e íntegro, que temia a Deus e possuía um bom caráter. Então, Deus decide poupá-lo e também à sua família do extermínio. Para tanto, ordena-lhe a construção de uma grande arca, na qual Noé e sua família poderiam se salvar das águas que inundariam a terra (terra, neste contexto, vem do hebraico eretz, que significa região). Além de sua família, ele deveria abrigar na arca casais de animais também.

Mesmo ouvindo as caçoadas de seus conterrâneos, Noé acatou as ordens de Deus e, com o coração cheio de obediência, pôs a trabalhar e construiu a arca. Quando chegou o tempo determinado, a chuva começou. Choveu dia e noite durante quarenta dias. Conforme diz a Escritura, todos os homens e todos os seres vivos que ficaram fora da arca morreram. Passados quarenta dias, a chuva parou e as águas foram abaixando. Noé enviou uma pomba (algumas traduções mencionam um corvo) que voou e trouxe-lhe um ramo de oliveira, dando a saber que a terra já estava seca. Tendo as águas abaixado completamente, a arca teria ficado encalhada no Monte Ararat, numa região onde hoje fica a fronteira da Turquia com a Armênia. Surgiu no céu um arco-íris, sendo o sinal de que Deus não destruiria novamente a humanidade. Estando já em terra seca, Noé ergueu um altar e ofereceu a Deus um sacrifício.

Finalmente, Noé e sua família e também os animais puderam pisar em terra firme. Segundo a Bíblia, Noé teria vivido novecentos e cinqüenta anos. Tal longevidade certamente é uma indicação de que ele realmente “encontrou graça aos olhos do Senhor” (Gn 6,8).

A história do dilúvio, bem como outras encontradas no Antigo Testamento, possuem similaridades com muitas outras histórias de povos antigos que viviam na região do Oriente Médio, especialmente dos povos da Mesopotâmia. Uma delas é do herói e rei sumério chamado Guilgamés, que é considerada o mais antigo conto escrito pela humanidade. É conhecida por Epopéia de Guilgamés. Segundo esta história, Guilgamés passou sua vida inteira à procura da imortalidade, a qual lhe foi negada pelos deuses. Sem conseguir sucesso, ele abriu mão de sua vida em busca da vida eterna.

Nesta epopéia, traduzida da língua antiga original em 1872, há um personagem chamado Utnapisti, cuja história é muito semelhante à de Noé. Utnapisti é um rei e sacerdote sumério, único sobrevivente do dilúvio juntamente com sua família. Seu nome significa “encontrou (viu) a vida”, isto é, encontrou a imortalidade.

Também já foi encontrada pelos arqueólogos em Nipur, na Babilônia meridional, uma tabuinha do ano 1.600 antes de Cristo, a qual relata a história de uma grande e devastadora inundação. Há ainda a história de outro herói sumério chamado Ziusudra, na qual há semelhanças com a narrativa bíblica.

É bom salientar ainda que todas essas histórias são bem anteriores à época em que o Gênesis foi escrito e, portanto, bem anteriores inclusive ao surgimento do povo hebreu. Observe-se ainda que Abraão era originário da região da Caldéia, ou seja, da Mesopotâmia. Ele conhecia todas essas narrativas que passavam oralmente de geração a geração.

Todas essas histórias, enfim, relatam a ocorrência de uma grande inundação, a qual foi de proporções catastróficas. Essa calamidade deixou marcas na memória coletiva das pessoas daquela região. Naturalmente, uma inundação deste porte poderia ocorrer naquelas terras cercadas por dois grandes rios, o Tigre e o Eufrates. Devemos ter em mente que a noção de mundo daqueles povos antigos era muito diferente da nossa. Naquela época, a noção de “mundo inteiro” ou “terra inteira” era limitada às regiões então conhecidas. Não era como hoje, que temos conhecimento de que o mundo, isto é, a terra, é um planeta.

Não cabe ficar argumentando sobre a existência ou não da arca de Noé, assim como se realmente ele colocou casais de todos os animais dentro da mesma, ou ainda sair procurando os restos da arca em cima das montanhas da Armênia e da Turquia. O sentido da história certamente não é este. A Bíblia não é um livro de história natural nem uma revista científica. Ela é a coleção de livros nos quais, através dos tempos, Deus quis se revelar à humanidade. No tocante à história da arca, o que importa é que Deus salvou Noé e sua família da punição dada aos homens por causa de seus pecados. Mais ainda, até mesmo a criação sofre as conseqüências dos pecados humanos. Este é, sem dúvida, o sentido maior desta bela história que passou pelos lábios dos patriarcas e dos juízes até chegar às mãos do escritor que a transcreveu nos rolos de pergaminho. E mais ainda, nesta história é apresentada a primeira aliança que Deus, em sua misericórdia, fez com a humanidade.

Nilson Antônio da Silva

Os Lírios do Campo


Jesus gostava muito de flores e de passarinhos, de raposinhas e de cordeirinhos. Suas histórias estão repletas da presença de tantos animaizinhos e de tantas plantas das mais diversas testemunhando o quanto ele dava importância à criação, pois na verdade “tudo foi feito por meio dele e sem ele nada se fez”. Jesus usava o tempo todo em suas parábolas exemplos da natureza para transmitir ao povo a boa nova, isto é, a boa notícia da salvação para todos. Ora, e com a morte e ressurreição do Senhor, que assim redimiu o homem, a natureza inteira também foi redimida. Isto afirmou Paulo mais tarde ao dizer que “a criação sofre como em dores de parto”. Portanto, o Senhor amava os seres humanos mas também amava a natureza.

Certamente, tantas tardes preguiçosas em que Jesus, andando pelas margens do Mar da Galileia, ali pelos arredores de Cafarnaum, sentou-se na grama e ficou a contemplar o pôr-do-sol por detrás das suaves colinas que se perdiam no oeste. Talvez seu olhar, tão acostumado a penetrar os corações, tenha se perdido a contemplar algum pássaro voando longínquo no profundo azul do céu.

O mundo está cheio de violência. Todos os dias, temos contato com pessoas violentas e agressivas, sem paciência e sem senso de educação e cordialidade. São pessoas que se acham donas de tudo e de todos, as quais se consideram acima de Deus e dos homens. Este tipo de pessoa acredita cegamente que todos existem para fazer a sua vontade quando assim o desejam. Acreditam e querem que todos façam exatamente tudo do jeito como desejam. Para isso, pouco se importam se estão tratando com uma pessoa, ou seja, um ser humano, ou se estão tratando com um poste de pedra. E felizes são os postes porque são indiferentes à brutalidade do ser humano! O que pessoas assim precisam é aprender a virtude da paciência e, mais ainda, aprender a virtude da humildade. Sem isso, são tão somente a causa de tanta violência e agressividade reinantes na humanidade.

Olhar os lírios do campo e admirar o vôo dos pássaros tornou-se essencial para compreendermos melhor a natureza do ser humano que é perfeito e podermos realmente viver conforme o Senhor nos criou. Deus quer que o ser humano viva e conviva em paz e humildade, com respeito a si mesmo e ao seu semelhante. Deus deseja que o ser humano seja paciente diante das frustrações e correrias do dia-a-dia. Pois, para tudo há um tempo determinado e nada se fará fora do tempo certo.

Nilson Antônio da Silva

quinta-feira, 5 de março de 2009

02 - O Oriente Médio - 2ª Parte

Oriente Médio

Cadeias de altas montanhas, vales longos onde serpenteiam rios ladeados por vilarejos, extensos desertos castigados pelo calor do sol e pelo frio da noite, colinas a se perderem na solidão do horizonte, encostas por onde pastam rebanhos guardados por humildes pastores... assim é a região onde os profetas e patriarcas viveram.

São terras bem diferentes das terras brasileiras e, sem dúvida, também possuem tantas maravilhas naturais quanto o Brasil. Em princípio, são terras formadas por vastos e desolados desertos, os quais se estendem sobre planícies e montanhas a perder de vista. Entretanto, também existem campos e vales com vegetação exuberante, bem como rios e terras férteis.

Ao longo de toda a sua história, o povo de Deus caminhou através de desertos, atravessou rios e cruzou vales e montanhas. Quatro rios sempre estiveram presentes na história de Israel, os quais são o Tigre e o Eufrates, o Nilo e, finalmente, o rio Jordão. Patriarcas e profetas, reis e apóstolos, camponeses e gente simples... enfim, todos sempre estiveram, de alguma forma, ligados a esses rios.

Os rios Tigre e Eufrates nascem na Turquia, no maciço da Armênia, uma região que possui serras muito altas. O Eufrates, ao longo de seu percurso rumo ao Golfo Pérsico, atravessa desfiladeiros profundos na cordilheira do Tauro; o Tigre, cujas nascentes estão perto de Elaziq, não muito longe das nascentes do Eufrates, desce e, após passar pelo lago Hazar, toma a direção rumo ao Iraque. Por correrem em rumos iguais, muitas vezes os leitos de ambos se aproximam e se afastam. Assim, são nessas aproximações que surgem as grandes e férteis planícies. Enquanto corre, o rio Tigre recebe numerosos afluentes vindos da cordilheira dos Zagros, nos limites do Irã. Como correm numa região montanhosa, esses dois rios apresentam enchentes muito violentas e sem regularidade, ao contrário do Nilo, que se mostra bem mais previsível e estável.

O Egito se desenvolveu ao longo do Rio Nilo e, não sem motivo, os próprios egípcios consideravam seu país como um dádiva do Nilo. O nome Nilo vem do latim “Nilus”, o qual vem do grego “Neilus”. Já os egípcios antigos chamavam-no “Aur” ou “Ar”, que significa “negro”, por causa do fato de suas enchentes sempre deixarem atrás de si uma terra negra. O Nilo nasce nos planaltos da Etiópia e nas águas do Lago Vitória, bem no coração da África. Após percorrer quase sete mil quilômetros, derrama suas águas no Mar Mediterrâneo. Entretanto, na antiguidade os egípcios não conheciam as suas nascentes. Enviados por faraós, muitos exploradores tentaram chegar às suas nascentes, mas sem sucesso.

O rio Jordão, cujo nome em hebraico é “Nehar Hayarden” significando “aquele que desce” ou “lugar onde se desce” para beber, é o rio onde Jesus foi batizado por João antes de iniciar a pregação do evangelho. Ele nasce na encosta do Monte Hermon, na atual Jordânia, e termina seu curso no Mar Morto. É um rio cuja profundidade fica entre um e três metros, com uma largura que chega a trinta metros. Ao longo de suas margens, desde os tempos mais antigos, surgiram pequenos povoados, cujos habitantes se dedicavam à pesca, à lavoura e à criação de ovelhas e cabras. Em alguns trechos, o Jordão atravessa terras áridas; noutros, ele mesmo favorece a formação de áreas de densa vegetação. É interessante observar que na maior parte de seu curso ele corre abaixo do nível do mar, até desaguar no Mar Morto. Este mar interior, que é assim chamado devido à altíssima salinidade de suas águas, que impede a existência de peixes e outros seres aquáticos, é formado unicamente pelas águas do rio Jordão. Porém, antes de desaguar, o Jordão forma ainda o Mar da Galiléia, também chamado de Mar de Genesaré e Lago de Tiberíades. Nas margens deste localizavam-se as pequenas cidades pelas quais Jesus tanto pregou, como a antiga Cafarnaum. Nas águas do Mar da Galiléia, Pedro, André e Tiago lançavam suas redes e, ao ouvir o chamado do Senhor, abandonaram-nas para se tornarem pescadores de almas. Nessas mesmas águas, Jesus acalmou os ventos e, ainda, de dentro de uma barca, ensinou às multidões.

Nilson Antônio da Silva

01 - O Oriente Médio - 1ª Parte


A história da salvação, desde os tempos de Abraão até os tempos de Cristo na terra, desenvolveu-se nas terras da Ásia conhecidas como Oriente Médio. Naturalmente, naqueles tempos antigos ainda não havia o nome Ásia para designar o continente como hoje o usamos, e menos ainda a expressão Oriente Médio. Na antiguidade, as terras que hoje constituem o Oriente Médio tinham outros nomes, alguns dos quais atualmente não são mais usados e outros, ainda permanecem. Na Bíblia, é possível encontrar vários desses nomes; outros, chegaram até nós através de escritos de historiadores gregos ou latinos; e outros, finalmente, foram dados ao longo do tempo, como é o caso de Crescente Fértil e Mesopotâmia.

Crescente Fértil foi o nome dado pelo arqueólogo James Henry Breasted, da Universidade de Chicago, a uma região do Oriente Médio que compreende os atuais Israel, Cisjordânia e Líbano e ainda partes da Jordânia, da Síria, do Iraque, do Egito e uma parte do sudeste da Turquia. Essa região possui a forma de uma lua crescente. Além do mais, é uma região que possui terras onde é possível a agricultura bem como a criação de animais tais como ovelhas e cabras.

Já Mesopotâmia é um termo grego que significa “entre rios”. As terras que receberam este nome são aquelas localizadas num planalto vulcânico entre os rios Tigre e Eufrates, as quais estão rodeadas por desertos. Hoje, estão em território iraquiano. Embora esteja cercada por terras áridas dos desertos, a Mesopotâmia possui um solo bastante fértil, ou seja, onde as atividades agrícolas podem se desenvolver bem. E foi por este motivo que naquele local, há cerca de oito mil anos, surgiram as primeiras civilizações, com o desenvolvimento de cidades, artes e literatura. Por isso, a Mesopotâmia é considerada o berço da civilização. Ao longo dos capítulos desta história, será abordado em detalhes este aspecto.

O Oriente Médio é a denominação dada à área geográfica a leste e a sul do Mar Mediterrâneo, a qual se estende até ao Golfo Pérsico. Assim, hoje é uma região onde estão localizados vários países, como o Egito, Israel, o Iraque, o Líbano, a Arábia Saudita e outros mais. É considerada uma região explosiva, onde se desenrolam guerras e conflitos políticos entre os seus vários povos. Esses conflitos, além de terem causas históricas relacionadas à religião e à política, também têm profundas raízes no fato de ali existirem as maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo.

Na antiguidade, também toda essa região sempre foi marcada por constantes e sucessivos conflitos, em que povos conquistavam uns aos outros com uma ferocidade imensurável. Guerras, invasões, conquistas, massacres, escravidão... tudo isso permeou a história das civilizações que se desenvolveram sobre as terras que se estendem do Nilo às colinas da Pérsia.

Nilson Antônio da Silva

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Os Jovens Cristãos de Neuquén


Nestes dias atuais, num tempo em que a Igreja é tachada de retrógrada e de antiquada cujas doutrinas não condizem mais com a modernidade, como é possível sermos cristãos autênticos?

A doutrina cristã católica, fundamentada na palavra de Deus e apoiada no testemunho dos apóstolos, mártires e santos, é verdadeira pois sua essência são as palavras “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” ditas por Jesus Cristo. Portanto, a doutrina da Igreja Católica é verdadeira, é a única que segue no caminho de Cristo e, além de tudo, é a doutrina que ama, valoriza e defende a vida como o dom por excelência que o Criador dá ao mundo e, acima de tudo, ao ser humano.

O caminho que a Igreja Católica segue e ao qual ela chama todos os homens para também nele caminhar é o caminho que conduz diretamente ao Reino de Deus. É um caminho difícil e doloroso. E quanto a isso Jesus foi bem claro e a Igreja, fiel ao seu ensinamento, também reconhece o quão difícil e doloroso é caminhar rumo aos braços do Senhor. A Igreja sempre deixou bem claro que o caminho é áspero, estreito e cheio de espinhos e, mais ainda, que este caminho passa pelo calvário antes de atingir as portas do paraíso. Foi o que o Senhor disse e é o que a Igreja crê e prega.

Só há uma verdade e essa verdade é crer em Deus. Ponto final. Não existem outras verdades; não existe outra verdade! Só há uma verdade, a que Jesus ensinou e mostrou ao mundo! Assim, essas novidades que tantos apregoam por aí, cheios de vã sabedoria, essas novidades não passam de mentiras vazias cujo único fim é a perdição.

A vida, o dom de Deus por excelência, tem um valor inestimável. A vida humana possui um valor infinitamente maior e sua preciosidade vai além de toda e qualquer riqueza que há ou venha a existir. Por isso, a Igreja é muito clara e determinada quando se trata de defendê-la e promovê-la. Não há como abrir exceções e a Igreja não abre exceções: todo ser humano tem o direito à vida! Não existe um “se” ou um “mas”. Se a pessoa se torna um santo ou não, isso é uma decisão que cabe à própria pessoa durante a sua vida. Não cabe à Igreja determinar; cabe a cada um a escolha livre de seguir o caminho da glória ou o caminho da perdição. O que cabe à Igreja fazer, isto é, revelar ao mundo a verdade que é a Palavra de Deus, ela o faz dia e noite sem parar e em todos os cantos do mundo.

Há pouco tempo, houve na cidade argentina chamada Neuquén um acontecimento que, dadas as suas proporções de tristeza e dor, não pode passar despercebido.

Naquela cidade ocorreu uma reunião de pessoas favoráveis ao aborto. Como é costumeiro acontecer em toda cidade onde acontece uma reunião dessas, após o evento acabar saíram seus participantes em passeata pelas ruas com a intenção prévia de passar em frente à igreja matriz local para se manifestarem contra a doutrina de vida pregada pela Igreja Católica. Como já ocorrido em diversas outras cidades, ao chegarem às portas da igreja os manifestantes pró-aborto praticam atos de vandalismo e depredação contra o templo. E em Neuquén não foi diferente, infelizmente.

Entretanto, ao chegarem em frente à igreja matriz local, encontraram diante de suas portas um batalhão de rapazes e moças, todos em pé em ordem de batalha, e todos armados! E quais eram suas armas? A oração e a fé em Deus eram suas armas! Todos rezavam em voz alta, todos em fileiras de batalha, rapazes à frente e moças atrás destes diante da igreja rezavam!

A multidão de mulheres abortistas, ensandecida e furiosa, começou a agredi-los com palavras e com gestos de desprezo. Numa cena uma mulher cuspe na face de um dos homens e, como Cristo fez, ele permaneceu imóvel e continuou rezando. As manifestantes enfurecidas lançaram todo tipo de gritos e de palavras ofensivas contra os jovens católicos e estes, firmes e determinados, todos permaneceram como rocha rezando em voz alta.

As cenas foram das mais terríveis que o ser humano pode imaginar! Gritos, ofensas, agressões físicas... como pode o ser humano menosprezar tanto assim a vida de seu semelhante, que ainda nem sequer nasceu, a ponto de cometer atos tão selvagens e bárbaros como aqueles?

Aqueles jovens, homens e mulheres que rezavam, se quisessem poderiam se defender de toda a selvageria da multidão enlouquecida que pregava e defendia a morte. Mas não moveram um dedo sequer em resposta aos agressores, da mesma forma como Cristo também não moveu um dedo sequer contra aqueles que o torturaram. E o que dizer dos embriões e fetos que são abortados? Eles nem sequer podem de defender! Nem sequer têm consciência para se defender!

Os jovens de Neuquén rezavam a Deus em defesa da vida com palavras e com sua atitude de cristão. As crianças que são abortadas rezam a Deus com o sacrifício de sua vida inocente. E Deus escuta e acolhe a oração de cada embrião e de cada feto abortado.

O mundo cultua a morte e não a vida. É uma afirmação forte? Claro que sim! Ora, quem defende a prática de aborto está prestando culto a quem senão à morte? E cultuar a morte é o mesmo que cultuar o diabo.

Defender e valorizar a vida, desde a sua concepção até o seu fim natural, é prestar a Deus um culto santo e agradável. Mais ainda, é viver as palavras de Jesus que tanto amou e defendeu a vida enquanto esteve historicamente no mundo. O seu amor pela vida foi tão grande, realmente infinito, que ele entregou a sua vida preciosa para que todos os homens e mulheres tivessem vida eterna! E hoje, passados dois mil anos, ainda tem tanta gente de cabeça dura que não consegue entender o que o Senhor fez!

Nilson Antônio da Silva

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O Segredo da Vida


Desde que o mundo é mundo e que as pessoas questionam sobre a grande e misteriosa aventura do ser humano na terra, muitos têm buscado descobrir o segredo da vida. Alguns procuraram no topo das montanhas de neves eternas, outros nas ilhas distantes perdidas no meio do oceano, outros, ainda, no coração das imensas selvas... entretanto, quem pode dizer que encontrou?

Aventureiros talvez tenham alguma informação, os filósofos provavelmente falarão com segurança sobre este segredo, os homens de bom senso terão respostas satisfatórias. Mas, quem pode ter a reposta exata? Sem dúvida alguma, aqueles que voltam seus ouvidos para as palavras de vida de Cristo.

As pessoas que procuram por conforto dificilmente entenderão do que falo; quem almeja fama, poder e glória nem sequer voltará os olhos para estas palavras e menos ainda terá tempo para ouvir a Palavra de Deus. Quem procura por segurança e bem-estar neste mundo não encontrará nunca o segredo da vida. Ainda que procure, não encontrará. E por quê? Porque, para encontrar o segredo da vida, é preciso antes de tudo abrir mão de muitas coisas, a começar pela própria vida. E digo isto apenas repetindo o que o meu Senhor disse há dois mil anos atrás. Ora, para ganhar a vida é necessário antes perder a vida. Contraditório, não? Mas é mesmo. E mais ainda, é preciso perder a própria vida e todos os confortos que o mundo oferece também. Exigente o Senhor, não? Uns dirão que são palavras absurdas, exigências duras demais... outros, dirão ainda que é a mais pura loucura fazer uma coisa dessas, abrir mão até da própria vida... e mais ainda! Quem pode escutar essas coisas absurdas, dar ouvido a palavras tão fora da realidade?!

A resposta é curta e grossa: muitos escutam e muitos seguem essas palavras e por elas dão a própria vida! Abandonam tudo e se entregam à sabedoria da Palavra de Deus. Ao mergulhar nesta Sabedoria encontram a verdadeira realidade, que é a realidade perfeita e absoluta. E é nessa realidade que está a verdadeira vida, a que não se extingue nunca, pois é eterna. É nessa realidade que não há mais dor nem lágrimas, pois “o Senhor enxuga todas as lágrimas”. É para encontrar essa realidade que vale a pena abrir mão da própria vida. Essa realidade, que é perfeita, é a casa do Senhor, é o reino que o próprio Deus criou e preparou desde toda a eternidade para todos e cada um de seus filhos.

Quando conseguimos entender a grandiosidade e a infinita bondade da vontade de Deus em nos querer eternamente em sua casa, tudo neste mundo se torna como pó sem valor que é levado pelo vento. E foi por entender isto que os patriarcas, profetas e apóstolos disseram que neste mundo “somos apenas estrangeiros que vivem em tendas, sem morada fixa”, como Abraão fez. Jesus, em certa ocasião, também disse que “não devemos nos preocupar com o dia de amanhã, pois Deus tudo providencia para que possamos viver”.

Entretanto, é preciso ressaltar que ser estrangeiro neste mundo não significa ser alienado, ou seja, permanecer fora dos sofrimentos e alegrias de cada dia. Neste ponto, Jesus foi muito claro ao afirmar que “quem não toma a sua cruz de cada dia e não o segue não é digno do Reino de Deus”. Tomar a cruz de cada dia é viver a cada dia com intensidade, usufruindo das alegrias e enfrentando as dificuldades, igualzinho o Senhor fez. O mundo é obra de Deus e portanto é bom; o que o tornou um lugar corrompido foi o pecado. Assim, toda a maldade que há no mundo é fruto dos pecados cometidos pelos homens.

Finalmente, eis o grande segredo da vida: o segredo da vida é amar a cruz! Este foi o segredo que Jesus revelou em palavras e ações a todos os homens!

Nilson Antônio da Silva

sábado, 9 de agosto de 2008

QVO VADIS DOMINVS


Aonde vais, Senhor? Foi a indagação do apóstolo a Jesus na estrada romana. E o Senhor, com firmeza e certamente cheio de ternura, apenas lhe disse que ia a Roma para ser novamente crucificado. Sem esperar, o Apóstolo retornou à cidade... e foi crucificado.

Mesmo hoje, dois mil anos passados, todos os dias o Senhor está indo para ser crucificado novamente. E quem o crucifica a cada dia? São seus juízes, acusadores e carrascos todos aqueles que insistem em destruir a palavra de Deus. E como destroem a palavra do Senhor? Destroem-na quando exploram os fracos, pois os fracos têm por defensor o próprio Deus; destroem-na na destruição da criação, pois a natureza inteira é reflexo da glória de seu Criador; destroem-na quando assassinam crianças ainda no útero e colaboram com assassinos que as exploram quando já nascidas; destroem-na ao idolatrar o egoísmo e a auto-suficiência enquanto condenam a caridade e a humildade; destroem-na ao condenar e perseguir mais uma vez aqueles que seguem as palavras de Jesus; destroem-na ao ridicularizar a palavra do Evangelho... Tudo isso, hoje em dia, vai tomando conta da sociedade em que vivemos.

Já diziam os profetas e apóstolos que somos apenas peregrinos neste mundo. Não pertencemos a este mundo. Pertencemos ao Reino de Deus. Mas, como seguimos a palavra de Deus e, portanto, queremos construir já aqui o seu Reino, então vem a perseguição. Com a perseguição, o final é o alto de uma cruz. Mas isso não é motivo de desespero. Se aquele a quem seguimos olhou o mundo do alto de uma cruz e, à beira da morte, ainda derramou seu perdão sobre aqueles que o matavam, cada um de nós também deve carregar a sua cruz e fazer como o Senhor fez.

O mundo, isto é, a pessoa que vive conforme os valores de egoísmo e de morte, não consegue compreender a palavra de Deus. Nunca conseguiu. E olhe que Deus insistiu tanto, quis tanto ser ouvido e, mais ainda, ser compreendido! Pela boca de tantos profetas, o Senhor falou e poucos escutaram. O mundo não quis ouvir! Pelo sangue de tantos mártires, o Senhor falou e poucos entenderam. O mundo, como sempre, não quis ver nem ouvir!

Assim, todos os dias Jesus está sendo crucificado novamente. Portanto, que tenhamos a coragem de Pedro para voltar sempre a Roma para ser crucificado. Não fujamos para longe da cruz! E Roma, hoje em dia, está em todo lugar perseguindo os cristãos. Roma, hoje, é constituída não mais por muros de pedra, mas por governos e órgãos internacionais e por grande parte da mídia! Tenhamos, pois, sabedoria para identificar a Roma que nos crucificará.

Nilson Antônio da Silva

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Os Caminhos do Senhor


Desde os primeiros tempos, muitos profetas e santos sempre tiveram em sua vida a certeza de que Deus dispõe bem todas as coisas. A vontade do Senhor manifesta-se em sua obra e, em todos os tempos e em todos os lugares, sua presença é o que dá a vida e a mantém existindo. O Senhor, quando nos indica um caminho a seguir, sabe bem o que está fazendo. Ele, que é bom e carinhoso, dispõe o melhor caminho que é de sua vontade para nos levar à sua mesa.

Todos nós seguimos um caminho. E este caminho que seguimos deve conduzir-nos à casa do Senhor. O caminho em que andamos, muitas vezes, dá tantas voltas e torna-se tão difícil de percorrer, que nossos pés se cansam e, assim abatidos, desejamos parar. Mas Deus não quer que fiquemos parados, à beira do caminho da vida, a contemplar o sol nascente e o sol poente. É de seu agrado que continuemos sempre caminhando, mesmo debaixo de tempestades e com os olhos empoeirados. É de seu agrado que nunca desistamos, porque Ele jamais desiste de cada um de nós.

Enquanto caminhamos, muitas vezes também caímos sob o peso que a vida nos traz. Mas isso não é motivo para cair em desespero e abandonar a jornada. Jesus, nos últimos momentos de sua vida aqui na terra, caiu sobre a poeira do chão de Jerusalém. E foram três quedas! E sobre seus ombros havia uma cruz – uma pesada cruz. Ele seguiu até ao topo do monte, vestindo-se com a humildade do pó dos filhos de Eva. Jesus, que poucos dias antes, noutro monte, havia mostrado aos olhos humanos todo o esplendor de sua glória, revestiu-se de humildade e seguiu caminhando para o alto do monte calvário.

Caminhar não é fácil, mas é necessário. Assim como aos pássaros certamente não é fácil voar ou aos peixes também possa não ser fácil nadar, para viverem tanto uns quanto outros precisam voar e nadar respectivamente. Pássaro que não voa não é pássaro e peixe que não nada não é peixe. Desta forma, gente que não caminha, que não quer andar, também deixa de ser gente. E gente só pode ser gente e nada mais!

Portanto, saibamos agradar ao Senhor e seguir em seu caminho. O caminho do Senhor pode ser mais difícil e menos confortável, mas, quando termina, deixa-nos nas portas da casa de Deus. E esta é uma verdade maravilhosa, capaz de tornar insignificante toda e qualquer tempestade que cair sobre nós durante a caminhada!


Nilson Antônio da Silva

terça-feira, 8 de julho de 2008

“Envia Teu Espírito, Senhor, e Renova a Face da Terra”


Palavras bonitas são estas, com tão profundo significado e tão envolvente esperança para o mundo.
Nestes tempos em que a humanidade mergulha em densas trevas de egoísmo, em que a vida vai perdendo para os valores da morte, a palavra de Deus vem em socorro daqueles que, desesperados e desanimados diante de tanta dor e sofrimento, esperam e confiam em seu Criador. A vida, que é reflexo da glória de Deus, é ameaçada e desvalorizada por aqueles que cultuam a si mesmos e aos próprios projetos egoístas. Todo aquele que fere e destrói a obra de Deus, põe-se contra a vontade do Senhor e, voluntariamente, vai se afastando da Fonte da Vida e mergulha irremediavelmente nas profundezas da ausência de Deus, isto é, nos abismos escuros do inferno.
Ora, a vida de inocentes é ameaçada e, para grande desgraça de todos nós, tal ameaça tem o aval da sociedade em que vivemos. Como pode um ser humano, que possui alma e é gente desde o momento de sua concepção, gritar de dentro do seio de sua mãe que deseja viver e admirar as estrelas do céu e sentir o calor do sol? Não lhe é possível fazer isso, mas nem por isso ele deixa de ser gente e se torna uma coisa sem alma, como se não passasse de um pedaço daquela que o gerou.
Vivemos numa sociedade cujos deuses são o hedonismo e a morte. Vivemos numa sociedade cujos valores estão fundamentados no mais refinado egoísmo. Vivemos numa sociedade que levanta a bandeira do serviço voluntário numa mão enquanto ergue uma arma na outra.
E nós, que cremos em Nosso Senhor, que podemos esperar? Como o profeta antigo já dizia, neste mundo somos apenas peregrinos em busca da Pátria Celeste. Viemos de Deus porque Deus nos criou à sua imagem e semelhança. Assim, sentimos como que uma imensa saudade da casa de Deus, isto é, do Céu, e ansiamos pelo dia em que viveremos eternamente junto de nosso Criador. Entretanto, isto não é motivo nem razão para nos alienarmos das dores, sofrimentos e erros em que a sociedade mergulha de cabeça. Como filhos de Deus, somos co-responsáveis pelos cuidados para com a sua obra. Torna-se um grave erro de nossa parte quando cedemos à tentação covarde de abandonar nossos semelhantes e irmãos em seus próprios erros e caminhos de morte. Se fizermos isso, estamos cultuando o deus do egoísmo e, certamente, não seremos recebidos pelo Senhor ao final de nossa peregrinação aqui na terra.
É triste ver tanta dor ao nosso redor, é doloroso saber que pouco podemos fazer diante de uma cultura massificadora que gera morte e prazer desenfreado. Tantas vezes, nestes últimos tempos, a voz daqueles que crêem em Deus é abafada pelo grito daqueles que cultuam a morte. E quem cultua a morte? São adoradores da morte aqueles que defendem e apóiam o aborto, aqueles que defendem e apóiam a eutanásia, aqueles que exploram os mais simples e humildes, aqueles que se aproveitam sexualmente de crianças e adultos, aqueles que agridem e destroem as maravilhas da criação de Deus... e aqui caberiam muitos outros que praticam atitudes abomináveis diante do Senhor. Neste ponto, é preciso ser franco: todo aquele que é adorador da morte na verdade é adorador do diabo, pois o diabo é o autor do pecado, e o pecado é o causador da morte. Desde o primeiro profeta, passando pelos mártires e santos, até chegar aos dias de hoje, esta é uma verdade que nunca deixou-se calar.
Agora, cansados da poeira da estrada em que caminhamos, todos nós, filhos de Deus e seguidores de Jesus, gritamos e imploramos: “Envia teu espírito, Senhor, e renova a face da terra”!
Como num vendaval terrível, pedimos que teu espírito vivificante venha purificar este mundo tão sujo de pecado e dissipar as trevas do erro que cobrem a humanidade. Queremos que o teu espírito fecunde as mentes daqueles que escrevem as leis da nossa sociedade para que despertem para a vida e reconheçam que há somente um Deus único e verdadeiro, o criador de tudo e de todos, o Senhor que dá a vida e a mantém existindo. Sem Deus, tudo volta ao nada, de onde foi tirado. É apenas isto que a humanidade precisa entender. Apenas isto!

Nilson Antônio da Silva

terça-feira, 1 de julho de 2008

A Memória


Hoje em dia, todos certamente concordarão, vivemos num ritmo acelerado em que tudo chega até nós em quantidades imensuráveis. Uma enorme quantidade que nem sempre vem acompanhada de qualidade.

Somos bombardeados por informações das mais diversas possíveis; lemos jornais, livros e revistas sobre os mais variados assuntos; assistimos filmes e seriados e telejornais que abordam os mais vastos temas... Enfim, vivemos numa sociedade fundamentada na informação e na transformação constante. Então, como agir diante de tudo isso? Melhor ainda, como reagir de forma a guardar apenas o que realmente é importante e necessário para melhorar a nossa vida?

Ora, nossa mente não é capaz de manter tudo que chega a ela sem parar. É preciso que haja critérios de escolha para preservar o que é bom e descartar o que é ruim. E como fazer isso?

Santo Agostinho, doutor da Igreja, indica-nos um caminho ao qual podemos nos lançar confiantes em suas palavras... Ele fala sobre a memória, a memória individual que nos faz e nos constitui como pessoa única. Esta mesma memória, segundo o Hiponense, leva-nos a sentirmos saudades de Deus, nosso criador e salvador, porque traz preservado em nossa alma a lembrança da felicidade eterna.

"Chego aos campos e vastos palácios da memória onde estão os tesouros de inumeráveis imagens trazidas por percepções de toda espécie. Aí está também escondido tudo o que pensamos, quer aumentando quer diminuindo ou até variando de qualquer modo os objetos que os sentidos atingiram. Enfim, jaz aí tudo o que se lhes entregou e depôs, se é que o esquecimento ainda o não absorveu e sepultou... ...Quem poderá explicar o modo como elas se formaram, apesar de se conhecer por que sentidos foram recolhidas e escondidas no interior?..."

Sem memória, o que somos? É na memória que nos reconhecemos como pessoa única diante do mundo e diante de Deus, com todas as responsabilidades que este reconhecimento nos leva a aceitar e cumprir.

Nilson Antônio da Silva

sábado, 1 de dezembro de 2007

A Fé




Jesus falou muitas vezes sobre a fé, mostrando a necessidade de se ter fé e as maravilhas que podemos experimentar através da fé. Tantas pessoas foram curadas pelo Senhor de suas enfermidades porque tudo que tinham era a fé. E tantas vezes ouviram dos lábios do Senhor apenas isto; “Tua fé te curou!”.
Mas adiante, o apóstolo afirma que “a fé é uma maneira de se possuir aquilo que ainda não se tem”. Ora, a fé é uma maneira de alcançarmos aquilo que buscamos e conseguirmos aquilo que precisamos, ainda que à nossa volta tudo nos prove que não encontraremos e nem conseguiremos. Se a realidade, fria e impessoal, afirma que não podemos, a fé nos prova que já temos tudo que precisamos. A fé destrói a frieza da realidade e toca no íntimo de nossa alma, consolando-a e mantendo-a viva. Somente a fé nos move em direção a Deus e nos leva a superar a dor da miséria humana. A fé é algo que leva à cura do corpo mas, antes disso, ela cura por inteiro a alma e o coração. A fé age de dentro para fora e, agindo assim, brota da presença do Espírito de Deus que habita em cada ser humano. Assim, a fé é um dom de Deus, mas também é uma escolha do homem. Somente Deus dá a fé, mas ela precisa ser aceita no mais profundo do coração, pois só aí ela o tocará e o conduzirá em direção ao Senhor.
Se a fé se torna pequena e frágil em nosso coração, corremos o risco de simplesmente afundar no meio do mar, como Pedro ao caminhar em direção ao Senhor sobre as águas. Mas, se a fé se torna tão imensa que transborda de dentro da alma, ela é capaz de conseguir o melhor e o mais valioso para cada pessoa. Lembremos da mulher enferma que tocou as vestes de Jesus e foi curada. Quanta fé ela teve e quanta coragem e determinação a sua fé lhe deu para que ela rompesse a multidão e alcançasse o Senhor!
Se nós tivéssemos fé um pouquinho maior que fosse, quantas dores em nosso corpo e em nossa alma poderíamos evitar, quantas feridas poderiam ser curadas em nossa vida! Quando temos fé que o Senhor é capaz de cuidar de nossa vida e de nos dar tudo que precisamos, nossa vida se torna mais leve e mais agradável. O cansaço se torna menos penoso e a dor fica branda, pois o nosso coração pode repousar tranqüilo enquanto a nossa alma se volta para a contemplação do amor misericordioso de Deus.
São felizes todas as pessoas que enfrentam a miséria do sofrimento humano e, no final, ainda são capazes de dizer vitoriosas: “Mantive a fé!” E são mais felizes ainda porque assim ouviram e praticaram a palavra do Senhor em suas vidas.


Nilson Antônio da Silva

sábado, 27 de outubro de 2007

A Vida


Deus, eterno e perfeito, deu-nos a vida por amor e por amor mantém a nossa existência. Deus, vivo e onipotente, por sua vontade quis que pudéssemos viver aqui na terra e, um dia a seu lado, vivermos na eternidade contemplando a sua glória e gozando da felicidade perfeita. Deus, no infinito de sua sabedoria, deu-nos a capacidade de sabermos da sua existência e pôs em nosso coração o desejo de estarmos a seu lado. Deus encheu-se de amor por nós e derramou em nossa alma este amor tão ardente e tão magnífico.
Jesus, a Palavra de Deus que se fez homem e quis compartilhar de nossa vida humana, esteve na terra para nos mostrar as maravilhas que o Senhor preparou para cada um de nós na eternidade. Jesus experimentou as dores e as alegrias que sentimos, enfrentou as dificuldades e solidões por que passamos, conviveu com amigos e parentes da mesma forma como também nós convivemos.
Jesus, quando chegou diante do túmulo onde tinham colocado Lázaro, comoveu-se profundamente e chorou pelo amigo. Ora, Jesus e Lázaro eram amigos e o Senhor sempre deu um imenso valor às amizades. Jesus sofreu a dor da perda do amigo estimado, como tantas vezes também nós sofremos. Por isso, o Senhor chorou. E tão grande foi a dor que Jesus sentiu que ele, que é o Senhor da vida, mandou que Lázaro se levantasse e voltasse a viver. E ele saiu vivo!
A vida, dom mais perfeito de Deus, é a manifestação mais perfeita da glória de Deus. Viver é glorificar a Deus e reconhecê-lo como Senhor e Criador de todas as coisas. Reconhecer o direito à vida é reconhecer a soberania de Deus sobre toda a criação. Tudo foi feito por Deus, por isso tudo pertence a Deus. A vida de cada pessoa pertence a Deus desde o princípio até à eternidade. A vida de cada ser vivente pertence a Deus desde o princípio até o seu fim.
Quem ama a Deus, ama a vida que o Senhor dá e respeita a vida de seu semelhante e a vida de todos os seres viventes.
Nilson Antônio da Silva

sábado, 6 de outubro de 2007

O Amor A Deus


Chegará um tempo em que todos nós contemplaremos a face de Deus e olharemos em seus olhos frente a frente. Todos nós, independente de como tenhamos vivido, ficaremos diante de Deus e olharemos Aquele que é nosso Criador.
Em um de seus livros, o notável escritor C.S. Lewis narra numa bela alegoria o que acontece diante da contemplação da face de Deus. Diz ele, de maneira muito bonita que, quando as pessoas se apresentavam diante do Leão Aslam, metáfora de Jesus, semelhante ao Leão de Judá, algumas eram tomadas de um infinito amor por ele e outras eram tomadas de um ódio terrível por ele. Aquelas que se enchiam de amor pelo Leão permaneciam ao seu lado direito e aquelas que se enchiam de ódio por ele atiravam-se desesperadas nas sombras da escuridão do seu lado esquerdo.
Ora, estas palavras de Lewis refletem de forma poética o que Jesus afirmou tantas vezes sobre aqueles que o amam e sobre aqueles que o odeiam. Jesus chama de benditos àqueles que o amam e de malditos àqueles que o odeiam. E mais, aos benditos ele convida-os a tomarem posse do Reino do Céu e aos malditos ele manda que vão para o fogo eterno. Aos que têm um bom coração Jesus chama-os de ovelhas e aos maus ele os chama de cabritos.
Estas são palavras duras, mas são palavras de Jesus! Amar a Deus é uma escolha livre assim como odiar a Deus também é uma escolha livre. A decisão é tomada por cada um livremente e ninguém pode decidir por outra pessoa. Encher-se de amor por Jesus e permanecer ao seu lado é uma escolha livre e pessoal assim como encher-se de ódio pelo Senhor e atirar-se nas trevas também é uma escolha livre e pessoal.
As pessoas de bom coração, ainda aqui na terra, já contemplam na fé a face de Deus e se inflamam de amor por ele. E as pessoas de coração mau, também aqui na terra, já estão se atirando nas trevas e odiando Jesus. O bom coração, que busca fazer a vontade de Deus, é cheio de luz e de amor aos outros. Já o coração mau, que nega fazer a vontade de Deus, é cheio de egoísmo e de ódio a todos e a tudo.
Como Jesus disse, não basta sair por aí dizendo ‘Senhor, Senhor”. É preciso viver a palavra de Deus, é preciso vivenciar no cotidiano o evangelho, é preciso carregar a cruz de cada dia e seguir Jesus ao alto do Calvário. Somente assim seremos chamados de benditos e nosso coração encher-se-á de amor a Deus.
Nilson Antônio da Silva

sábado, 18 de agosto de 2007

A História de Lázaro


A história de Lázaro contada por Jesus traz em si muitos significados. Além do sentido primeiro, que fala da vida eterna ao lado de Deus e da condenação ao fogo eterno, podemos ver o sentido da parábola em relação aos nossos sentimentos.
Durante a vida, podemos ocupar o lugar do rico opulento e arrogante ou podemos tomar o lugar do mendigo humilde e doente. O mais grave é que o lugar que ocuparmos é de escolha livre e espontânea nossa. Não somos obrigados a ser um ou outro. Se quisermos, podemos perfeitamente ser igual ao homem rico, ter nossa mesa bem farta, viver fazendo festas, conviver com aqueles que enchem nossa casa em dias festivos. Se quisermos, podemos perfeitamente ser igual ao homem pobre, ter um coração humilde, cheio de feridas e sofrimento, mendigar migalhas e migalhas... E qual é a diferença? Depende do final da história que quisermos para nós.
Ora, quantas vezes não ficamos à porta de corações mendigando migalhas de compreensão que nos são negadas, mendigando migalhas de perdão que nos são jogadas às vezes por obrigação, mendigando migalhas de carinho que mal alcançam nossas mãos, mendigando migalhas de amor que são levadas pelo vento... Quantas vezes a única companhia que temos é dos cães e o único gesto de acolhimento é dos mesmos cães a lamberem as feridas de nossa alma? Quantas e quantas vezes nosso olhar sedento e faminto se perde nas mesas fartas e festivas, às quais nos é negado estar presentes?
E nossa esperança? Onde fica?
Repousa nos braços do Senhor nosso coração e nossa alma anseia pela contemplação da face de Deus. Somente o infinito amor de Deus é capaz de preencher o infinito vazio de nossa alma. Somente a infinita ternura de Deis é capaz de curar as feridas dolorosas de nosso coração. Somente em Deus encontraremos o repouso e a paz porque anseia cada um de nós.
Na eternidade, junto de Deus, teremos realizados plenamente tudo de bom que sentimos para com aqueles com quem convivemos. Junto de Deus, amaremos eternamente todos aqueles a quem amamos e estaremos eternamente ao lado daqueles que nos são queridos. Também é preciso lembrar que, na eternidade, distante de Deus, haverá um terrível tormento causado pelo afastamento daqueles com quem convivemos. Longe do Senhor, existirá uma dor eterna feita de ódio a Deus, de ódio aos outros e de ódio a si mesmo.

Nilson Antônio da Silva

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Acolher A Amizade De Deus


Um dia, um jovem conhecedor das Escrituras e que procurava praticar e viver a palavra de Deus, encontrou-se com Jesus e então conversaram. Naquele momento, Jesus o acolheu com profunda ternura e encheu-se de amor por ele. E pediu que ele largasse tudo que tinha e viesse segui-lo. Entretanto, o jovem pôs as suas posses e os seus compromissos acima do amor de Jesus, virou-se e foi embora cheio de tristeza. E Jesus também ficou profundamente triste por ele ter ido embora. A tristeza do jovem foi por não ter coragem de deixar tudo, por não ser capaz de abrir mão de seus bens e seus compromissos para poder se entregar à amizade que Jesus lhe oferecia. A tristeza de Jesus foi por ver o amor que ele oferecia gratuitamente ao jovem não ser acolhido, ou seja, toda a amizade que o Senhor lhe oferecera fora rejeitada. E isto entristecia profundamente ao Senhor. Ora, Jesus amou todos os seus amigos, tanto que quis chamá-los de amigos e não de servos, e deu sua vida por eles. E neles, por todos nós que somos hoje a Igreja. Mas Jesus nunca forçou ninguém a aceitar a sua amizade nem nunca forçou ninguém a permanecer em sua companhia. Daí a sua tristeza quando viu o jovem indo embora, por que ele desejava que aquele jovem livremente aceitasse a sua amizade.
E ele não aceitou...
Deus é muito elegante e muito educado. Ele não entra à força em um coração que não se abre para recebê-lo livremente e com alegria. Deus não força ninguém a acolhê-lo e amá-lo porque acolher e amar a Deus deve ser uma atitude livre e espontânea de cada pessoa. O Senhor oferece a sua amizade a todas as pessoas, mas cabe a cada um aceitar e cultivar essa amizade. A amizade que o Senhor Jesus oferece é plena, absoluta e incondicional, mas nunca é imposta, porque deve ser simplesmente aceita. E quando a amizade do Senhor é aceita, o Senhor a torna única e exclusiva com cada um e, então, toda a bênção e toda a graça inunda a vida! Assim, Jesus tem a liberdade de permanecer no coração e, como ele mesmo disse, entrar e fazer a refeição junto com o dono da casa. E o dono da casa também tem a liberdade de entrar na casa do Senhor, fazer a refeição com ele e com ele permanecer eternamente. E, para todos aqueles que são amigos de Deus, a casa do Senhor, que é o próprio Céu, permanece sempre aberta e sempre acolhedora.
Enquanto aqui na terra não formos capazes de chorar entristecidos ao ver indo embora aqueles a quem amamos e não formos capazes de abrir livremente nosso coração àqueles que nos querem bem, jamais conseguiremos experimentar a amizade de Deus. Se não conseguirmos amar aqueles a quem vemos e com quem convivemos, como poderemos amar a Deus? Se não conseguirmos abrir nosso coração àqueles que caminham conosco na vida, como vamos abrir a porta de nosso coração para Deus?

Nilson Antônio da Silva

Jerusalém! Jerusalém!


Certa vez, Jesus, ao olhar a cidade de Jerusalém à distância, chora por ela e lamenta que esta não queira acolher a mensagem de paz que tantas vezes o Senhor lhe enviara. Deus sempre quis cuidar de Jerusalém, mas ela nunca compreendia e recebia o Senhor, pois fechara seus olhos, tapara seus ouvidos e endurecera seu coração à palavra de Deus. Assim, matava os profetas e apedrejava os santos que o Senhor enviava para abrir seus olhos, destapar seus ouvidos e amolecer o seu coração. E deste modo agiu até ao ponto de matar o próprio filho de Deus. Por isso tudo, Jesus chorou sobre Jerusalém e, mais ainda, chorou porque a amava e desejava que ela o escutasse e acolhesse.
E hoje, não acontece a mesma coisa? Só que, em lugar de Jerusalém, não é o mundo inteiro que age da mesma forma? Não é o mundo inteiro que fechou os olhos, tapou os ouvidos e endureceu o coração à palavra de Deus?
Todos os dias, o mundo mata profetas e santos que o Senhor Deus envia para serem a sua voz e as suas mãos no meio da humanidade. Todos os dias pessoas estão morrendo por falta de cuidados físicos e espirituais; crianças inocentes e indefesas estão morrendo na mão de assassinos em clínicas abortistas com o aval de médicos, enfermeiros e pais desinformados e, o mais grave, com o possível incentivo do governo se aprovadas as leis abortistas que tramitam no Congresso Nacional. Todos os dias pessoas estão sendo mortas pela língua ferina e impiedosa de pessoas de coração duro. Todos os dias pessoas estão sendo mortas pelas atitudes omissas ou manipuladoras de quem pensa somente em si mesmo e busca apenas seu próprio bem-estar.
No entanto, sejamos realistas: da Jerusalém que matava os profetas, restaram apenas ruínas de um muro; do Império Romano que lançava cristãos às feras, não se fala nem mais a língua latina; dos nazistas que queimaram judeus em fornos restou apenas a vergonha por tais atos... e por quê? Porque Deus faz justiça aos seus santos e profetas; porque Deus não permite que o mal prevaleça sobre a sua palavra de paz; porque a morte de pessoas na miséria e no abandono, o assassinato de crianças ainda no útero e o mal causado pelo egoísmo bradam a Deus por justiça e Deus age. Deus não deixa desamparados aqueles que a Ele se entregam e constantemente ouve as súplicas de quem sofre no corpo e na alma.
Deus é bom e Deus é justo. Deus age e amolece os corações mais duros. Se um coração se recusar a acolher a palavra de Deus, o Senhor chora de dor por causa desse coração, como chorou sobre Jerusalém, mas não o força a aceitar a sua palavra, assim como não forçou Jerusalém... e dela restaram somente ruínas de um muro.

Nilson Antônio da Silva

sexta-feira, 6 de julho de 2007

O Bem-Te-Vi

Nessas manhãs em que o tempo já começa a ficar mais frio, o verão vai se distanciando e as últimas chuvas caem esparsas, o sol desponta e com ele os passarinhos começam seu dia. Aqui, ainda podemos ouvir, entre os barulhos urbanos, a algazarra de pássaros na madrugada. São tantos e tão festivos que, apurando nossos ouvidos, podemos sentir a profunda perfeição da criação de Deus. Podemos perceber a harmonia com que o Senhor dispôs todas as criaturas para que, vivendo e povoando o mundo, refletissem a glória de seu poder. A grande maravilha da obra de Deus é isto: a criação inteira glorifica o nome de seu Criador simplesmente existindo da forma como o Senhor a fez. Um pássaro não tem entendimento para conhecer a Deus, mas sua vida, por sua simples e pura existência, é um contínuo ato de gratidão ao Senhor.
Costumo observar um bem-te-vi que, quase todas as manhãs, pousa sobre uma antena de televisão e canta por longos minutos. Vai cantando e, em certo momento, outro mais longe também canta. E outro mais além... Desse modo, em alguns minutos, é possível ouvir um verdadeiro coro de bem-te-vis cantando. Simplesmente cantam. E cantam maravilhosamente belo! Cantam como nenhuma tecnologia humana pode fazer igual nem ninguém pode copiar.
Jesus disse que ninguém, por mais que se preocupe, pode acrescentar um único segundo à sua vida por vontade própria. Tudo é dado por Deus e por Deus é tirado. Assim, é mais proveitoso e mais saudável que as pessoas deixem tantas preocupações inúteis que apenas dificultam suas vidas, mas que em nada é capaz de melhorá-las e muito menos aumentá-las, e passem a viver em plenitude como o Senhor as criou. Ao agir deste modo, estão fazendo como o bem-te-vi que simplesmente pousa numa antena de televisão quase todas as manhãs para cantar, fazendo o melhor que o Senhor lhe concedeu fazer.
Deus deu a cada pessoa muitos dons, os quais devem ser assumidos e vividos em plenitude. Cabe ao que sabe ensinar ao que não sabe, ao paciente escutar o que é estourado, ao compreensivo ouvir o desesperado, ao que tem ajudar o que nada possui... e assim por diante.
Deus deu ao bem-te-vi a capacidade de cantar bem. E ele canta! A cada pessoa sobre a face da terra, o Senhor deu uma infinidade de dons. E cada pessoa deve usar os dons recebidos de Deus e, com isso, dar glórias ao Criador.

Nilson Antônio da Silva

Pentecostes



A última semana de Jesus na terra já havia passado. Seus últimos dias em Jerusalém, quando ele foi preso, torturado, julgado e condenado à morte na cruz já eram lembrados e comentados pelo povo como um acontecimento que se distanciava no tempo. Entretanto, seus discípulos e demais seguidores também comentavam entre si um fato que os deixava repletos de alegria: Jesus ressuscitou e estava vivo! Ele aparecera a Pedro, a Maria de Magdala e a vários de seus discípulos. Todos eles, contudo, evitavam fazer comentários sobre a ressurreição de Jesus em público por medo das autoridades judias, as mesmas que haviam condenado o Senhor à morte.
Finalmente, passados quarenta dias o Senhor Jesus subiu aos céus diante dos apóstolos e discípulos, tendo antes lhes dito que enviaria a eles o Espírito Santo para que os fortalecesse e assistisse enquanto estivessem no mundo. Enquanto isso, os apóstolos e Maria reuniam-se em todo primeiro dia da semana para orar e fazer memória da vida, morte e ressurreição de Jesus.
No dia de Pentecostes (cinqüenta, qüinquagésimo em grego), que era uma festa judaica tradicional celebrada cinqüenta dias depois da Páscoa, Maria e os apóstolos estavam em Jerusalém reunidos no mesmo lugar, que é chamado de cenáculo. A festa de Pentecostes era celebrada em comemoração às colheitas e, nessa época, judeus de todas as partes do mundo iam a Jerusalém. Vinham do Egito, da Macedônia, da Grécia, de Roma, da Pártia, enfim, de todos os lugares do mundo conhecido na época.
Enquanto Maria e os Apóstolos estavam reunidos, dentro do lugar onde estavam surgiu um ruído muito forte vindo do céu, como se estivesse soprando um vento muito forte, o qual encheu a casa inteira. Então, “apareceu-lhes algo como línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Eles ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, como o Espírito Santo lhes concedia falarem.”
Com todo aquele barulho e ao ouvirem aqueles homens simples falando em tantas línguas diferentes, o povo começou a se reunir em frente à casa onde estavam. E todos se perguntavam admirados e impressionados o que estava acontecendo ali.
Nisso, Pedro tomou a palavra e falou a todo o povo sobre a vida, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo e a realização das promessas de Deus anunciadas pelos profetas. Naquele momento, a Igreja estava sendo revelada ao mundo inteiro! A salvação prometida por Deus e anunciada desde os tempos mais antigos pela boca dos profetas fora cumprida por Jesus e agora ao mundo inteiro isto era anunciado. A promessa é para os judeus e os seus filhos e também para todos aqueles em todos os tempos que ouvirem o apelo de Deus, conforme disse Pedro. Ou seja, o Espírito Santo foi, é e sempre será derramado sobre todos aqueles que são batizados e crêem em Jesus Cristo.
O “Espírito Santo procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”, conforme professamos no Credo Niceno-Constantinopolitano.
O Espírito Santo, enviado aos homens e mulheres, reúne todos os povos em todos os tempos e lugares no Corpo de Cristo, isto é, na Igreja, para que estes recebam de Cristo, sacerdote eterno, as graças necessárias para que possam chegar à vida eterna.
O Espírito Santo completa toda a obra salvífica de Cristo, reunindo todos os homens e mulheres num só Corpo, sendo Cristo a cabeça deste corpo e este mesmo Espírito Santo é o princípio vivificante, isto é, o que dá vida e faz viver este corpo. É o Espírito Santo que nos torna “filhos no Filho” e nos impele a voltarmos ao Pai.
A missão do Espírito Santo é fazer com que estejamos na comunhão do Filho – Jesus - com o Pai, santificando-nos e tornando a cada um de nós filho com Jesus.
O Espírito Santo é o Amor do Pai e de Jesus que, derramado em nossos corações, é um fogo que arde e que aquece, tornando-se força que nos une e nos aproxima. Os homens, ao receberem o Espírito Santo, passam a viver numa profunda e verdadeira comunhão entre si, estabelecendo-se em seu meio a confiança, a paz e a concórdia, outrora perdidas por causa do orgulho e da discórdia.
O Espírito Santo guia a Igreja nos caminhos da História, fazendo com que ela permaneça fiel ao Senhor Jesus e sempre encontre os caminhos e os meios eficazes para anunciar o Evangelho a todos os povos da Terra. O Espírito Santo derrama constantemente e sem medidas os seus dons sobre todo o povo de Deus, sustentando-o para que possa testemunhar continuamente a Boa Nova no mundo. Toda pessoa que foi batizada e crismada recebe os carismas do Espírito Santo, para que possa atuar com determinação e persistência dentro da Igreja, no serviço aos irmãos e no anúncio da Palavra de Deus.
Todas as pessoas que buscam guardar a Palavra de Deus com esforço de conversão e sinceridade em seu coração e, ainda, dedicam-se à oração e põe todo seu empenho em anunciar e testemunhar o Evangelho, estas pessoas vivem do Espírito Santo.
Os dons do Espírito Santo são sete: Fortaleza, Piedade, Sabedoria, Conhecimento, Conselho, Entendimento, Temor de Deus. Estes dons são chamados de Dons de Santificação. A Fé, Interpretação, Profecia, Cura, Línguas, Milagres, Discernimento, Ciência e Sabedoria são os chamados Dons Carismáticos.
Todos estes dons, o Espírito Santo os derrama de modos diversos sobre os cristãos, para que, acolhendo e abraçando com amor o dom recebido, entreguem-se de coração e alma a servir e amar a Deus.
É o Espírito Santo quem dá a verdadeira alegria, conforme nos diz a própria Mãe de Deus, ao proclamar repleta do Espírito Santo que “o meu espírito se alegra em Deus meu salvador!” Todos os patriarcas e profetas, todos os mártires e santos entregaram-se e abriram seus corações à ação do Espírito Santo, e este, agindo neles, proclamou as maravilhas e a glória de Deus. E continua agindo e proclamando em todos os tempos e lugares!


Nilson Antônio da Silva

A Figueira


O evangelista Lucas narra-nos a história contada por Jesus a respeito de um homem que plantara uma figueira em sua vinha. Passados três anos, este homem manda ao viticultor que corte a figueira, pois ela não produzira nenhum fruto até então. O viticultor, enchendo-se de compaixão e misericórdia pela figueira, pede ao dono que espere mais um ano. Então, se a figueira continuar sem produzir frutos, ele a cortará.
Não sabemos o que houve passado um ano... não sabemos se a figueira produziu algum fruto... ou se foi cortada. Mas sabemos que aquele viticultor encheu-se de amor e carinho pela figueira. Sabemos que ele quis dar mais uma chance para que ela produzisse frutos. Sabemos que ele acreditava na razão da existência daquela árvore.
Ora, ele a plantara e dela cuidara desde que lançara do solo seu primeiro broto. Acompanhara os despontar de suas primeiras folhas, despejara as primeiras gotas d’água na pequenina planta. Enfim, ela nascera sob seus cuidados e, sob seu olhar de homem que entende a vida, crescera e se tornara uma árvore.
Façamos, pois, um paralelo com a nossa vida. Temos, muitas vezes, coisas bonitas e vistosas, como folhas viçosas, que enfeitam nosso viver e nos destacam no meio em que vivemos. Somos, muitas vezes, bem vistos e como a figueira que se destaca entre os ramos do pé de uva, estamos em destaque por entre as pessoas onde vivemos. Muitas vezes, por nos sentirmos diferentes e maiores, assim como a figueira entre as folhas da videira, queremos ser considerados os melhores e mais perfeitos no lugar em que vivemos.
Com tudo isso, acontece que esquecemos de produzir frutos e nos tornamos iguais à figueira, somente vistosos, mas sem produzir. Ou seja, tornamo-nos inúteis ocupantes do solo onde outros poderiam produzir muito.
O Senhor Jesus, que é misericordioso e compreensivo, espera que cada um de nós produza muitos frutos para a melhora e transformação do mundo e das pessoas com as quais convivemos. O Senhor acredita nas nossas possibilidades e nos ajuda, dando a cada um de nós o conforto e a força necessários para que produzamos frutos saborosos. Ele, o sacerdote que se apresenta diante de Deus Pai oferecendo-se a si mesmo em sacrifício pelos nossos pecados, sempre cuida com carinho de nossos corações ingratos.

Nilson Antônio da Silva

A Amizade


A amizade é um sentimento de extremo valor aos olhos de Deus. E este valor incalculável se deve ao fato de que toda amizade é, em sua essência, o reflexo da amizade que Deus tem por todos os seres humanos e por cada um individualmente. Deus dedica a cada pessoa uma amizade única, infinita e de um valor inestimável. Assim, para Ele, cada pessoa é o melhor amigo e Ele se deixa fazer o melhor amigo de cada pessoa. E é dessa forma que, embora sejam cerca de seis bilhões de pessoas no mundo, Deus se mantém fiel e companheiro de cada uma delas, dedicando-se a cada uma como fosse a única que existe. Deus escuta e caminha ao lado de cada um, é companheiro e está sempre presente, é compreensivo e entende as fraquezas e dificuldades porque passamos.
Jesus, durante todo o tempo em que esteve vivendo nas terras da Galiléia, foi cheio de amor e compreensão com seus amigos. Ele dizia as palavras certas para que eles vivessem bem. Ele não os adulava, mas sabia quando precisavam de palavras de conforto e carinho. O Senhor perdoou Pedro, teve o discípulo amado recostado em seu peito, repreendeu com doçura a falta de fé de Tomé, alegrou-se com os discípulos quando estes voltaram de sua primeira missão entre os judeus... Ora, tudo isso comprova o fato de que a amizade verdadeira se faz com sinceridade e dedicação; se faz com palavras de carinho e com palavras duras quando é preciso.
O Senhor escolheu livremente seus amigos e deixou que cada um também livremente escolhesse estar ao lado dele. A ninguém forçou, a ninguém cobrou... Mas teve seu olhar repleto de tristeza quando viu o jovem rico se afastar por achar muito difícil a amizade que o Senhor gratuitamente oferecia a ele. A amizade verdadeira não força, mas exige dedicação e gratuidade. E exige muito. E quem não é capaz de compreender e aceitar este fato, cai na armadilha da bajulação ou, então, desiste e vai embora. E não deixa marcas!
Algumas das mais belas palavras de Jesus fazem referência à amizade: “Eu os chamo de amigos porque o amigo sabe o que a amigo faz”... E mais: “Não há maior amigo do que aquele que dá a vida por seus amigos”. E conta-nos o evangelista que Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro, enquanto o povo ao redor dizia: “Vejam como ele o amava!”
É preciso dedicarmos tempo e amor às nossas amizades, para que elas não se percam nos caminhos de nossa vida. Caminhos estes que, muitas vezes, são tortuosos e cobertos de espinheiros. Ora, do que nos adianta sempre fazermos novos amigos, se não soubermos conservar aqueles que já temos?

Nilson Antônio da Silva

A Preciosidade da Criação


A criação inteira é preciosa aos olhos de Deus e Ele sempre se preocupa com a obra de suas mãos e cuida de tudo que criou. O universo todo, com todos os seres vivos e todas as coisas inanimadas, recebe constante e incessantemente os cuidados e o carinho do Senhor.
Jesus, enquanto esteve no mundo, falava o tempo todo de passarinhos e ovelhas, de peixes e flores do campo, de trigais e pés de figo... Enfim, tudo aquilo que foi feito por sua palavra, dele recebeu um valor e afeição especiais. E continua recebendo e sempre receberá. As águas, os mares, as pedras – a Simão o Senhor deu o nome de pedra – são criações de Deus e existem unicamente graças à vontade onipotente e incondicional do Senhor. Deus tirou do nada a criação inteira e, por estar Sua vontade onipotente presente nela, mantém esta mesma criação existindo. Isto é, sem a vontade de Deus a criação inteira volta ao nada, de onde foi tirada.
Todas as coisas são criaturas de Deus e, embora não possuam a capacidade de reconhecer o Senhor e amá-lo, prestam a Ele louvor e dão-Lhe glória pelo simples fato de existirem. A criação nem sequer tem consciência de que tem um Criador mas, assim mesmo ou talvez por isso mesmo, é imensamente amada pelo Senhor. O próprio fato de existir comprova a grandiosidade e a gratuidade desse amor incondicional de Deus.
De outro lado, todos nós, homens e mulheres, somos também criados por Deus e a nós o Senhor Deus deu a capacidade de reconhecer que Ele existe, é o Criador e que tudo que existe foi criado por Ele. Portanto, temos o dever de amar a criação com o coração semelhante ao do Senhor e cuidar de sua obra com ternura e respeito.
Deus nos deu a capacidade de conhecermos a nós mesmos como seres humanos e a capacidade de reconhecermos a Deus como Senhor e Criador de tudo que existe. Assim, Deus nos concedeu a graça de participarmos com Ele da sua obra criadora e, ainda, deu-nos a graça de também juntos com ele participarmos da ação de governar a criação. Ou seja, é de nossa responsabilidade cuidar bem da criação de Deus, para que esta siga através dos tempos de acordo com a vontade do Senhor. Somos criaturas, a quem por amor gratuito o Senhor nos fez seus filhos, e é preciso que nossa vida seja também um louvor agradável a Deus.
Deus nos tirou do pó da terra, a qual veio do pó das estrelas, as quais vieram do pó do universo... viemos do pó, voltaremos ao pó; tudo veio do nada e se desfará em pó... Um dia, chegará a hora em que o Senhor “fará novas todas as coisas” e, assim, tudo existirá eternamente na contemplação de Deus face a face.

Nilson Antônio da Silva

A Perfeição E A Beleza De Deus


O Senhor tem muitos projetos para nós. Ele quer que realizemos muitas coisas boas durante nossa vida, para que o mundo se torne um lugar cada vez melhor e para que as pessoas também se tornem melhores para si mesmas e para com aqueles com quem convivem.
Deus é bom e bom é tudo o que ele faz. O mundo é bom porque foi criado livremente pela vontade do Senhor, que é cheio de bondade e de amor. Todas as coisas belas da natureza que nos cercam e todo o universo que nem sequer imaginamos o tamanho, refletem a beleza infinita e pura de Deus. E mais, uma vez que o Senhor tudo fez e tudo pôs em nossas mãos para nosso benefício, expressam o imensurável amor que Deus tem para conosco. Deus nos ama e quer que vivamos em busca do amor puro que gera a paz, a justiça e a harmonia entre todas as pessoas. Deus nos ama e, embora seja seu amor para conosco absolutamente incondicional, é de seu agrado que reconheçamos seu amor e também o amemos acima de tudo e de todos.
Todos nós somos perfeitos e belos porque fomos criados por Deus, que faz tudo perfeito e belo, mas, dominados por nossos sentimentos egoístas e mesquinhos, escolhemos nos distanciar da perfeição e da beleza do Senhor e seguirmos por caminhos que conduzem à imperfeição e à feiúra. Feio é tudo aquilo que se recusa a refletir a beleza que provém de Deus, ou seja, refletir o amor e a bondade de Deus. Imperfeito é tudo aquilo que se afasta da presença de Deus e escolhe seguir as próprias vontades e os próprios desejos egoístas.
Toda pessoa que busca viver conforme a vontade de Deus passa a refletir em seu ser toda a beleza e toda a luz do Senhor. É como alguém que, de manhãzinha, se vira para o nascente para contemplar o esplendor do sol que se levanta. Enquanto admira o espetáculo da aurora, sente que, a cada segundo que passa, mais a luz e o calor vão aumentando e envolvendo tudo. Assim é quem se volta para a glória de Deus e se entrega à sua vontade e à sua misericórdia.

Nilson Antônio da Silva

"Glória A Deus Nas Alturas"


Nos dias quentes de verão, é comum se formarem tempestades furiosas e devastadoras. O céu se torna negro, nuvens pesadas se ajuntam ameaçando a terra, ventos incontroláveis querem arrancar as árvores do chão e, então, relâmpagos riscam o firmamento e os trovões ribombam ensurdecedores sobre as serras. É um espetáculo terrível e belo, em que a natureza mostra sua força e sua beleza. A terra inteira - plantas e animais e gente!, encolhe-se e se esconde do furor que os ameaça e que pode destruí-los. Quem pode resistir a uma tempestade? Quem pode enfrentar uma tempestade imensa? Quem tem poder de dominar e vencer uma tempestade?
Porém, uma tempestade assim não é motivo de medo, mas sim de alegria e de admiração. Ora, certa vez Jesus foi despertado pelos discípulos que, apavorados em meio a uma tempestade, pediam que o Senhor os salvasse. Então, Jesus ordenou que os ventos parassem e a tormenta foi desfeita.
Jesus, nosso Deus e Senhor, tem poder de acalmar o mar e destruir tempestades. Ele ordena e tudo obedece à vontade Dele porque Ele é Deus e Senhor de tudo. Quando cremos em Deus e confiamos em seu amor, nossa vida está segura. Jesus, que serena a mais terrível e furiosa tempestade, guarda nossa vida com ternura e carinho.
Os discípulos nada podiam fazer diante daquele mar tempestuoso e sabiam que suas vidas corriam grande perigo. Por isso, recorreram a Jesus para que os salvasse e eles contemplaram o poder do Senhor que domina as tempestades.
Um outro detalhe que chama a atenção é o fato que, tendo o Senhor acalmado a tempestade, eles se jogaram de joelhos diante de Jesus dizendo que Ele se afastasse deles pois eram pecadores. Ou seja, eles reconheceram sua insignificância humana e sua humildade diante do poder de Deus. Eles compreenderam que Jesus é o Senhor e Deus. E isto causou-lhes temor e respeito, pois reconheceram que se encontravam diante de quem está acima de todas as coisas e a quem tudo está submetido.
Deus se fez homem e, ao assumir nossa humilde condição humana, demonstrou todo o seu amor incondicional pela humanidade.
Ele, diante de quem o universo inteiro, o céu e a terra, se prostram em adoração, fez-se carne no ventre da mais santa e bendita mulher para que os filhos de Adão e Eva fossem arrancados do pó da terra e pudessem novamente viver no paraíso e contemplar a Deus face a face.

Nilson Antônio da Silva

Quem Ama


Ao refletir sobre o versículo trinta e nove do primeiro capítulo do Evangelho de Lucas, um escritor anônimo afirmou que “quem ama supera todos os obstáculos para servir à pessoa amada”. Ele estava certo em suas palavras! Assim como Lucas contou-nos que a jovem “Maria levantou-se e pôs-se apressadamente a caminho da região montanhosa para a casa de Isabel”, não deixando que as dificuldades de uma viagem como essa fossem obstáculos ao seu desejo de servir e de estar presente na vida daquela a quem amava, devemos também nós permitir que a graça de Deus aja em nosso coração e nos ponha a caminho.
A caminho de quê? É a interrogação que muitas vezes brota de nós mesmos enchendo nosso olhar de desânimo. Nesse momento, é preciso que o amor seja mais forte e maior do que qualquer questionamento. É preciso que o amor nos faça deixar tudo e sair às pressas para prestar auxílio à pessoa a quem amamos. O amor é extremamente transformador e arrebatador e, quando permitimos, age de maneira magnífica em nossa vida.
Ora, tantas vezes já fomos acordados por um telefone no meio de uma noite chuvosa e, apressados, nos levantamos e saímos em auxílio de quem precisa de nossa ajuda. Tantas vezes uma criança busca em nós quem a ensine simplesmente a andar de bicicleta e, com paciência, deixamos tudo de lado e a ajudamos. Outras vezes, abrimos mão de todos os nossos compromissos para somente escutar alguém que precisa ser ouvido e, então, escutamos durante horas o que nos diz. São estes apenas três pequenos exemplos que confirmam o que o evangelho nos diz. Do mesmo modo como Maria fez, também faz igual a ela quem age assim. É o amor de Deus, o amor maior de todos, agindo em nosso coração e nos levando a fazer o que é da vontade do Senhor. É por causa do amor que alguém é capaz de se levantar no meio da noite para ajudar o outro, porque nada no mundo seria capaz de justificar uma atitude tão incondicional como esta.
Jesus se entregou à morte na cruz sem exigir nada em troca, na mais pura e incondicional atitude de doação. Ele sabia que muitos nunca entenderiam isso, que muitos não levariam a sério, que muitos não dariam o menor valor ao que ele fez... mas, acima de tudo, ele se entregou por amor a todos, mesmo àqueles que não o entendessem nunca.
Eu acredito que Jesus se levantou às pressas durante uma noite fria para ajudar quem precisava, existissem bicicletas naquela época e ele teria ensinado muita criança a andar e, todos nós sabemos, ele sempre escutava com amor e carinho quem o procurava para apenas conversar.


Nilson Antônio da Silva

Os Anjos Em Nossa Vida

Deus sempre está presente na vida das pessoas que confiam em sua misericórdia e se entregam em suas mãos. Ele nunca deixa seus filhos sozinhos e abandonados, principalmente nos momentos em que passam por dificuldades e dores no corpo e na alma. Deus se faz presente dando serenidade ao coração e consolo e esperança à alma. E, ainda, se faz presente enviando pessoas que possam caminhar conosco e estar ao nosso lado nos tempos difíceis.
As pessoas que o Senhor envia são como anjos que passam a estar conosco e, caminhando ao nosso lado, são sustentação para nosso corpo cansado e coragem para nosso coração abatido. Surgem em nossa vida, ficam conosco e não sabemos de onde vieram e nem porque apareceram. Então, de repente e com a mesma discrição com que apareceram, vão-se embora e seguem sua vida. Chegam sem fazer o menor ruído e se vão sem fazer barulho. Porém, enquanto estão ao nosso lado, são como um invencível exército em nossa defesa.
Às vezes, escutam nossos lamentos com atenção e, mesmo que talvez nem compreendam o que dizemos, estão ali à nossa disposição. A disponibilidade que demonstram em nos ouvir, sem cobranças e sem críticas, é imensa e sem igual! São os ouvidos de Deus a nos escutar! Nem é preciso que falem ou nos aconselhem, pois basta que nos escutem.
Outras vezes, fazem tudo para nos proporcionar alegria e bem-estar. Com cuidado, semeiam em nosso coração esperança e serenidade. Persistentes, plantam em nossa face ao menos um pequeno e frágil sorriso.
Um belo dia, quando tudo começa a ficar melhor e as feridas começam a ser cicatrizadas, tranqüilamente estes anjos de Deus vão se distanciando. Assim, tendo pois cumprido a missão que o Senhor lhes confiara, voltam a viver suas vidas e deixam gravada em nosso peito a marca indelével de sua passagem e presença em nossa vida.
Deus, que dispõe todas as coisas para o nosso bem, age sem cessar para que a nossa vida seja plena e feliz. Portanto, é mais do que necessário que façamos de nossa vida um louvor agradável e sincero ao nosso Senhor e Deus. O amor de Deus para conosco é incondicional e, assim, seja a nossa vida um ato de entrega e de amor verdadeiro a Deus.
Da mesma maneira como os anjos louvam e adoram a Deus dia e noite, devemos também nós louvar e adorar ao nosso Criador e Senhor em todos os momentos de nossa vida.

Nilson Antônio da Silva

Deus É Silêncio



Muitos são os sinais que, ao longo do tempo, o Senhor nos dá mostrando a sua ação em nossa vida. Ele age de modo silencioso, sem fazer espetáculo e, por isso, precisamos aprender a como perceber os pequenos sinais de sua presença em nosso cotidiano. Precisamos ter o coração aberto e humilde para que, assim, possamos enxergar o quanto o Senhor faz maravilhas em nossa vida. Precisamos abrir mão de nossos projetos egoístas, os quais não permitimos que sejam conduzidos pela vontade de Deus, para que possamos compreender e ver como são grandes e belas as obras que o Senhor opera em nossa vida. Somente tendo o coração voltado para Deus, é possível entender e também proclamar, como Maria, que “o Senhor fez maravilhas em mim”!
Deus é silêncio e age em silêncio. É no mais íntimo e silencioso recanto da alma que o Senhor dá a conhecer a sua vontade. Deus não fica o tempo todo trovejando do alto das nuvens a nos dizer o que deseja que façamos. Por isso, precisamos aprender a ouvir o que Ele nos diz no silêncio. Precisamos aprender a amar o silêncio da mesma forma que o Senhor ama o silêncio.
No silêncio daquela madrugada do terceiro dia, Jesus ressuscitou; no silêncio de seu coração, Maria guardou todos os acontecimentos que se passaram com ela e com o Senhor; no silêncio do deserto, os profetas escutaram a palavra de Deus; no silêncio das prisões, os mártires entregaram suas vidas nas mãos de Cristo; no silêncio do mundo, os santos se puseram nas mãos de Deus e nele depositaram sua confiança.
A presença de Deus se faz nos corações que buscam a paz e a harmonia, a tranqüilidade e o silêncio. A ação de Deus se manifesta nas pessoas que promovem a paz e espalham o perdão. A obra de Deus inunda e transforma o mundo quando as pessoas percebem e colaboram com o Senhor em seu agir silencioso e onipotente.
Nilson Antônio da Silva,

O Corpo de Cristo


“No santíssimo sacramento da eucaristia estão ‘contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo’’”. Com estas palavras, o Catecismo da Igreja Católica (§ 1374), fazendo eco ao Concílio de Trento, afirma uma das mais belas e importantes verdades de nossa fé: Cristo, Deus e Homem, torna-se presente por completo. Essa “presença começa no momento da consagração e dura enquanto subsistirem as espécies eucarísticas”, isto é, o pão e o vinho. Em cada uma delas e por inteiro em cada uma das partes, Cristo está presente. Ele não se divide ao fracionar o pão. Foi desta maneira única que Cristo quis permanecer visivelmente em sua Igreja.
Entregando na cruz sua vida para nossa salvação, quis ainda permanecer conosco de modo que pudéssemos contemplá-lo com nossos sentidos. E esta sua presença somente podemos descobrir com fé, que Deus mesmo concede. Na pequenez do pão saído do grão de trigo e do vinho, ambos frutos da mão do homem, Jesus escolheu estar conosco. É Deus mesmo que, por sua graça, transforma o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Cristo, quando o sacerdote, que é figura de Cristo, pronuncia as palavras “Isto é o meu corpo... isto é o meu sangue...” Desta forma, não é o homem que faz com que o pão e o vinho oferecidos se tornem o Corpo e o Sangue de Cristo, mas o próprio Cristo que faz, Ele que se ofereceu por nós na cruz. Portanto, receber dignamente o Cristo na eucaristia, deve ser para nós a maior alegria e mais honrado dom. Por tudo isto, a eucaristia é o coração da vida da Igreja e o seu ponto máximo.
A celebração da eucaristia, em que Cristo derrama as graças da salvação sobre a Igreja, comporta a proclamação da Palavra de Deus, a ação de graças a Deus Pai, a consagração do pão e do vinho e a participação no banquete litúrgico pela recepção do Corpo e Sangue do Senhor.A eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, é Cristo mesmo, sacerdote eterno da Nova Aliança, e é esse mesmo Cristo realmente presente. Sendo sacrifício, a eucaristia é oferecida em reparação dos pecados dos vivos e defuntos e também para obter de Deus benefícios temporais ou espirituais.
A comunhão perdoa pecados veniais e preserva de pecados graves, uma vez que aumenta a união do comungante com o Senhor.

Nilson Antônio da Silva, 09 de Maio de 2004


Fonte Consultada:
Catecismo da Igreja Católica, Edição Típica Vaticana, Edições Loyola

Assim Quis o Senhor


Muitas e muitas vezes, no decorrer de nossa vida, a esperança parece ter nos abandonado e nos largado na mais fria e desoladora solidão. Os dias se tornam frios e as noites intermináveis. Todas as pessoas de nossa convivência parecem distantes e incapazes de nos acolher e compreender. O coração sente a dor de tudo isso e a alma se encolhe no mais profundo de nosso ser, buscando aí segurança e apoio. Momentos assim todos os seres humanos experimentam, sem exceção e sem diferenças. O próprio Senhor Jesus experimentou esta dor no Jardim do Getsêmani. Maria também passou pela dor de abandono e solidão aos pés da cruz e, ainda, todos os santos e santas experimentaram momentos de intenso sofrimento interior. Esses momentos fazem parte da natureza humana e não há como fugir deles ou enganá-los. Diante desses momentos, podemos nos revoltar contra tudo e acusarmos Deus de tê-los causado ou, então, podemos aceitá-los e vivenciá-los confiando que Deus nunca nos abandonará. É uma escolha. Difícil, mas é uma escolha.
Contudo, o mais importante é compreender que tudo que acontece em nossa vida é porque o Senhor permite que aconteça. Nada que acontece no mundo se faz sem a permissão de Deus. Deus criou o mundo bom e tudo que existe é bom porque Deus o fez bom. Ora, a dor e o sofrimento não foram criados por Deus, mas existem devido à desordem causada pela própria vontade do ser humano.
Precisamos entender que tudo que acontece em nossa vida, seja bom ou não, é porque assim quis o Senhor. Precisamos aprender a confiar na vontade de Deus, que dispõe todas as coisas da maneira certa, mesmo que não consigamos compreender o porquê. Temos que esquecer nossa mania de querer achar explicação para tudo. Temos que aprender a guardar todas as coisas no mais íntimo de nosso coração, do mesmo modo como Maria fez. Ela se entregou à vontade de Deus e confiou plenamente Nele. E todos nós devemos fazer como ela fez. Precisamos nos entregar à vontade de Deus e confiarmos que Ele tudo dispõe para, de algum modo que talvez nunca entendamos, alcançarmos a vida eterna.
A partir do momento que conseguimos entender que tudo que Deus faz é bom e que nós, com nossas próprias forças, somos incapazes de superar a dor e aceitamos que somente o Senhor pode curar todo o sofrimento de nossa alma, então estamos nos colocando no caminho de Jesus. Passamos a confiar na onipotência de Deus e aceitamos nossa insignificância de ser humano. E, com isso, o Senhor estende sua mão e nos ampara, para nos arrancar de nossa frágil humildade e encher nosso coração com seu amor e sua ternura.
Deus quer que sejamos felizes! Esta é a maior verdade que há e Deus comprovou isto ao entregar seu Filho à cruz somente para que pudéssemos voltar aos seus braços e viver em sua graça.
Nilson Antônio da Silva

Santíssima Mãe de Deus



“Doravante todas as gerações me proclamarão bem-aventurada!”
Pela graça de Deus, hoje eu proclamo que tu és bem-aventurada, ó Mãe do meu Senhor! E dou graças ao Senhor por ter me concedido a felicidade de pertencer ao número de teus filhos, ó Santíssima Mãe de Deus!
Passava eu por noite tempestuosa, em que as trevas e o furor devastavam minha alma e a dor e o desespero caminhavam ao meu lado. Meu coração era dilacerado sem parar e as lágrimas alimentavam os meus dias. Os dias transcorriam terríveis, os meses eram torturantes e as horas, verdadeiros flagelos a arrancar a carne.
Mas, pela graça do Senhor meu Deus e com sua misericórdia sem fim, a cada noite eu suplicava a ti, ó Mãe de Deus, que rogasse a teu Filho Jesus por mim e por todos que sofriam no corpo e na alma. E tu te compadeceste e, por causa de teu pedido, o Senhor operou um milagre imenso em minha vida. Ele sempre ouve tuas súplicas, assim como em Caná da Galiléia.
Tu estás tão próxima de Deus, ó Senhora, e também tão próxima de nós! Conheces a dor e o sofrimento, a miséria e a fragilidade dos filhos de Eva. Conheces as noites intermináveis que tantos passam e os espinhos nos corações humanos. Tu és solidária conosco em nossa caminhada e, por estares ao lado do Senhor Jesus, podes continuamente pedir-Lhe que dê força aos nossos passos, ânimo aos nossos corações e salvação às nossas almas.
Felizes são as pessoas que se colocam sob teus cuidados e se confiam à tua proteção infalível, ó Santíssima Virgem!
Felizes são as pessoas que proclamam ao mundo inteiro que tu és bendita, ó Mãe de Deus!
Felizes são as pessoas que buscam compreender a tua simplicidade e a tua humildade de serva de Deus e de mãe de Deus!
Felizes são as pessoas que reconhecem a tua imensa importância diante do Senhor, que tanto se agrada em nos ver te proclamando “cheia de graça e bendita entre as mulheres”!
Todos os santos sempre foram cheios de amor para contigo e os anjos a saúdam e a bendizem e, também nós felizes seremos ao cumprir esta magnífica profecia e proclamar que tu és bendita, ó Maria, Mãe de Deus e Senhora nossa!


Nilson Antônio da Silva

A Paz



“Deus se chama rei da paz. É por isso que cada um deve desejar a paz com o próximo. Deus não a concede senão aos que a concedem de bom coração aos outros.”
Estas palavras são do século XIII, ditas por Santo Ambrósio de Sena, numa época difícil em que a Igreja sofria dolorosamente as conseqüências dos pecados e vaidades dos homens. Era um tempo em que os cristãos do oriente e do ocidente já não conseguiam se entender e, em Roma, a cátedra de Pedro era escandalosamente disputada pelos poderosos de então. Com tudo isso acontecendo, a Igreja sofria e chorava amargamente vendo seus filhos praticarem tais atos e mais ainda ao ver muitos fiéis desnorteados em meio a tanta discórdia.
Mas o Senhor, fiel a suas promessas, suscitava santos e santas que dia e noite batalhavam pela paz, unidade e comunhão da Igreja. Pregavam ao povo que Deus quer o perdão e o diálogo, pois é assim que se comprova a autenticidade dos valores evangélicos e se alcança a paz. Ora, os corações são conquistados com palavras serenas e sinceras, às vezes duras se for preciso, mas nunca com gritos e ofensas. Os corações são conquistados com a verdade e com o amor, nunca com falsidades e com disputas. E Santa Catarina de Sena, São Francisco de Assis, Santo Antônio e tantos outros que viveram naqueles dias compreendiam bem o que significavam estes valores da fé cristã e exortavam o rebanho e os pastores que voltassem seus corações para Jesus Cristo e abrissem suas mentes para entender a santidade dos evangelhos.
Viver em paz com o próximo é fazer a vontade de Deus. Conviver com as dificuldades e incompreensões cotidianas, em busca da paz, é assumir um compromisso com o Senhor. Todos nós precisamos de paz em nossas vidas e a Igreja, Mãe e Mestra, também precisa de paz para alcançar a unidade e a comunhão de todos os seus filhos. Todos nós, que somos o povo de Deus, recebemos do Senhor a ordem de sermos “luz do mundo e sal da terra”. O que diria o Senhor, ao ver a luz sumindo em meio às trevas do mundo e o sal sem sabor? Nós sabemos bem o que acontece com o sal que perde o sabor! Por não servir mais para nada, “é jogado fora para ser pisado pelos homens.”

Nilson Antônio da Silva

A Morada da Maldade


Existem muitas pessoas em cujos corações a maldade vai rondando e fazendo morada. Às vezes, nem percebem que seu coração encheu-se de trevas e de egoísmo, tornando-se terreno fecundo para o mal se desenvolver e gerar seus frutos imprestáveis. Então, começam a passar seus dias maquinando a destruição do seu próximo, manipulando acontecimentos e pessoas em busca de proveito próprio, usando artifícios de chantagem para obter de outros a satisfação de suas vontades e, enfim, buscando na mentira e em sua própria maldade a aniquilação e a desgraça de quem estiver em seu caminho. Encontram sua satisfação quando conseguem ver seu próximo atirado na mais suja sarjeta, pois era esse o seu objetivo maior. Ficam satisfeitas em negar compreensão e perdão ao seu próximo, pois consideram que ninguém merece misericórdia. Ficam satisfeitas em condenar o seu próximo e alegram-se com a dor que aniquila quem estiver em sua frente. São pessoas cujo coração encheu-se do mais destilado egoísmo e da mais pura hipocrisia. Tornam-se mestras em negar o perdão e em induzir outros a também não perdoar. São pessoas que se apresentam com a ternura dos anjos de Deus e com a voz das crianças inocentes. Por isso, causam tanta destruição. Quem não confiaria em uma pessoa repleta da inocência e da pureza das crianças? Quem não estenderia a mão a alguém assim num momento de desespero? Porém, têm o coração cheio de podridão e a alma mergulhada na lama.
Mas, acima de tudo, é preciso lembrar que pessoas desse tipo nunca terão a bênção de Deus em seus caminhos. Como poderão alcançar a bênção se agem de acordo com o inimigo do Senhor? Por causa de suas maldades, fecham-se à graça de Deus e às suas bênçãos. Por causa de seus atos causadores de dor e sofrimento ao próximo, põem-se infinitamente distantes do Senhor. Com seus atos, impedem que a graça de Deus floresça em suas vidas e viram as costas à misericórdia divina. E de nada adianta jurar diante até mesmo do próprio papa que vai fazer o bem se continua a praticar a maldade contra o próximo!
Toda atitude ou omissão que prejudica o próximo brada a Deus por justiça e o Senhor escuta os gemidos de seus filhos, mesmo sabendo de suas fraquezas e limitações, quando estes buscam refúgio e proteção nele. Deus é misericordioso e justo e não quer que nenhum de seus filhos se perca. Por isso, sempre perdoa e compreende as fraquezas de quem confia em seu amor infinito. Mas, desta mesma forma, ele quer que também seus filhos sejam misericordiosos uns com os outros e perdoem-se mutuamente e, principalmente, busquem fazer a sua vontade acima de tudo e em tudo.
Deus é bom e ama o pecador, mas não ama o pecado. Deus é bom e abre os braços a quem busca sua proteção, mas não colabora com aqueles que praticam a maldade.
Nilson Antônio da Silva, Existem muitas pessoas em cujos corações a maldade vai rondando e fazendo morada. Às vezes, nem percebem que seu coração encheu-se de trevas e de egoísmo, tornando-se terreno fecundo para o mal se desenvolver e gerar seus frutos imprestáveis. Então, começam a passar seus dias maquinando a destruição do seu próximo, manipulando acontecimentos e pessoas em busca de proveito próprio, usando artifícios de chantagem para obter de outros a satisfação de suas vontades e, enfim, buscando na mentira e em sua própria maldade a aniquilação e a desgraça de quem estiver em seu caminho. Encontram sua satisfação quando conseguem ver seu próximo atirado na mais suja sarjeta, pois era esse o seu objetivo maior. Ficam satisfeitas em negar compreensão e perdão ao seu próximo, pois consideram que ninguém merece misericórdia. Ficam satisfeitas em condenar o seu próximo e alegram-se com a dor que aniquila quem estiver em sua frente. São pessoas cujo coração encheu-se do mais destilado egoísmo e da mais pura hipocrisia. Tornam-se mestras em negar o perdão e em induzir outros a também não perdoar. São pessoas que se apresentam com a ternura dos anjos de Deus e com a voz das crianças inocentes. Por isso, causam tanta destruição. Quem não confiaria em uma pessoa repleta da inocência e da pureza das crianças? Quem não estenderia a mão a alguém assim num momento de desespero? Porém, têm o coração cheio de podridão e a alma mergulhada na lama.
Mas, acima de tudo, é preciso lembrar que pessoas desse tipo nunca terão a bênção de Deus em seus caminhos. Como poderão alcançar a bênção se agem de acordo com o inimigo do Senhor? Por causa de suas maldades, fecham-se à graça de Deus e às suas bênçãos. Por causa de seus atos causadores de dor e sofrimento ao próximo, põem-se infinitamente distantes do Senhor. Com seus atos, impedem que a graça de Deus floresça em suas vidas e viram as costas à misericórdia divina. E de nada adianta jurar diante até mesmo do próprio papa que vai fazer o bem se continua a praticar a maldade contra o próximo!
Toda atitude ou omissão que prejudica o próximo brada a Deus por justiça e o Senhor escuta os gemidos de seus filhos, mesmo sabendo de suas fraquezas e limitações, quando estes buscam refúgio e proteção nele. Deus é misericordioso e justo e não quer que nenhum de seus filhos se perca. Por isso, sempre perdoa e compreende as fraquezas de quem confia em seu amor infinito. Mas, desta mesma forma, ele quer que também seus filhos sejam misericordiosos uns com os outros e perdoem-se mutuamente e, principalmente, busquem fazer a sua vontade acima de tudo e em tudo.
Deus é bom e ama o pecador, mas não ama o pecado. Deus é bom e abre os braços a quem busca sua proteção, mas não colabora com aqueles que praticam a maldade.
Nilson Antônio da Silva

quarta-feira, 30 de maio de 2007

"Jesus Começou a Chorar"


Quando eu ainda estudava, certa vez uma professora disse à classe que, entre amigo e colega, há uma enorme diferença e que, muitas vezes, acabamos vendo um amigo em quem é apenas colega, enquanto desprezamos o verdadeiro amigo. Ela estava certa!
Colegas são ótimos para fazer farra, sair e divertir. Colegas são divertidos, estão presentes o tempo todo, não incomodam! Colegas, temos muitos e muitos arranjamos todos os dias! Os amigos, porém, são complicados, nem sempre estão presentes, necessitam de compreensão, precisam incomodar-nos para que lhes digamos palavras de conforto. Temos que perder nosso precioso tempo em ouvir suas dores e mágoas enquanto poderíamos nos divertir estando com nossos colegas tão vazios e fúteis! Os amigos tanto confiam em nós que em nossas mãos põem seu coração para cuidarmos, desnudam sua alma diante de nossos olhos e repousam sua cabeça cansada em nosso ombro. E, ainda assim, não são valorizados por nós! Preferimos os colegas fúteis e vazios aos amigos sinceros e bons! Talvez seja porque colegas fúteis e vazios não são capazes de nos ferir e nem são por nós feridos. Já os amigos, precisamos perdoar e também pedir-lhes perdão. Nós os ferimos e eles nos ferem, ainda que sem intenção. Nós os magoamos, mesmo sabendo que são poucos e nem todo dia arranjamos outros novos!
Reparar um erro é difícil, reconstruir uma amizade é difícil, agüentar a dor de um arrependimento é difícil. É difícil encarar a verdade quando esta desmascara uma mentira! É difícil encarar a verdade quando esta nos mostra as coisas como realmente são e nos põe no caminho certo!

Nilson Antônio da Silva

terça-feira, 29 de maio de 2007

"O Amor E A Fidelidade Vieram Através de Jesus Cristo"



Existem muitas, mas muitas pessoas que desconhecem a palavra fidelidade e vivem vagando desnorteadas pela vida e pelo mundo, como se nunca houvesse um ontem e um amanhã. Ficam presas em um presente fútil e inconseqüente, incapazes de enxergar a própria alma e sentir a existência daqueles que as cercam. Amam e odeiam como se fossem senhores da verdade; estimam e desprezam como se fossem juízes da verdade; ordenam e exigem como se fossem absolutas, a quem o mundo irrebelavelmente deve servir.
Traem os outros sem saber que antes traem a si mesmas e, às vezes, ainda se sentem traídas por aqueles a quem traíram.
Passam a vida toda sem crer em nada, porque crêem em coisas inexistentes criadas por elas mesmas, perdidas em um deserto estéril onde sequer animam-se a erguer os olhos e olhar para o horizonte.
Vivem seus dias amando e odiando, estimando e desprezando, mandando e exigindo como se fossem viver para sempre, sem fazer a mínima idéia da preciosidade de cada segundo da vida. Dão-se ao luxo de gastar meses, às vezes anos e anos, odiando e desprezando, em vez de estimar e ao menos ser gentil. É claro que amar verdadeiramente é algo que se constrói com ardor e lentidão, envolve sorrisos e lágrimas, necessita compreensão e total doação. Por isso, disse que se deve ao menos ser gentil! Não se trata de uma gentileza aparente, que venha para dissimular outros sentimentos e que no fim acaba se tornando pior do que odiar ou desprezar. Trata-se da manifestação sincera do empenho em querer amar.
A fidelidade aos bons princípios pessoais de cada um, levando-se sempre em conta cada ato passado e avaliando conscientemente as conseqüências de um ato presente para o futuro, é fundamental para a vida e para que, durante esta, possa existir harmonia e paz no convívio social, e haja tranqüilidade e serenidade no coração. Nunca devemos ter a presunção de pensar que nossos atos não trarão conseqüências às pessoas com as quais convivemos. Quem assim pensar, estará agindo com ignorância.
A fidelidade a Deus, a fidelidade à vida, a fidelidade a quem nos ama, sejam amigos e familiares, e sobretudo a fidelidade ao próprio coração, é o que garante uma vida feliz e próspera. A fidelidade aos bons e verdadeiros sentimentos do coração é fidelidade a Deus, pois Ele habita em nós e dá-nos vida, porque Ele é a Vida plena, absoluta, abundante, infinita e eterna!

Nilson Antônio da Silva

sábado, 26 de maio de 2007

"Vai e Não Peques Mais"




O que leva uma pessoa a endurecer tanto o seu coração? O que leva uma pessoa a não ser capaz de perdoar, mesmo que o perdão seja implorado em meio a lágrimas e na mais pura sinceridade. Será orgulho, arrogância?
O orgulho pode endurecer um coração, cegar os olhos de uma alma cheia de humildade e de bondade. Palavras distorcidas podem manipular um coração puro e conduzi-lo rumo às trevas, enquanto vão cantando coisas agradáveis ao ouvido. É dessa maneira que o mal vai corroendo e fazendo morada nos corações humanos.
Não existe perdão quando se diz: eu perdôo você, mas não lhe dou uma oportunidade nova, pois você vai errar sempre. Não existe perdão quando a indiferença toma conta dos sentimentos de uma pessoa. Só é concretizado o perdão quando há acolhimento e se crê na sinceridade de quem pede para ser perdoado.
Como alguém pode condenar o outro por um erro cometido quando este mesmo erro é confessado e o perdão é implorado? Como é possível a fraqueza de outro ser condenada e não ser compreendida? Todos nós fraquejamos e caímos, todos nós temos nossos defeitos e dores. Mas isto não é motivo para sermos exterminados num holocausto nazista. Somos santos e pecadores, pois Deus nos fez santos, mas ele também sabe que somos fracos e muitas e muitas vezes pecamos contra ele e contra nosso próximo. E ele sempre nos perdoa e tem misericórdia de nossa fraqueza. E quer que ajamos dessa mesma forma com nossos semelhantes. A palavra de Deus é clara quando diz “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos ofendeu”.
Nem Deus, criador e senhor de todas as coisas, condena simplesmente um pecador e nega-lhe uma nova oportunidade. Nem Deus faz isto... Pedro negou o Cristo, e o mesmo Senhor o perdoou e o acolheu; a mulher pecadora chorou dolorosamente aos pés do Senhor e ele a acolheu e perdoou; todos os amigos e discípulos do Senhor o abandonaram e mesmo assim ele os perdoou e os acolheu. Ele compreendeu suas fraquezas e suas limitações. A prostituta demonstrou muito amor aos pés do Senhor e ele a perdoou e acolheu. Imagine quanta dor ela sentiria se ouvisse o Senhor dizendo: você está perdoada, mas não se aproxime de mim pois você é uma prostituta e sua companhia me causa vergonha. E também não acredito que você deixará de ser uma prostituta porque, pode ser que seja daqui a um mês ou daqui a um ano, um dia você voltará a fazer a mesma coisa. Deus perdoa a todos os pecados, exceto o pecado contra o Espírito Santo. Ora, não são então todos os pecados cometidos contra o próximo perdoados? Negar o perdão ao próximo é como colocar-se acima de Deus e agir assim é errado. É o que a Igreja ensina por que aprendeu isto do Senhor Jesus.
Todos nós somos nada e nada valemos. A nossa vida é muito curta. E dói muito quando se pede perdão a um amigo e este perdão é negado. Só o Senhor sabe o quanto o coração fica esmagado e a alma fica dilacerada!
Nilson Antônio da Silva

sábado, 19 de maio de 2007

"Senhor, Quantas Vezes Devo Perdoar?"


Deus é misericórdia e compaixão, é compreensivo e não se lembra de nossos erros e faltas que cometemos sem cessar. É o Senhor que ouve nossas súplicas e tem compaixão quando pedimos seu perdão. E, desse modo, ele espera e deseja que nós também sejamos misericordiosos e tenhamos compaixão de quem comete erros contra nós e possamos perdoar e esquecer esses erros.
Deus é cheio de amor e compreensão para conosco e quer que nós também sejamos cheios de amor e compreensão com todas as pessoas que estão presentes em nossa vida. Deus quer que perdoemos e esqueçamos o erro cometido contra nós, pois é assim que ele age.
Não existe perdão quando alguém diz “eu perdôo”, mas continua agindo com indiferença e desprezo com quem lhe implorou por esse perdão. Ora, perdoar quer dizer esquecer tudo que aconteceu antes e conceder de coração uma nova oportunidade para a pessoa perdoada. É da vontade de Deus perdoar sempre e nunca deixar de perdoar.
É muito doloroso pedir perdão a alguém por um erro cometido e não ser perdoado. Ou, o que é pior, ser simplesmente ignorado, afastado e lançado na prisão. É uma dor imensa! O coração se sente esmagado e agoniza terrivelmente. E só Deus sabe o quão grande é o sofrimento!
Imagine que, toda vez que fôssemos diante de Deus pedir-lhe perdão, ele simplesmente dissesse cheio de indiferença: “não tenho nada que lhe perdoar, não tenho que lhe dar atenção, não tenho mais tempo para você, você vai continuar cometendo o mesmo erro sempre, não me interessa mais ter você próximo de mim, isso é problema seu!” No entanto, o que ele diz é apenas isso: “você está perdoado, venha até mim, é uma grande alegria ter você de volta aqui comigo!”
Deus quer que tenhamos um coração sem orgulho, capaz de perdoar e compreender.Deus é misericórdia e compaixão, é compreensivo e não se lembra de nossos erros e faltas que cometemos sem cessar. É o Senhor que ouve nossas súplicas e tem compaixão quando pedimos seu perdão. E, desse modo, ele espera e deseja que nós também sejamos misericordiosos e tenhamos compaixão de quem comete erros contra nós e possamos perdoar e esquecer esses erros.
Deus é cheio de amor e compreensão para conosco e quer que nós também sejamos cheios de amor e compreensão com todas as pessoas que estão presentes em nossa vida. Deus quer que perdoemos e esqueçamos o erro cometido contra nós, pois é assim que ele age.
Não existe perdão quando alguém diz “eu perdôo”, mas continua agindo com indiferença e desprezo com quem lhe implorou por esse perdão. Ora, perdoar quer dizer esquecer tudo que aconteceu antes e conceder de coração uma nova oportunidade para a pessoa perdoada. É da vontade de Deus perdoar sempre e nunca deixar de perdoar.
É muito doloroso pedir perdão a alguém por um erro cometido e não ser perdoado. Ou, o que é pior, ser simplesmente ignorado, afastado e lançado na prisão. É uma dor imensa! O coração se sente esmagado e agoniza terrivelmente. E só Deus sabe o quão grande é o sofrimento!
Imagine que, toda vez que fôssemos diante de Deus pedir-lhe perdão, ele simplesmente dissesse cheio de indiferença: “não tenho nada que lhe perdoar, não tenho que lhe dar atenção, não tenho mais tempo para você, você vai continuar cometendo o mesmo erro sempre, não me interessa mais ter você próximo de mim, isso é problema seu!” No entanto, o que ele diz é apenas isso: “você está perdoado, venha até mim, é uma grande alegria ter você de volta aqui comigo!”
Deus quer que tenhamos um coração sem orgulho, capaz de perdoar e compreender.


Nilson Antônio da Silva

sábado, 12 de maio de 2007

Farei de Vós Pescadores de Homens




O que é ser pescador? O que é lançar-se ao mar desconhecido ou pairar sobre as águas mansas de um rio? Ora, não conhecemos o mar. Estamos em Minas! Mais, estamos em Santo Antônio do Monte: não temos um grande rio de águas mansas!
Mesmo assim, a imagem do pescador nos cativa. Barcos e redes nos são familiares! Deus concedeu que a pequenina imagem de Nossa Senhora da Conceição fosse tirada de um rio pela rede de alguns pescadores! Mais, Cristo chamou alguns homens simples, porém fiéis, prometendo-lhes que faria deles “pescadores de homens”.
Ter barcos e redes é o fundamental para poder lançar-se ao mar ou ir ao meio do rio para, então, pescar. Pode-se pescar na beira do rio ou mesmo na praia mas, todo pescador sabe, os melhores peixes encontra-se em águas mais distantes da margem.
Ter barcos e redes é o fundamental para se pescar, porém, barcos e redes não se lançam às águas por si só. É preciso, e tão importante quanto os barcos e redes, que haja pescadores com coragem para subir ao barco.
Um pescador é fiel ao seu ofício, acorda cedo, prepara tudo e acredita naquilo que faz. Ele assume e ama o que faz. A isso dedica sua vida: alegra-se seu rosto sendo farta a pescaria e entristece-se seu olhar quando as redes são puxadas vazias.
Deus chama cada pessoa a uma missão única desde o nascimento e é de seu agrado que essa missão seja assumida com compromisso, fidelidade e amor.
Deus alegra-se com cada pessoa que se compromete a seguir suas palavras, vivendo-as no cotidiano com entrega e confiança.
Deus alegra-se com cada pessoa que volta seu coração para ele, sendo-lhe fiel nos pequenos afazeres, nas palavras simples do dia-a-dia, na oração sincera que somente ele escuta no mais íntimo da alma.
Jesus é a mais verdadeira doação, a expressão perfeita do amor puro e eterno, que se entregou totalmente por amor ao ser humano, desde o princípio “cheio de amor e fidelidade”.
Ele chama, aproxima-se e chama! Quer que estejamos próximos dele porque é “cheio de amor”. Ele chama e, “cheio de amor”, diz a um: Quero que constituas uma família e vivas feliz! A outro, diz: Quero que venhas e sigas-me! Para alguém, diz: Vai cuidar das feridas dos teus irmãos! Ou ainda: Oferece tuas forças na luta em prol da justiça.
Jesus chama e a cada um mostra o caminho que conduz ao Pai.


Nilson Antônio da Silva